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35% dos jovens brasileiros abrem mão da graduação

Publicado domingo, 21 de novembro de 2021 às 06:06 h | Atualizado em 19/11/2021, 19:01 | Autor: Leonardo Lima*
Vitória quer fazer cursos específicos de gastronomia | Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE
Vitória quer fazer cursos específicos de gastronomia | Foto: Felipe Iruatã | Ag. A TARDE -
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O número de estudantes brasileiros que acreditam ser possível ter sucesso profissional sem uma graduação universitária chegou a 35%, de acordo com a Pesquisa Global com Alunos da Pearson, empresa com foco em educação e aprendizagem. O número cresceu 8 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior e mostra como a nova geração tem buscado novas formas possíveis de ingressar no mercado de trabalho.

Ainda segundo os dados de 2020, ao considerarem o ensino profissionalizante, 68% dos estudantes acreditam que um certificado desse tipo supera um diploma de graduação na chance de se conseguir um bom emprego. Carine Cidade, especialista em carreira, tem sentido essa mudança de pensamento nos jovens: “Percebem que podem trilhar diversos caminhos na carreira onde a universidade pode ser mais um recurso de conhecimento, mas não o único”.

Carine explica que a nova geração tem percebido que a graduação não garante com certeza um sucesso profissional. “As universidades precisam acompanhar o mercado de trabalho e as novas opções”, defende. Mas a especialista ressalta que é importante que os jovens identifiquem cedo essas formas de trabalho disponíveis para decidirem qual o melhor caminho.

“Com essa descoberta eles podem optar por fazer uma graduação ou uma especialização, um curso complementar. Para um surfista que sempre se dedicou a isso, ele vai fazer faculdade de quê? Ele entende que pode fazer o que gosta, ganhar dinheiro e fazer ou não uma faculdade, depende do propósito desse jovem”, exemplifica Carine.

Mas claro, tudo depende da carreira que cada um planejar seguir. O sócio-fundador da LEO Learnings, uma das principais empresas de educação cooperativa do país, Richard Vasconcelos, afirma: “É importante separar a profissão que é regulamentada e tradicional de outras profissões. Se você quer ser médico, advogado ou arquiteto tem que ter diploma, é uma obrigação legal”.

Imagem ilustrativa da imagem 35% dos jovens brasileiros abrem mão da graduação
Carine diz que fazer ou não graduação depende do propósito | Foto: Olga Leiria | Ag. A TARDE

Caminhos possíveis

“Se a pessoa quer ser autônoma ou quer trabalhar numa indústria criativa ou tecnológica, talvez o diploma perca a sua relevância e vai depender muito mais das suas habilidades", comenta. Existem também as áreas novas de atuação como youtubers, influenciadores e gamers, mas Vasconcelos ressalta que nesses casos, além de habilidade e oportunidade, também cabe um pouco de sorte.

Vitória Cruz tem 18 anos e está em seu último ano do ensino médio. “Eu não pretendo fazer faculdade, por conta da área que vou seguir. Eu quero gastronomia, então posso fazer cursos especializados sobre qual comida quero aprender ou melhorar o que já faço”, explica.

A estudante é jovem-aprendiz na área de administração e conta que quer ter experiência logo para saber como funciona o mercado de trabalho. “Mas eu também procurei cursos para fazer e entrei em um de padeiro, uma das coisas que quero me especializar”, diz.

Com os cursos e estágios em mente, Vitória entende que, para ela, esse é o caminho que faz mais sentido: “Muitas vezes mesmo com a faculdade não conseguimos ingressar na carreira que estamos procurando ou no que desejamos para nossa vida profissional”, explica.

Carine Cidade defende que é necessário pensar em propostas de educação e de trabalho que acompanhem a geração que está entrando agora no mercado de trabalho. “Precisamos investir em cursos técnicos e profissionalizantes para que os jovens já possam experimentar no ensino médio para decidirem o que querem vivenciar na prática”.

Juliano Costa é vice-presidente de produtos educacionais da Pearson, empresa responsável pela pesquisa, e afirma que o que tem ocorrido é uma “ampliação das formas de adquirir trabalhabilidade, conhecimento e renovação das habilidades. Mas em contrapartida, exige um constante aprimoramento profissional em uma velocidade bem maior''.

Apesar de 71% dos alunos brasileiros acreditarem que o sistema educacional deixa de atender às necessidades da geração, Costa explica que as novas formas de especialização serão um complemento do ensino superior. “As universidades sempre terão a sua importância e elas têm uma oportunidade para se reinventarem, já podemos ver esse movimento”, ressalta.

Para Costa e para várias organizações, um diferencial hoje são as habilidades interpessoais como liderança, resiliência e capacidade de adaptação, conhecidas pelo termo soft skills. “Elas estão se tornando importantes para o mundo do trabalho e podem ser desenvolvidas direto no ambiente corporativo ou através de atividades paralelas a um curso superior”.

O sócio da LEO Learnings, Richard Vasconcelos destaca que as empresas estão olhando para as soft skills e que esse é o diferencial de hoje. “Mas tem que saber também tecnicamente a função e o diploma para muitas empresas é um filtro, é mais um pré-requisito”.

Vasconcelos assegura que no mercado atual, a formação acadêmica ainda traz maior estabilidade e possibilidade de crescimento, principalmente nas grandes empresas. Apesar disso, ele reforça que, para quem deseja seguir por esse caminho de dispensar o diploma, é muito necessário buscar cursos e experiências para conseguir provar ser um bom profissional.

*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló

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