Neymar e a difícil tarefa de reconquistar o coração de Paris

Vaiado no último domingo, jogador volta a viver um período complicado no Paris Saint-Germain

Publicado sábado, 19 de março de 2022 às 16:44 h | Atualizado em 19/03/2022, 16:44 | Autor: AFP
O brasileiro não falou publicamente sobre as vaias que recebeu da torcida
O brasileiro não falou publicamente sobre as vaias que recebeu da torcida -

Vaiado no Parque dos Príncipes no último domingo, Neymar volta a viver um período complicado no Paris Saint-Germain, cujos maus resultados refletem a irregularidade do atacante brasileiro na temporada, que mais uma vez tem a tarefa de reconquistar o coração dos torcedores.

O novo fiasco na Liga dos Campeões da Europa, onde o PSG foi eliminado nas oitavas de final para o Real Madrid, azedou a relação de Neymar com a torcida, que via no brasileiro a peça que faltava para finalmente conquistar o título europeu.

Após a derrota para o Real Madrid, Neymar buscou o consolo da família. Em suas duas publicações posteriores à eliminação, o jogador apareceu ao lado filho e com um grande sorriso. Mas fora do ambiente familiar, o clima não é animador.

O brasileiro não falou publicamente sobre as vaias que recebeu da torcida, que não comemorou seu gol contra o Bordeaux, mas depois do jogo não foi saudar os torcedores, assim como fizeram vários dos seus companheiros de equipe.

"Todos somos responsáveis, uns mais que outros. Somos uma equipe, estamos juntos nas horas boas e nas horas ruins”, disse o zagueiro Presnel Kimpembe.

A relação entre Neymar e PSG é uma montanha-russa desde sua chegada a Paris, após o clube francês pagar 220 milhões de euros pelo brasileiro, na transferência mais cara da história do futebol.

Em 2019, uma parte da torcida do PSG insultou Neymar quando o jogador revelou seu desejo de voltar ao Barcelona. Um ano depois, a relação foi de amor: Neymar levou o PSG à final da Champions e por pouco o time francês não levou o título, que ficou com o Bayern de Munique.

Atualmente, a repetição desses altos e baixos gera dúvidas sobre a capacidade de Neymar de ser a referência técnica que a equipe precisa para a próxima temporada, ainda mais se for confirmada a saída do atacante francês Kylian Mbappé.

Desde sua chegada a Paris, Neymar carrega uma imagem de jogador frágil, sofrendo lesões em praticamente todas as temporadas. Entre novembro e fevereiro, ele ficou de fora por mais dois meses devido a uma entorse no tornozelo esquerdo.

A diferença é que, ao contrário do que foi nas temporadas anteriores, o atacante não tem sido mais tão decisivo. Com cinco gols e três assistências em 14 no Campeonato Francês, Neymar tem seus piores números desde que estreou como profissional.

Muito pouco para o jogador mais caro do mundo, que parece cada vez mais longe de ganhar a Bola de Ouro, algo que parecia questão de tempo.

“De certo modo, o futebol evoluiu. O jogador é julgado por seus gols e assistências, e não pelo que ele traz para o time e para o futebol”, disse recentemente o treinador do Manchester City, Pep Guardiola.

“Temos uma grande equipe, nunca fui egoísta, sempre jogo para o time”, se defendeu Neymar antes do jogo de volta contra o Real Madrid.

Mas as chances de brilhar estão cada vez menores para o brasileiro, que completou 30 anos em fevereiro e cuja carreira parece tomar o caminho oposto da de Mbappé, visto por muitos como o melhor jogador do mundo.

A Copa do Mundo de 2022 e as iminentes mudanças no PSG ao final da temporada podem ser o ponto culminante na carreira de Neymar. Fã de poker, o brasileiro terá no Catar a oportunidade de mostrar todas as suas cartas e rechaçar todas as desconfianças.

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