Talibã revela parte do futuro governo do Afeganistão

Publicado terça-feira, 07 de setembro de 2021 às 14:42 h | Atualizado em 07/09/2021, 14:59 | Autor: AFP

Três semanas depois de tomar o poder no Afeganistão, o Talibã anunciou nesta terça-feira, 7, parte de seu futuro governo, que será dirigido por Mohammad Hasan Akhund.

O cofundador do movimento Abdul Ghani Baradar será o número dois do novo Executivo, informou Zabihullah Mujahid, principal porta-voz do grupo, durante uma entrevista coletiva em Cabul.

Baradar, uma figura respeitada por várias facções talibãs, coordenou as negociações de Doha com o governo dos Estados Unidos, que levaram à retirada das forças estrangeiras do país.

Entre as outras nomeações anunciadas nesta terça-feira está a do mulá Yaqub, filho do mulá Omar, para o cargo de ministro da Defesa; e a de Sirajuddin Haqqani, líder da rede Haqqani, que vai comandar a pasta do Interior.

Amir Khan Muttaqi, um dos negociadores talibãs de Doha, será o novo ministro das Relações Exteriores.

"O governo não está completo", destacou Mujahid, antes de afirmar que o movimento - que prometeu um Executivo "inclusivo" - tentará "incorporar pessoas de outras regiões do país".

A comunidade internacional afirmou que vai julgar o Talibã por suas ações, depois que o movimento islamista recuperou o poder, 20 anos depois da expulsão por parte de uma coalizão liderada pelos Estados Unidos.

No momento, as promessas em termos de direitos das mulheres não parecem convencer no país. Nos últimos dias, dezenas de afegãs protagonizaram manifestações em Cabul para denunciar a violenta repressão do regime Talibã no vale de Panjshir.

Neste vale fica o último reduto de resistência do exército afegão, mas os talibãs anunciaram que conseguiram controlar a região e afirmaram que "não há mais guerra".

O porta-voz Talibã, ao ser questionado sobre a violenta dispersão das manifestações de sábado passado, destacou que os membros de seu movimento "ainda não estão formados" em gestão de protestos e pediu aos manifestantes que avisem as autoridades sobre as protestos com 24 horas de antecedência.

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