Editorial - Dádiva sob ameaça

Publicado terça-feira, 22 de março de 2022 às 00:30 h | Atualizado em 21/03/2022, 21:52 | Autor: Da Redação
Enquanto se tem chance, é preciso mudar maus 
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plena destruição
Enquanto se tem chance, é preciso mudar maus costumes a fim de retardar a plena destruição -

Lembra hoje o Dia Mundial da Água o fracasso do homem ao lidar com os recursos hídricos, gastando muito mais em relação ao potencial do planeta, no movimento aritmético em desabalada rumo ao fim inexorável.

Orgulhosa da inequívoca capacidade de raciocínio, a espécie não conseguiu, entretanto, inventar modo melhor de satisfazer as urgências do seu organismo e da prosperidade de suas empresas sem poluir rios e oceanos.

Num grupo de 10 cidadãos baianos, dois, em média, não têm acesso à rede e dos oito atendidos em sua demanda, metade desperdiça, sem aproveitar a potabilidade da dádiva cujos mananciais límpidos estão ameaçados.

O trabalho de conter o lixo torna-se incessante, como no litoral de Salvador, desde a derrubada, por decisão judicial, das barracas em toda extensão dos 50 quilômetros de orla, em 2011, sem alternativa desde então,  decorridos mais de 10 anos.

No cenário anterior, o próprio empreendedor cuidava de seu pedaço de areia, afinal ali vendia seu peixe, mas desde o suposto ordenamento, tem sido um desafio cada vez maior a limpeza pública, diante do comportamento dos banhistas.

A restrição da frequência às praias, devido ao distanciamento na pandemia, vinha contribuindo para evitar encher contêineres, mas com a liberação, voltará o excesso de plásticos e múltiplos restos.

A resistência é possível quando se verifica a atuação de instituições como o Instituto Fundo Limpo, com foco no desenvolvimento sustentável, algo próximo, no senso comum, da máxima retificada “quem bebe e guarda, bebe duas vezes”.

Outro exemplo, o projeto Jardins de Chuva, lançado no Colégio Estadual Professora Marileine da Silva, na Mata Escura, propõe sistema de canteiros verdes regados com aguaceiros, sem alagamentos e desperdícios.

Enquanto se tem chance, é preciso mudar maus costumes a fim de retardar a plena destruição. Tal mudança de mentalidade e de atitude em relação às águas cabe a todos nós.

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