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Empresa fundada por delegado negocia jogadores da base tricolor

Publicado sábado, 16 de junho de 2012 às 00:47 h | Atualizado em 16/06/2012, 15:41 | Autor: André Uzêda e Daniel Dórea
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Na porta da sala 808, no Edifício Empresarial Costa Andrade, em Salvador, não há  qualquer placa ou identificação do negócio que ali funciona. Trata-se da sede da Calcio Esportes e Investimentos, fundada em 15 de abril de 2011. Apesar de ser uma empresa relativamente nova no mercado, a Calcio já ostenta negócios no mundo do futebol que superam a casa do milhão.

Há uma semana, o Bahia anunciou a venda do volante Filipe, promessa de 19 anos, ao grupo do empresário português Jorge Mendes, que agencia as carreiras de Cristiano Ronaldo e José Mourinho. A transação alcançou a cifra de 2,2 milhões de euros (R$ 5,72 mi). O clube ficou com 50% (R$ 2,85 mi) e o empresário Marcos Vinicius, que trouxe o jogador do Cruzeiro para o Fazendão, levou 30% (R$ 1,71 mi). Faltou uma fatia do dinheiro. Esta coube à Calcio, que abocanhou R$ 1,14 milhão, o que corresponde a 20% do jogador. O curioso é a razão pela qual a empresa teve direito a esta parcela da divisão.

Em junho de 2011, o Bahia levou o time sub-21 para disputar o Torneio Angelo Dossena, na Itália. Sem recurso para custear a viagem, como confirma o presidente tricolor Marcelo Guimarães Filho, o clube foi bancado pela então recém-fundada Calcio, cujo dono é André Silva Garcia, delegado da polícia civil.

Em contato por telefone com a reportagem de A TARDE, André Garcia afirmou: “Ficamos com 20% de Filipe por meio de uma permuta (com o Bahia). Financiamos a viagem e recebemos a contrapartida”.

A empresa dele já havia lucrado cerca de R$ 400 mil na venda do meia Maranhão para o Cruz Azul, do México, no início deste ano. Segundo o delegado, o valor era referente também a 20% do atleta, que a Calcio conseguiu a partir de outras permutas com o Bahia.

A TARDE apurou que antes de abrir a Calcio, o delegado enfrentava dificuldades financeiras que lhe valeram um processo movido por um banco, em 2010. “Não falo sobre minha vida pessoal”, rebateu André, ao ser questionado sobre o assunto pela reportagem.

Ao criar a Calcio, ele estabeleceu como expectativa de faturamento para 2011 – como forma de ter acesso à linha de crédito de Pessoa Jurídica – R$ 220 mil, cifra em muito ultrapassada após as negociações de Maranhão e Filipe. O delegado  ainda viria a tornar-se conselheiro do Bahia, em polêmica substituição de 58 nomes no conselho do clube, em 2011.

Empresários revoltados - Um documento oficial do Bahia, de janeiro de 2011, em posse do ESPORTE CLUBE, comprova que o clube detinha 70% dos direitos econômicos de Filipe antes do surgimento da Calcio. Segundo denúncias de fontes que pediram anonimato, com medo de represálias, empresários que levam atletas ao Bahia estão revoltados, pois o clube estaria pressionando para que os contratos de parceria com a Calcio sejam assinados, o que o presidente tricolor nega. Por isso, a empresa deteria porcentagens de cerca de 90% dos jogadores da base.

“Temos vários atletas, mas não posso informar quantos por questão estratégica”, limitou-se a dizer o delegado André Garcia à reportagem.

Calcio com 20% de Gabriel - Destaque do tricolor e melhor jogador do Baianão 2012, o meia Gabriel, revelado nas categorias de base do Bahia, mudou de empresário. Deixou de ser agenciado pela Antonius e passou a ter sua carreira administrada por Carlos Leite, mesmo empresário que trouxe para a equipe jogadores como Titi, Carlos Alberto, Souza e Pedro Beda.

No novo contrato de Gabriel, um detalhe chama a atenção: a Calcio passou a ter 20% dos direitos econômicos do atleta.

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