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Festival de Economia Solidária reúne produtores

Publicado domingo, 25 de fevereiro de 2018 às 12:16 h | Atualizado em 21/01/2021, 00:00 | Autor: Yumi Kuwano*
Após fazer cursos na área de alimentação, Lourival deixou a profissão de técnico em agrimensura para fazer doces com frutas
Após fazer cursos na área de alimentação, Lourival deixou a profissão de técnico em agrimensura para fazer doces com frutas -
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Produzir, vender e comprar de um jeito mais consciente e sustentável é o que leva o nome de economia solidária, um conjunto de práticas econômicas e sociais organizado pela autogestão. O resultado desse trabalho dos pequenos produtores está no sucesso do Festival de Economia Solidária, que traz um pedacinho de diferentes partes da Bahia para a capital até o dia 28, no Salvador Shopping. Só nos primeiros quatros dias vendeu mais de R$ 40 mil em produtos.

Lourival Ribeiro é um dos expositores. O juazeirense deixou a formação de técnico em agrimensura para fazer doces com frutas como caju, tamarindo, maracujá-do-mato há dois anos, depois de ter feito cursos na área de alimentação. “Trouxe bastante coisa para expor aqui e quase tudo já terminou”, conta animado. Entre as geleias, rapadura, doce de caju e jenipapo, o tamarindo apimentado foi o destaque. “Fazemos parte de um grupo de economia solidária, mas os doces são por minha conta, produzo sozinho e tenho ajuda na parte administrativa”, diz o produtor.

Vajuraci da Silva há 14 anos atua na Cultuarte, associação de economia solidária que trabalha com roupas e lembranças, tudo produzido por 22 pessoas. Ela conta que sempre trabalhou com confecção de roupas, já que desde adolescente aprendeu crochê, conhecimento herdado da sua avó.

“Trabalhar na economia solidária nos motiva, faz com que a gente sinta que vale a pena. O apoio do grupo é muito importante, porque tem muita gente com trabalho lindo, mas que não consegue continuar sozinho”, observa.

Outra coisa que orgulha Vajuraci é o comércio mais justo, vender o produto por um preço final proporcional ao seu valor de custo. “O que eu cobro em um vestido tamanho pequeno não cobro em um tamanho grande”, explica. A artesã já chegou a faturar R$ 5 mil por mês com as vendas. “Mas isso varia bastante, nesse ponto é como todo comércio, tem período que vende melhor e outros não”, diz.

Imagem ilustrativa da imagem Festival de Economia Solidária reúne produtores

Integrante da Cultuarte, associação de economia solidária, Vajuraci vende roupas e lembranças (Foto: Margarida Neide l Ag. A TARDE)

No estado

Na Bahia foram criados em 2007 a Superintendência de Economia Solidária, que faz parte da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), e o Centro Público de Economia Solidária (Cesol), uma política pública implementada para apoiar diretamente os empreendimentos de economia solidária. Sob gestão da organização Filhos do Mundo (Feme), desde 2012, o Cesol de Salvador já apoiou cerca de 600 grupos e atualmente trabalha com 47. Na Bahia foram cerca de três mil empreendimentos atendidos até hoje.

De acordo com o superintendente Milton Barbosa, desde que foram criadas as políticas de apoio, o investimento foi de R$ 80 milhões do governo estadual e R$ 20 milhões do governo federal.

Os centros públicos atuam apoiando os grupos formalizados ou não, com o crédito, na compra de equipamentos, logística, comercialização e assistência técnica.

Territórios de identidade

Até o dia 28 de fevereiro, os estandes com produtos de 13 territórios de identidade baianos podem ser visitados pelo público. Promovido pela Setre, o festival é o primeiro que acontece em Salvador. Ela traz direto para o consumidor produtos de empreendimentos solidários marcados pela diversidade do estado.

Cada estande montado oferece produtos de cerca de 15 empreendimentos. “Mobilizamos os 11 centros públicos do estado, e lá eles selecionaram pessoas dos empreendimentos para exporem aqui. É uma prática legal da economia solidária, porque eles trazem produtos de outros empreendimentos, comercializam e lá eles repassam a venda para cada um dos produtores”, explica o coordenador do evento, André Ferreir.

Para ele, nesse tipo de iniciativa, junto com a comercialização dos produtos, é importante também trabalhar a formação dos produtores. “É uma experiência não só para ganhar dinheiro, mas para ganhar conhecimento”, analisa.

Raquel Oliveira e Rita de Cássia concordam que está sendo um momento de aprendizado. As duas artesãs são de Santo Antônio de Jesus e estão representando o Recôncavo com produtos de 23 grupos. Elas fazem parte da associação Amigos da Arte, que trabalha com costura e bordado. “Todo o nosso trabalho é coletivo, de formiguinha mesmo. Uma faz a bainha, outra borda, uma peça passa por várias pessoas”, diz.

Rita de Cássia ressalta a importância do trabalho do Cesol: “Não teríamos condições de participar de feiras e fazer viagens como essa. São oportunidades bem legais”, destaca.

*Sob supervisão da editora Cassandra Barteló

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