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Pão de Açúcar corta custos e testa venda de móveis

Publicado segunda-feira, 29 de maio de 2006 às 09:36 h | Atualizado em 29/05/2006, 09:36 | Autor: Agencia Estado
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O Pão de Açúcar, maior rede de supermercados do País, mergulhado desde o ano passado num profundo processo de reestruturação para cortar custos e melhorar as vendas, começa agora a sondar novos negócios. Em duas lojas - um Extra Eletro em Sorocaba e um Extra em Campinas - o grupo testa a venda de móveis, num projeto piloto.

O interesse pelos móveis se explica por ser um negócio com boas margens de lucro e porque ampliaria a variedade de produtos à venda no grupo. Estaria dentro do plano estratégico de reduzir sua dependência da venda de alimentos. Hoje, produtos fora da área alimentícia já representam 24% das vendas do Pão de Açúcar e, segundo especialistas, essa fatia poderia chegar a 30%.

O presidente do Pão de Açúcar, Cássio Casseb, em conversas com analistas de mercado, tem deixado claro a prioridade que dará à área de não alimentos. O grupo chegou a anunciar no mês passado a contratação de Rodolfo Landim, ex-presidente da BR Distribuidora, para assumir a direção da área. Com 558 lojas, o grupo Pão de Açúcar tem 47 postos de combustíveis.

O comentário no mercado era que Landim viria para reforçar a expansão de postos, além de cuidar de setores como farmácia, eletroeletrônicos, têxteis e bazar. Mas, antes de fechar com o Pão de Açúcar, Landim acabou seduzido por uma proposta mais atraente feita pelo empresário Eike Batista, da EBX. Foi mais um revés para o grupo, que tem remado contra a maré nos últimos tempos.

O desempenho de vendas do Pão de Açúcar, como o de todas as redes, foi afetado no ano passado pela queda no preço dos alimentos e mais ainda pela concorrência com os supermercados informais. A venda por metro quadrado da empresa caiu, em média, de R$ 13.448 em 2004 para R$ 13.404 em 2005. O Carrefour e o Wal-Mart também tiveram queda de vendas por m2, mas as duas multinacionais não divulgam detalhes sobre suas operações no País.

O faturamento real do Pão de Açúcar na comparação das mesmas lojas, descontada a inflação, caiu 3,5% em relação a 2004. Na mesma comparação, o volume de vendas de alimentos cresceu 0,1%, enquanto as vendas dos outros produtos tiveram alta de 12,5%. Daí o interesse da companhia em investir em não alimentos.

Neste ano, há poucas mudanças nesse quadro, e as redes continuam sendo afetadas pela deflação em alimentos. O Pão de Açúcar teve crescimento nominal de vendas em abril, considerando-se as novas lojas abertas. Mas registrou, no primeiro quadrimestre, uma queda real de vendas em torno de 6% nas mesmas lojas, segundo estimativa do analista Marcel Moraes, da Bradesco Corretora. A expectativa do analista é de uma recuperação a partir do segundo semestre, com o crescimento da massa salarial.

É também para a segunda metade do ano que se esperam os primeiros resultados da reestruturação. O grupo, que em 2005 faturou R$ 15,4 bilhões, não mostrou por enquanto os ganhos obtidos com o enxugamento de custos. Esse enxugamento incluiu o corte das agências de publicidade que atendiam às diferentes bandeiras, a criação de uma central de serviços não compartilhados (para gastos administrativos) e a redução de pessoal. Em 2005, a rede cortou 645 funcionários, mas no início do ano as dispensas cresceram. Entre janeiro e março foram homologados no Sindicato dos Comerciários do Estado de São Paulo 742 demissões do Pão de Açúcar, total bem maior do que o da concorrência. O Carrefour, no mesmo período, teve 185 demissões homologadas e o Wal-Mart, 76.

PREÇOS

"O maior problema do Pão de Açúcar são os preços altos, o que leva a um desempenho de vendas ruim. Embora eles tenham crescimento da margem Ebtida (a receita líquida antes do pagamento de impostos), as vendas estão fracas", diz Moraes. Para o analista, a rede melhorou sua negociação com fornecedores, está cortando custos, mas só quando repassar estes ganhos para os preços poderá aumentar as vendas.

O coordenador do Programa de Varejo da USP (Provar), Claudio Felisoni, diz que o preço é um dos atributos mais importantes p

preocupados com o avanço dos concorrentes, principalmente do Wal-Mart."

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