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Museu da Gastronomia Baiana do Senac realiza 15º seminário

Publicado segunda-feira, 09 de agosto de 2021 às 06:03 h | Atualizado em 08/08/2021, 19:59 | Autor: Júlia Lobo*
Caju é uma fruta nordestina rica em vitamina C e zinco | Foto: Jorge Sabino | Divulgação
Caju é uma fruta nordestina rica em vitamina C e zinco | Foto: Jorge Sabino | Divulgação -
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Peças fundamentais na manutenção de um cotidiano saudável, as frutas serão um dos principais tópicos apresentados no 15º Seminário do Museu da Gastronomia Baiana, de 17 (terça-feira) a 20 (sexta) da próxima semana. O evento segue em sua segunda edição online com o tema Frutas e frutos da terra e de além-mar nas bebidas e comidas da Bahia, mostrando os símbolos sociais e religiosos que esses alimentos assumem nas diversas cozinhas do estado.

A transmissão será pelo canal do Senac Bahia no YouTube (youtube.com/senacbahia), com programação para todos os dias, das 9h às 11h. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até as 12h do dia 16 (segunda-feira) em ba.senac.br/seminariodegastronomia#inscricao.

Desde a primeira produção, em 2006, o projeto evidencia uma visão multidisciplinar da cultura alimentar e patrimonial da Bahia com palestras, cases de sucesso, painéis de trabalhos acadêmicos e aulas-show.

“Ele já é um seminário consagrado no Brasil e também no exterior, uma prática continuada há 15 anos. É uma conquista neste campo que precisa de tanto trabalho conceitual, mais ideológico, e nós temos muitos desdobramentos com os temas escolhidos. Reunimos profissionais das áreas da nutrição, gastronomia, botânica, antropologia, turismo e história, porque é a partir de olhares distintos que devemos enxergar a comida”, explica o coordenador do seminário, Raul Lody, 69.

De importado a nativo

A cada ano, uma temática diferente é escolhida, alternando entre questões conceituais e outras mais específicas em relação aos hábitos alimentares baianos. Desta vez, o foco são as particularidades dos usos de frutas e frutos nas comidas e bebidas. Tanto as que vieram a partir do século XV, com a expansão marítima europeia, como coco, manga, tamarindo, uva e limão, quanto o licuri, umbu, maracujá, caju e mangaba, naturais do solo baiano.

Segundo dados divulgados no mês passado, pelo governo do estado, a Bahia é responsável por 30% das frutas do país. A cidade de Juazeiro é o maior polo fruticultor do Brasil e lidera a exportação de manga e uva para os mercados europeu e americano.

Produtos como óleos, azeites e doces in natura serão apresentados no seminário como atividades agrícolas e comerciais, principalmente desenvolvidas por cooperativas familiares. A Cooperativa de Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc) faz parte dos convidados para exposição, sendo especialista na fabricação de doces, compotas e geleias de manga, umbu, maracujá e goiaba.

“A gente acredita que quando fala dos produtos e dos alimentos, junto com os produtores que se constituem ali, temos mais materialidade na hora de falar. Quando as pessoas estão assistindo, elas procuram mais exemplos e menos conceitos, querem saber em que preparo eles podem entrar, serem consumidos e onde podem ser adquiridos”, esclarece o professor de nutrição e gastronomia Anderson Carvalho, que participa do circuito gastronômico na quinta-feira (19), apresentando o vinagre de umbu e o azeite de licuri.

A abertura, porém, trará um panorama mais técnico sobre o assunto. O docente de botânica do Instituto de Biologia da Ufba Lazaro Silva abre o primeiro dia do seminário.

“Meu foco principal será apresentar e dialogar cientificamente, sobre o que é um fruto e em que consistem as verduras e legumes, para que as pessoas entendam a dialógica entre o científico e o popular. Pretendo apresentar um pouco do que a colonização nos trouxe além-mar”, conta Lazaro, que ensina sobre plantas há mais de 25 anos.

Patrimônio alimentar

O seminário mantém parceiros desde as primeiras edições, como os cursos de gastronomia e nutrição da Ufba, o Slow Food Bahia, Nordeste e Brasil, dentre outros parceiros das faculdades de gastronomia de Salvador.

“É uma grande mobilização dos profissionais da área de alimentação e cultura. Sempre com novas adesões, mas com um núcleo bem situado, temos painéis de trabalhos acadêmicos com estudos de caso muito interessantes da área de gastronomia”, conta Raul, que também é especialista em antropologia da alimentação.

A lotação do auditório do Teatro Sesc-Pelourinho era outra marca do evento. No entanto, por causa da pandemia, a plateia foi deslocada para as telas.

“A experiência foi muito boa porque nós planejamos muito, foi tudo detalhado. Possibilitou a presença de pessoas do Brasil inteiro, até mesmo de Portugal. A questão digital quebra barreiras”, finaliza Raul.

*Sob supervisão do editor Eugênio Afonso

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