Sexto rebaixamento no Barradão reforça o estádio como cenário de tragédia

Publicado terça-feira, 30 de novembro de 2021 às 06:30 h | Atualizado em 29/11/2021, 23:28 | Autor: Rafael Teles

Aconteceu novamente. Mais uma vez um capítulo triste da história rubro-negra foi escrito no Barradão. Ao longo dos 35 anos como casa do Vitória, o Santuário já serviu de plano de fundo para algumas tragédias. A mais recente delas aconteceu na tarde do último domingo, quando o Leão perdeu para o Vila Nova por 1 a 0, e terminou a partida rebaixado para a terceira divisão.

Dos oito rebaixamentos do Vitória, que por sinal se tornou recordista em quedas no cenário nacional, seis aconteceram no Manoel Barradas: 2021, 2018, 2014, 2010, 2005 e 2004. As outras duas despromoções também foram em Salvador, mas em outro estádio. Foi no Octávio Mangabeira, a antiga Fonte Nova, que o Leão caiu de divisão em 1991 e 1982.

Temido pelos visitantes em muitos momentos ao longo da história rubro-negra, em 2021 o Barradão não conseguiu ser um espaço desafiador para os adversários. Prova disso é que o Vitória terminou a Série B como o terceiro pior mandante da competição nacional.

Foram só cinco triunfos em 19 partidas realizadas no estádio. Com outros sete empates e sete derrotas, o Leão somou apenas 22 pontos. Um aproveitamento de 38,6%. Número que não conseguiu decolar nem com o retorno dos torcedores. Nos quatro jogos que fez com portões abertos o Rubro-Negro venceu dois, e perdeu outros dois: 50%.

Liberada para acompanhar o time ‘in loco’ nessa reta final de temporada, a torcida também viu o Barradão ser cenário de tragédia em outra competição. Há cerca de dez dias quem esteve na arquibancada do estádio acompanhou a cruel eliminação para o Botafogo-PB na Pré-Copa do Nordeste. Na ocasião, o Leão chegou a abrir dois gols de vantagem antes de sofrer o empate e perder nos pênaltis.

Em 2021 o Santuário ainda foi palco da queda precoce na primeira fase do Campeonato Baiano. Semelhante ao que aconteceu na Série B, o time entrou em campo dependente de uma combinação de resultados para avançar ao mata-mata, mas sequer fez a parte dele, perdeu só empatou com o Fluminense de Feira, e se despediu mais cedo do estadual pelo terceiro ano seguido.

Torcida

Ao mesmo tempo em que é plano de fundo de algumas tragédias, o Barradão abriga a principal esperança de dias melhores para o Vitória: o torcedor. Se em outros anos os rubro-negros protagonizaram brigas, tentativas de invasão, e cenas lamentáveis nos rebaixamentos do clube, tudo isso foi trocado por apoio e demonstração de carinho no último domingo.

Os cerca de seis mil torcedores que foram ao Santuário no jogo contra o Vila Nova cantaram durante os 90 minutos e empurraram o time mesmo quando já não havia mais esperança. No fim, gritos de protesto contra nomes que há anos travam embates políticos dentro do clube.

Em outra partida desta reta final de temporada, contra o Cruzeiro, o Barradão recebeu mais de 18 mil torcedores. O número não era alcançado desde 2018, quando o Leão ainda estava na primeira divisão. Mais uma prova de que a arquibancada está disposta a ajudar o clube em um dos momentos mais complicados da história rubro-negra.

Rebaixamentos

O primeiro rebaixamento do Vitória no Barradão aconteceu em 2004. O Rubro-Negro perdeu para a Ponte Preta e caiu para a segunda divisão depois de 12 anos consecutivos na elite do futebol brasileiro.

Um ano depois, nova despromoção. Dessa vez o Leão ‘assinou contrato’ com a Série C já no vestiário do estádio. É que quando o árbitro apitou o final do jogo, o empate em 3 a 3 com a Portuguesa mantinha o time na Série B. Mas dois gols do CBR contra o Criciúma, já na reta final da partida, mudaram o cenário da tabela de classificação.

Em 2010, o Vitória só precisava vencer o confronto direto com o Atlético-GO, mas ficou no empate sem gols e foi rebaixado para a segundona diante de 30 mil torcedores na arquibancada do Barradão.

No ano de 2014 teve confusão causada pela torcida depois da derrota para o Santos. E em 2018 a queda só foi confirmada horas após empate com o Grêmio, já com o estádio vazio.

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