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Wilson Pittoni chora e fala: 'Me senti humilhado'

Publicado sexta-feira, 27 de novembro de 2015 às 20:34 h | Atualizado em 27/11/2015, 20:42 | Autor: Tiago Lemos
Pittoni
Pittoni -
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Wilson Pittoni, de 30 anos, arruma as malas para voltar ao Paraguai, em viagem que está marcada para esta segunda-feira. Contratado em 2014, o volante disputou 64 jogos pelo tricolor e marcou três gols.

Com pouca chance de renovação, Pittoni recebeu a reportagem de A TARDE em sua residência para falar que sentiu-se "humilhado" no Fazendão. O atleta chegou a chorar ao lembrar que o Bahia não conseguiu o tão sonhado acesso à elite: "É difícil", explicou.

Além disso, o atleta indicou que Alexandre Faria foi o culpado por sua saída do time titular. Já demitido do cargo, Faria disse, por telefone: "Não quero falar sobre o assunto".

Você deixou de ser titular na reta final da Série B por que sua renovação com o Bahia não deu certo?

O torcedor não é burro. Desde que começou o ano eu joguei todos os jogos, até metade da Série B. Algo aconteceu. Sabia que não era mais coisa de dentro do campo, que era extra-campo. E quem ficou humilhado, quem ficou fora de jogos importantes que a gente podia ganhar fui eu. E deu no que deu, a gente ficou pelo caminho.

Você se sente injustiçado?

Nunca conversei com o presidente [Marcelo Sant'Ana] pessoalmente, só com o diretor [Alexandre Faria]. Falei que queria [renovar o contrato] por mais anos e pedi o aumento que é normal. Nunca eu pedi meu dinheiro ao Bahia, nunca liguei para o presidente para pressionar, nunca procurei a Justiça para buscar o dinheiro que tá me devendo até agora [referente a  2014]. Fiquei quietinho. Depois, começaram os problemas comigo.

E o valor do salário que você pediu?

Normal, dentro do padrão do elenco. Só que, no futebol, tem política e malandros, infelizmente. Por isso que o presidente tem que falar com o jogador junto com o diretor, ou o presidente falar sozinho com o jogador.

O diretor que você tanto fala é o Alexandre Faria?

Sim.

Algo para falar sobre o presidente Marcelo Sant'Ana e o vice, Pedro Henriques?

Não posso criticar o presidente e o vice, são muito novos no futebol, apesar de o Marcelo ser inteligente e entender tudo. São novos. E se um cara experiente, malandro, rodado, pega gente nova no futebol, é óbvio que vai colocar muita coisa na cabeça dele.

Então, a diretoria deu muita confiança ao Alexandre Faria?

Muita confiança. O América-MG não subiu por dois anos e até seu presidente, acho que colocou uma brincadeira no Twitter, que a maldição ele mandou para o Bahia. O América subiu depois que o Alexandre saiu.

Você é o quarto maior ladrão de bolas do Bahia na Série B. O que acha das afirmações de que você não marcava?

É uma coisa absurda o que eles falaram, que era opção do treinador, que eu não tava marcando ninguém, que eu não tinha dinâmica, que eu não fazia nada. Então não sou jogador. São coisas que eles só colocaram para me tirar do time. Tinha gente ali que não queria que eu jogasse.

Contra o Sampaio Corrêa, a torcida fez barulho na Fonte Nova por sua entrada em campo. Lembra?

Foi lindo. Dava para eu entrar naquele jogo porque o Cicinho machucou. O treinador [Sérgio Soares] chamou Railan e tirou Cicinho, onde poderia me colocar e botar Yuri para a lateral.  Aconteceram coisas assim. Quando lembro, fico triste e com raiva.

O Sérgio Soares se perdeu?

Sérgio fez um trabalho muito bom. Ele é um dos poucos que fala com o jogador. Colocou todo mundo para jogar. Foi um dos melhores treinadores que eu já trabalhei,  mas depois ficou confuso porque começaram a colocar na cabeça dele algumas coisas e ele perdeu um pouco do que vinha fazendo. Ele se perdeu. É difícil. O elenco sempre o apoiou.

Você teve alguma conversa direta com o Sérgio Soares e o Charles Fabian sobre sua situação?

Com o Sérgio eu sempre conversava. Com o Charles, nunca.

O elenco aprovou a efetivação de Charles Fabian?

Não existiu uma insatisfação. O Charles tinha uma grande chance de colocar o Bahia na Série A e ser reconhecido. Vai ser um treinador muito bom, só que ele precisa entender que todo jogador quer ajudar o Bahia, seja argentino, paraguaio, chileno, africano. Isso foi o grande erro.

Charles criticou parte dos jogadores contra o Botafogo. Pegou mal?

Você não quer perder o jogo, e o treinador fala isso na entrevista. Óbvio que pega mal num plantel. Contra o Santa Cruz, ele jogou a culpa sobre o Maxi.

Por que o Bahia não subiu?

Nós, jogadores, temos culpa, sim, mas teve gente que mexeu no trabalho de outra pessoa e não foi justo. E quando você não é justo, é difícil chegar ao objetivo, porque Deus vê tudo e sabe de tudo. A Deus, ninguém engana.

Vai jogar no Vitória?

Não tenho nada com o Vitória. Já falei que respeito a torcida do Bahia. Vou esperar até o final do meu contrato, vou esperar o Bahia, mas se não acontecer nada vou seguir meu caminho.

E as lembranças de Salvador?

A gente vai sentir muita saudade de Salvador, do Bahia, dessa torcida.

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