Ba-Vi com aspirantes evidencia perda de força dos torneios

Publicado sábado, 29 de fevereiro de 2020 às 10:00 h | Atualizado em 21/01/2021, 00:00 | Autor: Nuno Krause*

Copa do Brasil. Copa Sul-Americana. Copa do Nordeste. Só em início de temporada, já dá para citar três competições que são mais importantes para Bahia e Vitória do que o Campeonato Baiano. Por esse motivo, neste domingo, 1º, os dois clubes colocam em campo, num Ba-Vi, pela primeira vez na história do estadual, times de aspirantes. O título não é mais tão importante. O retorno financeiro é pouco e, neste ano, o calendário virou uma pedra maior ainda no sapato.

Para se ter uma ideia, só por participar da primeira fase da Copa do Nordeste, a dupla tem uma premiação de R$ 2,2 milhões. A cota total de televisão do Campeonato Baiano – que não tem premiação da federação – é de R$ 915 mil. O A TARDE analisou públicos e rendas das cinco primeiras rodadas do Baianão e das quatro primeiras da Copa do Nordeste (veja no infográfico abaixo).

O levantamento mostra que tanto público quanto renda são muito maiores no regional do que no estadual. No Bahia, a renda aumenta em cerca de R$ 360 mil, enquanto no Vitória cresce em mais de R$ 66 mil. Já em relação ao o público, o do Tricolor é 77% maior no Nordestão, ao mesmo tempo que o do Leão é 61% maior.

Outra competição, a Copa do Brasil, é o principal alvo dos clubes, inclusive os de menor expressão. Por ter chegado à segunda fase do certame nacional, o Bahia de Feira, por exemplo, arrecadou R$ 650 mil em premiação. No Baianão, a cota para times menores é de R$ 121 mil. “O próprio torcedor já entende o estadual como algo secundário. Eu acho que já cumpriu seu papel na história do futebol brasileiro. A tendência natural é evoluir, buscar outros caminhos. Óbvio que não pode acabar. Imagino que vai se tornar um acesso dos clubes menores para divisões inferiores”, avalia Elton Serra, comentarista da TVE, para a reportagem.

Para o comentarista do SporTV Paulo Vinícius Coelho, o PVC, o principal problema é a atual fórmula dos estaduais. “O grande desafio é você montar um calendário que não castigue os grandes jogando em função dos pequenos durante três meses no ano, e que dê aos pequenos a chance de jogar 10 meses no ano. O que acontece é que, para que os pequenos existam, e é importante que existam, você precisa escravizar os grandes. Esse modelo está falido”, comentou.

Força nordestina

De acordo com informações do blog do jornalista pernambucano Cássio Zirpoli, a Copa do Nordeste subiu as cotas de premiação, entre os anos de 2013 e 2020, de R$ 5 milhões para R$ 34,3 milhões. Caso a conquista fique com Bahia ou Vitória, um dele vai desembolsar cerca de R$ 4,375 milhões, no total. Nos estaduais, as únicas federações que preveem premiações são a Paulista (R$ 11,79 milhões) e a Carioca (R$ 7,9 milhões). O resto depende de cotas de televisão.

O sucesso da Copa do Nordeste, na visão de Elton Serra, é um mecanismo de aproximação dos times da região de polos mais estruturados do país. “Esse movimento já existe, mas eles só vão conseguir se deslocar disso e transformar numa competição rentável quando resolverem esse gargalo nos estaduais. Fortaleza e Ceará, por exemplo, dividem as atenções. Os clubes precisam primeiro se organizar em seus estados para tornar o regional mais forte”, afirmou.

É hora do sub-23

A utilização da equipe de transição mesmo em Ba-Vis já era prevista desde o início da temporada, após o acordo informal firmado entre o presidente do Vitória, Paulo Carneiro, e o do Bahia, Guilherme Bellintani. A medida permitiu o adiamento do Baianão e, consequentemente, fez com que o Vitória atuasse por três vezes em dias consecutivos (25 e 26 de janeiro, 1 e 2 de fevereiro, 15 e 16 de fevereiro). Já o Bahia chegou a entrar em campo nos dias 25, 26, 28 e 29 de janeiro e, depois, nos últimos dias 8 e 9.

Na visão de PVC, a formatação desse calendário prejudica as marcas dos clubes. “Independentemente da importância da Copa do Nordeste ser maior que a do estadual, não pode ter jogo no mesmo dia ou no dia seguinte. É a marca do Bahia. A marca do Vitória. A marca Bahia não pode entrar duas vezes em campo no mesmo dia, porque só tem uma torcida. E quando entra em campo, não pode admitir que seja para mil torcedores. Tem que entrar para o maior número de pessoas”, afirma.

Por outras bandas...

No Brasil, a situação mais crítica parece ser a do Campeonato Carioca. Passada a Taça Guanabara – equivalente ao primeira turno do torneio – só o Flamengo gerou receita positiva em bilheteria (R$ 234 mil). Botafogo (R$ -842 mil), Fluminense (R$ -783 mil) e Vasco (R$ -59 mil) tiveram prejuízo. Vale lembrar que, lá, a renda é dividida entre mandantes e visitantes.

Na visão do também comentarista do SporTV, Arnaldo Ribeiro, “a questão do Flamengo extrapola o âmbito estadual. As principais rivalidades do time também estão extrapolando esses limites. Palmeiras é mais ameaçador ao Flamengo hoje do que Vasco, Fluminense e Botafogo, por exemplo. O preocupante é um descolamento no âmbito nacional”.

Imagem ilustrativa da imagem Ba-Vi com aspirantes evidencia perda de força dos torneios
 

*Sob supervisão do editor Daniel Dórea

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