De selva e de sítio

Publicado sábado, 27 de março de 2021 às 09:00 h | Atualizado em 27/03/2021, 09:44 | Autor: Walter Queiroz Jr.*

São os dois piores estados que podem arrostar uma nação civilizada. No estado de selva, doloroso retrocesso, um país assolado por uma grande tragédia, perdendo o controle dos acontecimentos, assiste seus concidadãos, lutando pela sobrevivência, quebrar todos os limites de decência e respeito social. No estado de Sítio, suprimindo garantias constitucionais, o poder executivo, respaldado pelas forças armadas, impõe as regras de subsistência, em nome da segurança coletiva.

Em ambos os casos, a liberdade e a fraternidade são dois valores duramente atingidos. Garantir a nossa estima coletiva e tradição de afeto, num esforço de serenidade para superar desavenças ideológicas é, simplesmente, urgente e imprescindível. Impedir agressão aos mandamentos da magna carta é uma obrigação para com a saúde civil do Brasil e um respeito ao legado de homens públicos que nos antecederam, Ulisses Guimarães, Tancredo Neves, Teotônio Vilela, para citar alguns.

O movimento das "Diretas Já" é um marco histórico que derrogando, pelo voto, a ditadura, nos legou, como consequência, uma das constituições mais avançadas e democráticas da nossa era. O auxílio emergencial tem sido um grande antídoto contra o Estado de Selva, que ainda corremos o risco de arrostar caso nossos dirigentes, tentados por um novo normal, ainda inviável, desdenhem das precauções, incentivem o retorno prematuro, sem máscaras e o devido distanciamento, ao convívio social.

Casa em que falta pão, todo mundo chora e todo mundo tem razão, nos ensina a sabedoria popular! Empenharmo-nos todos para o encontro de soluções solidárias mais que uma opção de bom coração é uma coletiva estratégia de sobrevivência. Nunca esquecer que o maior de todos preceitos constitucionais, pai e mãe da vigilância contra o arbítrio e do qual todos demais emanam, será sempre: Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido".

Desde que o mundo é mundo, volta e meia aparecem os salvadores da pátria e com leviano e imaturo apoio popular prometem vida melhor para todos e os resultados são, invariavelmente, execráveis! O Brasil tem pago caro pelos legados dos seu demagogos e uma nação poderosa, criativa e amorosa como a nossa precisa, finalmente, encontrar novas lideranças, rumo a uma nova era de paz e mais justiça social.

Recentes acontecimentos capitaneados pelo Supremo Tribunal Federal nos devolvem a fé no ditado: A justiça tarda mas não falha!

Os psicólogos, profissionais de uma área duramente atingida como a saúde mental, reivindicam a inclusão dos seus nomes nas listas de vacinação!

("A democracia é o pior dos regimes mas não há nenhum sistema melhor do que ela" – Winston Churchill)

*Advogado, poeta, compositor, membro da Confraria dos Saberes ([email protected])

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