Brasil cedeu muito para os EUA e teve pouco em troca, diz professora de Relações Internacionais

Publicado quinta-feira, 01 de outubro de 2020 às 08:24 h | Atualizado em 21/01/2021, 00:00 | Autor: Da Redação

Faltando quase um mês para as eleições dos Estados Unidos, muito tem-se discutido sobre os impactos que o resultado do pleito americano pode ter na realidade brasileira. Para a professora de Relações Internacionais, Juliette Robichez, o Brasil cedeu muito nestes dois anos de Governo Bolsonaro, mas não recebeu quase nada em troca.

“Por enquanto, o Brasil deu muito, cedeu muito para os EUA e teve pouco em troca. Em época de grande crise econômica, existe um movimento contra o multilateralismo, de protecionismo, e não vejo os EUA mudando suas posições, mesmo com Biden como presidente”, explicou em entrevista ao programa ‘Isso é Bahia’, da rádio A TARDE FM, na manhã desta quinta-feira, 1°.

Para Robichez, Bolsonaro adota as medidas de Trump até mesmo contra os interesses do próprio Brasil. “Os EUA está vendo que está perdendo sua posição hegemônica no cenário internacional, e a China está se tornando uma grande potência militar e econômica. Com isso, podemos entender as agressões dos EUA contra a China”, explicou.

“O que não entendo é porque o Brasil está adotando essa posição. O Brasil não é rival da China, pelo contrário, o primeiro parceiro econômico do Brasil, hoje. não são os EUA, mas a China. O Brasil deveria ‘mimar’ a china nessa época de grave crise econômica, de fuga dos investimentos estrangeiros. O Brasil não tem esse luxo de atacar o seu maior parceiro econômico”, completou.

Um exemplo dessa relação de ataques com a China foi dado pelo filho presidencial Eduardo, quando ele atribuiu à China a culpa pela crise mundial causada pelo coronavírus. Em outro momento, o então ministro da Educação, Abraham Weintraub, acusou a China de lucrar com a propagação do vírus.

Isso fez o presidente da China se recusar a falar com Bolsonaro. Para Xi Jinping “as palavras do Eduardo Bolsonaro causaram influências nocivas, vistas como um insulto grave à dignidade nacional chinesa, e ferem não só o sentimento de 1,4 bilhão de chineses, como prejudicam a boa imagem do Brasil no coração do povo chinês”, disse em comunicado.

Voto pelo correio

Outro ponto apontado pela professora foram as declarações de Trump, questionando o voto pelo correio, dando a entender que não aceitaria uma possível derrota nas eleições por isso. “Foi uma surpresa muito grande, ter essa campanha de desinformação, de Fake News para questionar a integridade das eleições, contestando o voto pelo correio”, contou.

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Primeiro debate presidencial das eleições deste ano nos Estados Unidos aconteceu na última terça-feira, 29 | Foto: Oliver Douliery | AFP

O voto pelo correio já existe desde o ano 2000 e em 2016, quando o Trump foi eleito, 33 milhões de americanos votaram pelo correio. “Segundo os Republicanos, esse meio de votar vai privilegiar os democratas, já que o dia das eleições vai cair em uma terça-feira, significa que muitas pessoas vão ter muitos problemas para conseguir votar.”, explicou.

Outro aspecto apontado por Juliette é a pandemia, com mais de 206 mil mortos de Covid-19 nos EUA, há uma forte tendência a se privilegiar o voto pelo correio. Podendo chegar em 80 milhões de votos por essa modalidade.

Confira a entrevista completa:

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