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Ítalo Ferreira busca vitória no Mundial de Surfe na Austrália

Publicado terça-feira, 16 de abril de 2019 às 00:00 h | Atualizado em 16/04/2019, 10:13 | Autor: Da Redação | Foto: Matt Dunbar | WSL | Divulgação
Ítalo Ferreira tem caprichado nas manobras radicais
Ítalo Ferreira tem caprichado nas manobras radicais -
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Ítalo Ferreira tem todas as razões do mundo para voltar a bater o sino sagrado, honraria concedida ao primeiro colocado na etapa do Mundial de Surfe em Bells Beach, na Austrália.

As baterias estão programadas para começará nesta terça-feira, 16, à noite, e a janela da competição pode se estender até o dia 27. O potiguar veste a lycra amarela de líder do Mundial, por ter vencido a primeira etapa.

Ele é também atual vencedor em Bells Beach. No ano passado, superou o australiano tricampeão do mundo Mick Fanning, quando este se despedia do circuito.

Ferreira não esconde ser esta a etapa que está em seu coração, principalmente por ter sido em Bells Beach o primeiro título dele na divisão de elite. E em uma decisão emocionante contra uma lenda do surfe mundial.

Para Ferreira, que lidera o ranking com 10.000 pontos, por mais que a responsabilidade aumente, o segredo é manter a calma diante dos adversários e paciência para executar as manobras, que no caso dele são incontáveis e de repertório diversificado. Fruto, como ele mesmo diz, de treinamento exaustivo e coragem para arriscar mudar o jogo mesmo nos momentos mais complicados da bateria.

Ferreira também está conectado na onda do momento, representada pela corrida por pontos pelas duas únicas vagas por país para a Olimpíada de Tóquio-2020. No Japão, o surfe entrará pela primeira vez no programa olímpico e o surfista nordestino tem grandes chances de chegar lá. O adversário mais próximo é o norte-americano Kolohe Andino, com 7.800 pontos. Entre os brasileiros, o bicampeão mundial Gabriel Medina, que soma 4.745 pontos no ranking.

Se voltar a vencer essa segunda etapa do Championship Tour 2019, o surfista potiguar seguirá mostrando que tem intimidade com o mar em solo australiano. A bateria de estreia será a de número 4, na qual enfrentará o brasileiro Caio Ibelli e o havaiano Ezekiel Lau. Já o vice-líder do circuito, Kolohe Andino, vai encarar o havaiano Seth Moniz e o australiano Soli Bailey. Chama atenção também o confronto do 3ª do round 1, entre o brasileiro Filipe Toledo, o norte-americano multicampeão mundial Kelly Slater e o compatriota Griffin Colapinto.

Inspiração

Ferreira já confessou em outras ocasiões que o objetivo maior é erguer o troféu de campeão mundial. A inspiração para isso ele encontra no próprio começo da carreira no surfe, cujas primeiras manobras resgatadas da época da infância foram feitas pegando onda em cima de uma tampa de isopor, em Baía Formosa, no Litoral do Rio Grande do Norte.

Era isso ou desistir do surfe e de uma carreira promissora, que acabaria levando-o a competir entre os melhores do mundo. Integrante de família simples, teve um começo marcado por falta de recursos para dispor de materiais esportivos. Nessa fase, usava a criatividade e habilidade para surfar sem partir a tampa de isopor em que mantinha refrigerados os peixes vendidos pelo pai.

Por conta da 'pressão' para não danificar a 'prancha', ele desviava de ondas maiores e combatia a frustração aprendendo manobras suaves, porém igualmente técnicas. Mas o desvio de ondas 'casca grossa' tiveram ponto final assim que o pai lhe comprou uma prancha de verdade.

Na época, o surfista nordestino tinha completado 10 anos. Coincidentemente, foi nesse tempo que Ferreira adotou em definitivo a prancha como extensão dos pés e corpo. Quando entrou para a elite do surfe mundial, já tinha realizado um sonho intermediário, de erguer o troféu de campeão brasileiro (2014).

No ano passado, o surfista de 24 anos encerrou a participação no Mundial da WSL na quarta colocação, com vitórias em três etapas. Este ano, ele já começou de forma triunfante em busca do título mais sonhado da carreira. De bônus, poderá garantir, ainda, uma vaga para a inédita disputa dos Jogos Olímpicos.

Ítalo estreia na etapa certo de que a batalha está apenas começando. E que, até o final do ano, muita água terá rolado no Circuito Mundial.

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