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Cachoeira e Santaluz começam a decidir o título hoje Amador

Publicado domingo, 14 de dezembro de 2014 às 09:35 h | Atualizado em 14/12/2014, 09:35 | Autor: Eliano Jorge
O veterano zagueiro George (E), de Cachoeira, e o técnico Zé Carijé nos tempos de jogador tricampeão
O veterano zagueiro George (E), de Cachoeira, e o técnico Zé Carijé nos tempos de jogador tricampeão -
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Oficialmente, os atletas do Campeonato Intermunicipal são amadores. Na prática, os times recorrem a quem vive de jogar futebol. Há raras exceções nos finalistas da 59ª edição: Cachoeira, que atua em casa hoje, às 15h, no duelo de ida, e Santaluz, invicta e dona da melhor campanha.

Todos os jogadores são inscritos nesta competição como amadores. Só se pode ter atuado como profissional até o ano anterior. Ou seja, é proibido possuir vínculo oficial de trabalho. "Seus contratos não têm valores especificados. Eles são livres para se transferir", disse o presidente da Federação Bahiana de Futebol (FBF), Ednaldo Rodrigues.

O regulamento também exige que, no mínimo, 60% dos atletas sejam sub-23. A intenção é revelar jovens. A FBF gaba-se de terem disputado o torneio nomes hoje famosos, como Edílson, Bobô, Liedson e Charles.

Numa futura transferência entre clubes profissionais, as seleções municipais podem embolsar verba de até 5% do negócio. "Isso é lei da Fifa. Os jogadores são registrados na CBF", afirmou Rodrigues, lembrando que o atacante Caboré, ao rodar por Coreia do Sul, Japão e Qatar, rendeu dinheiro para as ligas de Cachoeira, Maragojipe e Santo Amaro.

Mas faturar com atleta é exceção. Bancadas pelas prefeituras por meio de patrocínios, as seleções arrecadam com bilheteria e publicidade. "Só é amador no nome. Os gastos também são de profissional", ironizou o tesoureiro da liga cachoeirana, Alin Cerqueira.

Além de salários, há custos com alojamento, alimentação, medicamentos e viagens de ônibus. Adenilson Almeida, que preside a liga itapetinguense, se queixa de calotes e prejuízos.

Atual campeã, Itajuípe consumia cerca R$ 45 mil por mês, assim como sua algoz Itamaraju. Itapetinga, que caiu nas semifinais, e Cachoeira, gastaram aproximadamente R$ 25 mil em cada um dos cinco meses.

O teto salarial varia. Em Itajuípe, era de R$ 2,5 mil. Cerqueira garante não pagar mais do que R$ 1,2 mil em Cachoeira.  Alguns times dão ajuda de custo de R$ 300 a garotos. Há boleiros que trabalham em frigorífico, fábrica, mototáxi. Titular de Cachoeira, o lateral esquerdo Jones, 19 anos, é ajudante de pedreiro. O zagueiro Tiago Leal surgiu no Bahia. O atacante Belo defendeu o Poções.

Nativos contra forasteiros

Entrosamento e união são o forte das finalistas. Mas suas políticas de reforços se opõem.

Santaluz se formou com caras de fora, sobretudo da vitoriosa vizinha Conceição do Coité, como o treinador Zé Carijé. Ele escala na zaga seu irmão João e no meio-campo Inho, neto de  Zé Gambirra, o técnico consagrado pela seleção coiteense.

"De 85% a 90% dos jogadores são daqui de Cachoeira. É melhor do que trazer alguém que não cria amor à camisa e à cidade", opinou Cerqueira.

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