Allan do Carmo disputa em Portugal última prova que pode levá-lo a Tóquio

Publicado sábado, 19 de junho de 2021 às 15:20 h | Atualizado em 19/06/2021, 15:23 | Autor: Aurélio Lima

O baiano Allan do Carmo disputa neste domingo, 20, ao meio-dia, no horário da Bahia, uma das 15 vagas para

os Jogos Olímpicos de Tóquio-2021. Na prática, serão apenas 14 vagas porque o Japão, mesmo se não conseguir colocar um de seus nadadores entre os classificados, tem vaga assegurada por ser o país anfitrião. A prova de 10 km será disputada na cidade de Setúbal, em Portugal, e contará também com o goiano Diogo Villarinho.

A presença de Villarinho, ao contrário de somar a favor de Allan, será um complicador a mais para o nadador baiano. Como apenas um representante por país se classifica nesse Pré-Olímpico, os dois serão forçosamente adversários. Por exemplo, se Allan for o vencedor da prova e Vilarinho chegar em segundo, Villarinho estará eliminado. E vice-versa.

“Minhas expectativas de classificação são as melhores. Estou bem treinado, me sentindo bem e preparado. Esperança, vontade e garra vão ser todas concentradas para o êxito nesta seletiva”, disse Allan, em um intervalo do primeiro treino, no qual detectou o primeiro desafio que terá.

Na conversa com o A TARDE logo na chegada à Europa, o nadador contou que tudo indica a necessidade de uso na seletiva do incômodo traje de borracha. “A água está bem fria, como é comum em Portugal. Todo mundo já conhece, já que tivemos muitas competições aqui. Está em uma temperatura na faixa de 17, 18 graus”, constatou o nadador.

A esperança é que o clima esquente um pouco até o dia da largada e a roupa de borracha seja dispensada. O traje foi um pesadelo para Allan nos Jogos Pan-americanos de Lima-2019. O macacão de borracha rasgou e ele se complicou na prova, em que era um dos favoritos, mas só conseguiu a 13ª colocação.

Na ocasião, o baiano comentou a falta de intimidade com o traje pesado na água. Disse que é uma saída para quem não se dá bem em clima frio, mas usar o traje, para ele, é sinônimo de baixa performance. “A depender, poderá ser obrigatório ou opcional”, sublinhou Allan.

Em nota, a Federação Internacional de Natação (Fina), divulgou em seu site que, devido ao contexto da pandemia, não será permitida a presença de público no evento. “Uma rigorosa bolha livre de Covid-19 será criada para os atletas e equipes técnicas, com perímetros de segurança definidos nos quais apenas será autorizada a equipe essencial”, diz texto da nota.

Além disso, todos os participantes foram obrigados a fazer um teste PCR até 72 horas antes do evento. A corrida terá transmissão ao vivo no próprio site da entidade, o fina.org.

Batalha com 63 atletas

Como a participação no Pré-olímpico não está limitada em 25 homens, número oficial estabelecido pelo COI para Tóquio-2021, a quantidade de inscritos nos 10 km de Setúbal praticamente triplicou. “Muitos atletas de piscina vieram visitar as águas abertas. Vai ser dura, com certeza, pelo nível dos atletas que estão aqui”, informou o técnico de Allan, Fernando Possenti.

O grande contingente de inscritos, incluindo a invasão de atletas que não nadam maratonas aquáticas, é fator importante para tornar acirrada a disputa pelas 14 vagas. “Tomara que Allan consiga performar tudo o que ele treinou. Tudo que ele adquiriu de condicionamento e técnica”, desejou o treinador.

Dos 50 atletas previstos para a maratona aquática de Tóquio-2021, sendo 25 homens e 25 mulheres, dez de cada categoria já garantiram vagas no Mundial, disputado em julho de 2019. Nesta competição, a baiana Ana Marcela passou em quinto lugar, garantindo-se como única representante do Brasil no feminino.

Poderiam ser duas vagas, mas nenhuma outra brasileira conseguiu se classificar.

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