adblock ativo

Rio-2016: estreantes com chances convivem com pressão

Publicado segunda-feira, 28 de março de 2016 às 07:15 h | Atualizado em 27/03/2016, 22:00 | Autor: Juliana Lisboa
Isaquias Queiroz canoísta
Isaquias Queiroz canoísta -
adblock ativo

Estrear nos Jogos Olímpicos, por si só, já é motivo de turbinar a adrenalina e precisar respirar fundo para segurar o estresse. Mas imagina estrear numa Olimpíada no seu país? E mais: ter a possibilidade (ou responsabilidade) de conquistar medalha? Essa combinação pode resultar num nome: pressão. E alguns estreantes sabem bem o que significa isso. O baiano Isaquias Queiroz, por exemplo, é um dos favoritos a medalha na canoagem logo na sua primeira participação efetiva numa Olimpíada.

Participação efetiva porque o baiano esteve em Londres-2012, como 'ouvinte', no projeto Vivência Olímpica do Comitê Olímpico Brasileiro (COB). Se a experiência ajudou? Parece que nem tanto. "Na verdade, eu não gostei muito, não. Achei frustrante, pois eu já tinha resultados e condições para poder participar", disparou o atleta.

Assim, o canoísta acredita que essa é a sua chance de fazer bonito. Isaquias não encara como pressão extra a Olimpíada ser 'em casa'. Na verdade, ele acha que a torcida brasileira será uma ajuda, e não uma fonte a mais de cobrança. Mas, se por acaso mudar de ideia, a receita é 'abstrair': "Confio no meu trabalho e lido com muita tranquilidade para poder fazer o melhor resultado da vida", contou.

Mas nem tudo é tranquilidade, porque ele sabe que a disputa por medalha será acirrada. "Não sou favorito. Estou favorito porque no ranking mundial estou entre os três melhores, mas em Jogos Olímpicos tudo pode acontecer".

Se Isaquias é esperança de medalha numa modalidade que não é tradição no Brasil, Evandro ainda tem pressão a mais. O carioca de 25 anos é jogador de vôlei de praia e, por tabela, tem a 'responsabilidade' de corresponder.

No quesito torcida, o atleta concorda com Isaquias e acha que as arquibancadas podem ajudar a 'empurrar' as equipes. "Joguei a etapa do Circuito Mundial, no Rio de Janeiro, fui finalista e senti que a pressão, se existiu, foi só positiva. No vôlei de praia, pelo menos, acho que vai ser um diferencial bom", apostou. Ele, que faz dupla com o conterrâneo Pedro, não conseguiu vencer os poloneses Kantor e Losiak na final do Grand Slam, no último dia 13.

Resultados

Outro estreante nos Jogos do Rio é Renê Pereira, que é uma das principais chances de medalha no remo adaptado. Mas o médico baiano de 36 anos acredita que a pressão por medalha numa competição em casa pode ser uma distração.

"É muita gente esperando um resultado positivo. Desde a família, que quer ver você ganhando, até a confederação, os patrocinadores, que querem ver resultado. E você, claro, que quer corresponder", disse o atleta paralímpico. "Você se sente estimulado com a torcida, sim, mas gera muita pressão também. Como gerou na Seleção Brasileira durante a Copa do Mundo. Acho que o melhor que tenho a fazer é focar no meu resultado pessoal e, só depois, corresponder às expectativas dos outros", completou.

Jane Karla já participou dos Jogos Paralímpicos de Londres-2012, mas também é estreante. Ela, que foi ouro nos Jogos Parapan-Americanos de Guadalajara-2011 no tênis de mesa, mudou de esporte e hoje é atleta do tiro com arco. E, já na sua primeira grande competição, nos Parapan de Toronto-2015, foi ouro.

Se existe uma fórmula de tranquilidade, seria dar o mesmo peso a todos os torneios. "É uma estreia num esporte novo, mas, para mim, não faz diferença o tamanho da competição. Sempre tem aquele friozinho na barriga. O importante para o atleta é saber transformar essa pressão em algo bom para ele", opinou.

A voz da experiência

Mentora dos atletas do Time Nissan, a ex-jogadora de basquete Hortência, que foi prata em Atlanta-1996,  acredita que uma forma interessante de driblar a ansiedade é tentar prever como será a partida ou prova a ser disputada.

"Para controlar a ansiedade, eu passava o jogo umas dez vezes na minha cabeça e tentava antecipar tudo o que podia acontecer. Não tirava a ansiedade completamente, mas era suficiente para poder colocar no jogo aquilo que eu me via fazendo", disse.

*Colaborou Luiz Teles

adblock ativo

Publicações relacionadas