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Rajan, do BC da Índia, faz alerta sobre crescimento e cita Brasil como exemplo

Publicado sexta-feira, 18 de setembro de 2015 às 11:31 h | Atualizado em 19/11/2021, 07:02 | Autor: Estadão Conteúdo
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O presidente do Banco Central da Índia, Raghuram Rajan, declarou hoje que prefere ver a economia do país se expandir de forma mais lenta, mas segura, do que a uma velocidade impraticável no longo prazo.

"Nesse ambiente difícil, o crescimento precisa ser obtido da forma certa", afirmou Rajan, durante evento em Mumbai. "Temos de trabalhar duro para fortalecer nossa recuperação atual e colocá-la numa situação mais sustentável."

Rajan, que descreveu a Índia como "uma ilha de calmaria num oceano de turbulência", disse que outros mercados emergentes, incluindo Brasil, Rússia, China e África do Sul - membros do grupo conhecido como Brics - têm "profundos problemas". Já as economias avançadas, ressaltou ele, se esforçam para crescer.

Com a desaceleração da China, a Índia tornou-se a grande economia com ritmo de expansão mais forte do mundo. Além disso, a inflação está recuando dos picos do passado e convergindo rapidamente para a meta do BC, enquanto o primeiro-ministro Narendra Modi se mostra atento às demandas das empresas.

Céticos, porém, dizem que a aceleração do crescimento indiano reflete a reformulação de instrumentos estatísticos usados para medir a economia. Já a turbulência financeira vista na Ásia no mês passado atingiu a Índia, assim como todos os países do continente, causando a desvalorização do mercado acionário local e da rupia.

Rajan citou o fato de o Brasil ter perdido o favoritismo dos investidores como um alerta para a Índia, a terceira maior economia asiática.

Até recentemente, o Brasil era elogiado por seu desempenho econômico e democracia, assim como pelos esforços que implementou para reduzir a desigualdade. Neste ano, porém, a expectativa é de que o país sofra uma contração econômica de cerca de 3% e sua classe política está envolvida em escândalos de corrupção. Como resultado, a Standard & Poor's retirou o grau de investimento do Brasil na semana passada.

Segundo Rajan, o Brasil tentou crescer rápido demais e a taxa de expansão de mais de 7% vista até 2010 foi consequência de estímulos significativos que vieram na esteira da crise financeira global. O chefe do BC indiano também citou o aumento dos empréstimos subsidiados para empresas brasileiras e a manutenção de taxas de juros baixas, que ampliou fortemente o crédito para consumidores que agora lutam para saldar suas dívidas.

"É possível crescer com rapidez diante de estímulos substanciais, como fizemos em 2010 e 2011, mas depois pagamos o preço na forma de inflação mais alta, déficit maior e nada de crescimento em 2013 e 2014", disse Rajan. "Nossa própria experiência sugere que precisamos ser cautelosos."

Rajan declarou ainda que o BC indiano vai relaxar sua política monetária "à medida que houver espaço", enquanto o governo e reguladores devem implementar as reformas que anunciaram. "Essa é a única forma de ampliar o crescimento potencial", afirmou. Fonte: Dow Jones Newswires.

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