De segurança a acústica, arquitetura marca presença no Carnaval

Publicado sábado, 22 de fevereiro de 2020 às 12:08 h | Atualizado em 22/02/2020, 12:14 | Autor: Mariana Bamberg*

Músicas, trios, fantasias e arquitetura e urbanismo. Quem acha que esses conjuntos de palavras não têm muito a ver um com o outro está bem enganado. Todas elas têm papéis fundamentais na realização do Carnaval de Salvador. E foi justamente pensando em ajudar o folião a perceber a importância da atuação de arquitetos e urbanistas na realização da festa que o Conselho de Arquitetura e Urbanismo da Bahia (CAU-BA) elaborou uma cartilha explicativa sobre a inserção do setor na folia.

Desde a acessibilidade e a segurança das estruturas temporárias de Carnaval até a acústica e a mobilidade urbana na região do evento, tudo isso está relacionado ao trabalho desenvolvido por um profissional da arquitetura e do urbanismo, como afirma Milena Chaves, arquiteta e urbanista do CAU-BA e uma das responsáveis pela cartilha.

Justamente por isso o material traz informações divididas em quatro subtemas: acessibilidade, instalações efêmeras e segurança, sustentabilidade e acústica, e convida o folião a observar, fiscalizar e contribuir no que for possível.

Pontos estratégicos

O material, que vai ser distribuído em pontos estratégicos do Carnaval, faz parte das ações do CAU-BA desenvolvidas para a festa. Mas, de acordo com um dos seus idealizadores, o arquiteto e urbanista Ernesto Carvalho, a cartilha é uma ação não só de fiscalização – como as outras que já eram desenvolvidas pelo conselho, mas também de conscientização e participação.

“Todo ano, nós vamos para a rua fiscalizar as estruturas de Carnaval. Este ano, estamos também com essa ação mais participativa, que a ideia é levar informação para o folião e fazer ele ser um parceiro nosso, fazer ele saber que pode contar com o CAU-BA”, conta.

Para Carvalho, a cartilha, mostrando que profissionais como arquitetos e urbanistas estão envolvidos na realização da festa, ajudará a aumentar a sensação de segurança dos foliões.

“Saber que um profissional da área foi responsável pelo projeto de um camarote, por exemplo, deixa mais tranquilo o folião que passou o ano inteiro investindo para curtir a festa nele”, explica Carvalho.

Para tranquilizar ainda mais esse folião, a cartilha indica que ele preste atenção na existência de saídas de emergência, enfermaria ou posto de saúde, brigadas de incêndio, extintores visíveis e acessíveis, sinalizações, se os ambientes são bem iluminados e se o camarote é bem localizado.

E, caso sinta falta de algo, a cartilha ainda sugere que o folião entre em contato com o camarote, dando um retorno. O mesmo pode ser feito quanto à acessibilidade.

A cartilha também orienta que o folião fique atento a elementos que tornam o ambiente acessível, como rampas e degraus com dimensões adequadas, elevadores, plataformas elevatórias, escadas rolantes, balcões de atendimento com altura adequada, entradas e passagens com largura suficiente, sanitários acessíveis, pisos regulares e antiderrapantes, sinalizações táteis, visuais, sonoras e guarda-corpos e corrimões.

Ir e vir

De acordo com Milena Chaves, o arquiteto e urbanista é o profissional responsável por viabilizar o ir e vir de todas as pessoas, por isso o papel dele é fundamental na realização da festa. Para ela, existe um avanço na questão da acessibilidade no Carnaval de Salvador, mas ainda há o que melhorar. “Por isso, fazemos todos os anos vistorias, juntamente com o Procon e com a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social”.

No quesito sustentabilidade, Milena também acredita que há um avanço. De acordo com a arquiteta, muitos camarotes já fazem uso de energia solar, água da chuva, priorizam o uso de luz LED, aproveitam ao máximo a ventilação natural e utilizam materiais reutilizados e reciclados.

A cartilha também sugere que o folião faça a sua parte e opte por um consumo sustentável, que opte por materiais biodegradáveis, descarte corretamente seu lixo e abra mão do carro na ida para a festa.

*Sob a supervisão da editora Cassandra Barteló

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