Editorial - O Brasil destrói a si próprio

Publicado sexta-feira, 22 de julho de 2022 às 00:30 h | Atualizado em 21/07/2022, 23:00 | Autor: Da Redação
A destruição 
produzida pela
 ação dos tratores
vem subindo 
o gráfico em
 escalada
A destruição produzida pela ação dos tratores vem subindo o gráfico em escalada -

Na extravagante hipótese de o Brasil ter assumido a condição de inimigo da natureza, pode-se conferir o cumprimento de estranha meta com proficiência, ao insistir no desmatamento revelado no Relatório Anual da organização MapBiomar.

Impressiona a dimensão folgada da vitória das máquinas de terraplenagem, ao exterminarem em três anos a vegetação de uma área de 42 mil quilômetros quadrados, o equivalente a um território do tamanho do estado do Rio de Janeiro.

A destruição produzida pela ação dos tratores vem subindo o gráfico em escalada, ampliando a devastação em número de 16,5 mil em 2021, um aumento de 20% em relação ao total observado no ano anterior.

Não bastasse o placar da grande nação derrotada por si mesma, com reflexos macabros para um mundo em desencanto, a velocidade da estupidez passou de 0,16 hectares ao dia para 0,18, com o desmonte das estratégias de fiscalização.

A média diária agora é de 191 novas incursões de invasores e proprietários de pouco juízo e muita ganância, ao seguirem com fervor o plano da operação passa-boiada, como a nomeou, inspirado, o ex-ministro entusiasta do apocalipse.

Quem aprecia o som da motosserra como marcha fúnebre da mata, pode erguer com os cúmplices um brinde, pois as árvores tombadas chegam a 18 por segundo, cálculo espalhado em comunidades e conjuntos residenciais.

O derrame insensato da seiva da vida vem sendo acobertado, não apenas pela sabotagem das estratégias de monitoramento de órgãos ambientais, como também pelo afrouxamento de leis, associado ao incentivo insano de autoridades.

O estudo divulgado por órgão independente avaliou 70 mil alertas de ações ilegais, alcançando a proporção de 99 entre cada 100 as confirmações de irregularidades, apesar da apatia do Estado em vigiar e punir.

Não é difícil confirmar a cumplicidade dos gestores federais com o cenário capaz de envergonhar a cidadania, pois de três entre quatro eventos, seria possível encontrar o culpado, mas falta a vontade política para proceder as investigações.

Publicações relacionadas