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Stephanes admite dificuldades para o crédito agrícola

Publicado terça-feira, 05 de maio de 2009 às 11:55 h | Atualizado em 05/05/2009, 11:55 | Autor: Agencia Estado
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O agronegócio brasileiro vai precisar de R$ 150 bilhões para financiar a safra agrícola em 2009/2010, mas por enquanto há sinalização para R$ 100 bilhões, conforme avaliação do presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Carlo Lovatelli, durante o seminário Perspectivas para o Agribusiness em 2009 e 2010, realizado hoje em São Paulo. Em seu discurso, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, assumiu hoje que o sistema de crédito não vai oferecer o montante demandado pelo setor agrícola. "Não discordo dos dados da Abag, mas vamos ter dificuldades para chegar a esse número."

Stephanes disse que o governo está preocupado em fazer com que as mais recentes linhas crédito disponíveis para a agroindústria cheguem ao tomador final. "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já disse que não quer mais reunião sobre esse assunto, mas uma solução." Segundo Stephanes, a visão do presidente Lula é que este é um momento de anormalidade e exige maior disposição dos agentes financeiros para correr risco.

O ministro disse que o governo busca saída para a questão do endividamento rural - assunto também abordado por Lovatelli. Stephanes afirmou, no entanto, que uma solução definitiva para o problema passa pela reformulação de todo o sistema de crédito rural. "Precisamos repensar uma política que englobe financiamento, preços mínimos e seguro agrícola", observou.

Na abertura do evento, o diretor presidente da BM&FBovespa, Edemir Pinto, e o vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, Luiz Carlos Guedes Pinto, assinaram protocolo de intenções, com o objetivo de ampliar os mercados de derivativos agropecuários no País.

Suinocultura

Em Brasília, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro Camargo Neto, afirmou hoje, em audiência na Comissão de Agricultura do Senado, que o principal problema enfrentado pelas empresas do setor é dificuldade em tomar empréstimos bancários. "O setor está sendo muito prejudicado pela crise financeira e a falta de crédito está ocorrendo até hoje porque os bancos insistem em manter regras de concessão rígidas, como se não estivéssemos numa crise", afirmou.

Diferente do vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), Enori Barbieri, que avaliou que os episódios de gripe suína podem agravar ainda mais os problemas desses negócios, Camargo Neto foi mais cauteloso em sua análise. "O tempo ainda é muito curto para avaliarmos que está havendo perdas para o setor em razão dos casos de gripe", afirmou.

Ele destacou que, na semana passada, houve uma "vitória" dos produtores quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) mudou o nome da gripe de suína para tipo A (H1N1). "A nossa principal batalha nessa questão da gripe é a comunicação e acho que tivemos uma primeira vitória com a mudança da nomenclatura", comentou. Também ao contrário de seu colega de Santa Catarina, Camargo Neto afirmou que não é fundamental uma ajuda econômica ou fiscal do governo ao setor, mas defendeu ações efetivas do governo no sistema bancário para fazer com que o crédito chegue aos empresários.

"No caso da gripe, a grande ajuda do governo deve vir da comunicação, mostrando que o consumo da carne suína não tem relação com os contágios", afirmou. "Mas, com relação ao crédito, não basta o governo ficar anunciando a liberação de bilhões e bilhões, que não chegam à ponta por causa das regras rígidas dos bancos como o próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)", acrescentou.

O vice-presidente da Faesc e da Comissão de Suinocultura da Confederação Nacional de Agricultura (CNA), Enori Barbieri, defendeu uma "intervenção" do governo na suinocultura neste momento para evitar a falência de diversas empresas e produtores do setor. "O papel do governo é de regulador e ele deve atuar para manter o equilíbrio de preços e da oferta e procura dos produtos", afirmou Barbieri. Ele defendeu que o Ministério da Agricultura inclua a suinocultura na política de preços mínimos e também pediu a prorrogação de prazos para pagamento das dívidas dos empresários do setor.

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