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Indústria da construção investe em soluções para uma casa ‘anti-Covid’

Publicado sábado, 30 de janeiro de 2021 às 06:03 h | Atualizado em 30/01/2021, 08:37 | Autor: Fábio Bittencourt
Dinah Lins, designer de interiores | Foto: Alex Oliveira | Ag. A TARDE
Dinah Lins, designer de interiores | Foto: Alex Oliveira | Ag. A TARDE -
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Quase um ano se passou desde que a pandemia do novo coronavírus tomou conta do mundo, e de lá para cá muito se falou na busca por uma casa “pós-Covid”, na qual ambientes mais arejados, iluminados, e integrados são valorizados; em que é condicionante haver espaço (inteligente) para home office e ensino doméstico –, a decoração é mais minimalista, e tudo deve ser de fácil manutenção e limpeza.

Enquanto a imunidade coletiva não vem, porém, a indústria imobiliária vai investindo em soluções para uma casa “anti-Covid”. Nesse sentido, já há no mercado pisos e laminados de madeira com proteção antimicrobiana – capaz de inativar microrganismos e barrar a propagação de vírus; louças e metais sanitários; tapetes e carpetes, além de tintas e vernizes com partículas de prata na composição.

Verdade que a maior parte da aplicação dessas ferramentas ainda se dá em espaços comerciais, privados ou públicos, de grande circulação de pessoas –, como empresas e centros de compras –, com ainda maior intensidade por empreendimento médico-hospitalar, e produção de alimentos, explica o químico especialista em engenharia e ciência dos materiais, Daniel Minozzi.

Minozzi é sócio da Nanox, empresa que desenvolve nanotecnologia para o controle microbiológico em objetos e superfícies, como plásticos e embalagens, artigos têxteis, e, em 2020, viu crescer essa demanda voltada para materiais de construção e acabamento. As partículas de prata dispersas nessas superfícies causam a ruptura da parede celular de fungos e bactérias, e a inativação de vírus, ele conta.

“Em menos de um ano, o Brasil hoje conta com um verdadeiro arsenal de produtos, que, graças à presença de micropartículas de prata em sua superfície são capazes de inativar microrganismos em questão de segundos. E a cada passo que a indústria faz, posso dizer que estamos próximo de uma casa anti-Covid”, diz.

Segundo o sócio do escritório Sotero Arquitetos, Adriano Mascarenhas, a crise sanitária transformou os hábitos e dia a dia das pessoas, no sentido de haver uma preocupação maior com a higienização das coisas, mas que, de um modo geral, os dispositivos anti-Covid existentes dificilmente irão parar dentro das casa, por serem mais apropriados a espaços de uso comum.

Ainda segundo Mascarenhas, a arquitetura e construção civil “costumam assimilar e processar informações de maneira pouco mais lenta”, por tratar-se de “processos que não se dão em um mês, mas em um, dois anos quando rápido”. E que o maior movimento no mercado, reflexo da Covid, foi a corrida por casas, em particular no litoral; a necessidade de área para estudo e trabalho, entre outros.

Imagem ilustrativa da imagem Indústria da construção investe em soluções para uma casa ‘anti-Covid’
Projeto de Bruna Oliveira: “Os espaços assumiram um novo significado” || Divulgação

Áreas públicas

“O ciclo de concepção e construção do mercado imobiliário é lento, média de três anos. Os materiais que estão surgindo agora começam a ser incorporado à medida que vão sendo difundidos. A diferença maior será notada em áreas públicas, como em banheiro de shopping center, aeroporto. Ambiente doméstico eu acho que nem tanto. A principal transformação nas casas é a adaptação do espaço para home office e homeschooling”.

“A busca por uma segunda moradia também ficou evidente, assim como demanda por espaços mais privativos, separados das áreas sociais da casa. E a questão da higienização, que veio para ficar. Um cuidado para a visita que chega, a instalação de um lavabo próximo à porta de entrada, talvez uma bancada para limpeza das compras da rua; no prédio, compartimento para recebimento de encomendas”.

Esse espaço no condomínio voltado para o recebimento de entregas e compras online, o chamado “drop off”, já é uma novidade em dois empreendimentos da construtora Civil, um lançamento no Horto Florestal, outro em construção na Graça. De acordo com a gerente de Incorporações Imobiliárias, Gabriela Sá, a área fica localizada ao lado da portaria e foi idealizada a partir do crescimento exponencial dos pedidos de e-commerce e delivery ao longo do último ano.

“É um ambiente inteligente, que preza pela utilidade, para manter a segurança tanto do entregador quanto da pessoa que vai receber a encomenda”, diz.

Para a designer de interiores Dinah Lins, a pandemia trouxe demandas domésticas de várias ordens, em particular no tocante à limpeza dos ambientes. Segundo ela, superfícies, móveis, luminária, hall de entrada, tudo terá ser de fácil acesso, simples de lavar, e diz que a indústria do design já trabalha nessa pegada.

“A maior aplicação dos materiais antimocrobianos são utilizados na rede hospitalar, mas cada vez mais vai virar uma questão”.

“As pessoas estão passando mais tempo em casa do que nunca. De repente os espaços em que vivemos assumiram um novo significado. A decoração da casa começou a se tornar uma necessidade, peças funcionais que possam ser convertidas em muitas necessidades que temos, com interesse em peças de móveis que possam servir a vários propósitos, sendo multifuncionais, e dentro do design sendo peças mais impactantes”, fala a designer de interiores Bruna Oliveira.

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