Tedros Adhanom é reeleito diretor da OMS por cinco anos

Dr. Tedros, como gosta de ser chamado, foi o primeiro africano a dirigir a Organização

Publicado terça-feira, 24 de maio de 2022 às 16:03 h | Atualizado em 24/05/2022, 16:03 | Autor: AFP
Médico obteve 155 votos a favor e apenas cinco contra
Médico obteve 155 votos a favor e apenas cinco contra -

O médico etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, primeiro africano a dirigir a Organização Mundial da Saúde (OMS), agradeceu nesta nesta terça-feira, 24, sua reeleição para um segundo mandato de cinco anos lembrando sua infância como "menino da guerra" e fez um apelo à paz.

A sorte estava quase lançada antes da votação secreta na Assembleia Mundial da Saúde que acontece em Genebra, à qual Tedros se apresentou como único candidato.

"Estou orgulhoso de estar na OMS", afirmou o diretor-geral, que agradeceu aos representantes dos países-membros por sua "confiança". Segundo várias fontes, o médico obteve 155 votos a favor e cinco contra.

Aos 57 anos, este rosto conhecido do combate à covid-19, o Dr. Tedros, como gosta de ser chamado, é especialista em malária, graduado em imunologia, doutor em saúde comunitária e foi ministro da Saúde e das Relações Exteriores de seu país. 

Ele afirma ser um homem de paz, marcado por uma infância imersa na guerra. Seu mandato, como destacou recentemente, foi marcado pelos conflitos no Iêmen e na Ucrânia.

"Esta pandemia foi sem precedentes e tivemos que construir o barco enquanto navegávamos", admitiu. "Espero que sejamos capazes de impedir a próxima pandemia ou de gerenciá-la da forma mais eficaz possível", acrescentou.

Ele também quis fazer uma homenagem a seus colegas e afirmou tê-los visto "trabalhar duro e de boa fé" durante a pior pandemia em um século.

- Prioridades -

O diretor-geral expôs suas prioridades perante a assembleia: colocar a atenção primária no centro de uma cobertura universal de saúde, a preparação e a resposta diante às emergências e as ferramentas para prevenir e curar melhor. Também expressou uma promessa de "reforçar uma melhora constante da OMS".

Loyce Pace, representante do governo americano, lembrou ao diretor-geral que não se trata de repousar em berço esplêndido.

"Para dizer a verdade, resta muito a fazer para modernizar a OMS para que seja mais eficaz e reativa", declarou, expressando um sentimento compartilhado por muitos membros.

A chegada do democrata Joe Biden à Casa Branca, que marcou o retorno dos Estados Unidos à OMS, deu-lhe um novo impulso após ser constantemente atacado por Donald Trump, que havia cortado financiamento à organização, acusando-a de administrar mal a pandemia.

O tom crítico de Tedros em relação à China, que ele acredita não ser suficientemente transparente sobre a origem da pandemia, rendeu-lhe algumas advertências de Pequim, mas o gigante asiático ainda apoiou sua reeleição.

Tedros é muito apreciado, especialmente pelos africanos, por ter feito a comunidade internacional olhar mais para o continente, principalmente durante a pandemia. 

No entanto, seu próprio país o acusa de ter "abusado de suas funções" após comentários sobre a situação humanitária em Tigré.

Um escândalo de violência sexual na República Democrática do Congo envolvendo funcionários de sua organização rendeu a ele uma série de críticas de vários países-membros, que consideraram sua resposta muito branda.

- "Um filho da guerra" -

Seu discurso de agradecimento foi marcado pela emoção e por seu relato pessoal da guerra.

"Sou filho da guerra", repetiu Tedros, lembrando de sua infância na pobreza e das lembranças da morte de seu irmão por falta de medicamentos.

Também se referiu a uma viagem recente à Ucrânia, onde a destruição provocada pela invasão russa o fez lembrar de sua própria história.

"Quando vi as crianças, as imagens de 50 anos atrás voltaram à minha mente, tão nítidas que os sons da guerra, as imagens da guerra me atormentaram", contou.

"Não quero que isso aconteça a nenhuma pessoa e por isso espero que a paz chegue", acrescentou.

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