adblock ativo

Estrutura deficiente limita talentos e gera evasão do estado

Publicado segunda-feira, 07 de setembro de 2015 às 07:09 h | Atualizado em 06/09/2015, 22:31 | Autor: Ricardo Palmeira
Piscina olímpica
Piscina olímpica -
adblock ativo

Não bastasse representar apenas 3% dos medalhistas brasileiros, a Bahia viu oito de seus 10 atletas obterem a medalha radicados fora do estado. Dois foram para centros menores. Formiga, antes de se fixar em São Paulo, morou em Belém de 2001 a 2008. Durante essa época, defendeu dois times paulistas e um sueco, mas manteve residência no Pará.

Ricardo vive em João Pessoa há 17 anos e declara: "As pessoas me aceitaram na Paraíba de forma muito carinhosa. Meus títulos eu conquistei aqui, patrocinado pelo governo daqui. Não perco meu vínculo afetivo com a Bahia, mas não tenho motivo para ir embora".

Elaine foi para a Suécia. Dida deixou a Bahia em 1994 e já passou por Minas Gerais, São Paulo, Itália e Rio Grande do Sul, onde está hoje. Já Nilton Pacheco e Bebeto foram para o Rio de Janeiro com 19 anos. Aldair e Fabiana foram aos 15, sendo que o zagueiro acabaria fixando residência na Itália aos 23 e, após encerrar a carreira, voltou ao Brasil para morar no Espírito Santo. Já a lateral-direito deixou o país aos 18 e, depois de passar por Espanha e EUA, vive em São Paulo.

Quem fica paga caro. Edvaldo Valério, mesmo após o bronze em 2000, aos 22 anos, não voltou mais a uma Olimpiada e relembra: "No início da minha carreira, as passagens para competições eram pagas com rifas que meu pai vendia. Como não tinha dinheiro para hospedagem, eu dormia escondido nos hotéis. Um ano e meio após a medalha, eu havia perdido todos os meus patrocinadores. Eles só pensam em resultados. Eu passava meu tempo tentando recuperá-los ao invés de treinar. A cobrança era cada vez mais forte e minha cabeça não ficava tranquila".

O desabafo aumenta: "A política de incentivo ao esporte é pequena na Bahia. Me tornei o único baiano a conquistar uma medalha na natação e ficou algum legado? Nenhum!  Nosso estado é o único sem piscina olímpica. A da Fonte Nova, onde eu treinava, foi demolida em 2010. Ana Marcela, uma das principais esperanças para 2016, mora em São Paulo há cinco anos. Deviam tratar Allan do Carmo (também classificado para a Rio-2016) como rei por seguir em Salvador".

Dívida a ser paga

O projeto original previa para 2011 a nova piscina olímpica de Salvador, na avenida Bonocô. Após atrasos, a obra tem agora previsão de término para dezembro de 2015. Em contato com o A TARDE, a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) respondeu por meio de assessoria.

"Admitimos que é uma dívida que temos. Contudo, sair da terra natal em busca de oportunidades não é problema só dos baianos. Muitos saem do país. O paulista César Cielo, único brasileiro campeão olímpico da natação (50 m livre em 2008), treina nos EUA. Porém, reconhecemos que a cultura da Bahia não valoriza o esporte. O governo quer fazer a parte dele no fomento ao esporte até como ferramenta de inclusão social. E não é só discurso. Já entregamos o Centro Pan-Americano de Judô. Depois, será a piscina olímpica. E também já temos projetos para um centro de boxe e um de luta olímpica. Outros passos precisam ser dados pela iniciativa privada".

Enquanto a 'estrutura prometida' não chega, Formiga diz: "No Pará, eu fui mais valorizada, o espaço na mídia era bem maior. Eu fui constantemente personagem de matérias enquanto as meninas que ainda moram na Bahia vivem no ostracismo. Lá, o futebol feminino é mais organizado e tem maior investimento. Agora que estou em São Paulo, projeto meu futuro aqui. Quero ser treinadora de futebol e, infelizmente, não vejo estrutura em minha terra natal para isso".

adblock ativo

Publicações relacionadas