Editorial - O desespero dos refugiados

Publicado sábado, 19 de junho de 2021 às 06:00 h | Atualizado em 18/06/2021, 22:09 | Autor: Da Redação

Acolher os necessitados, sem deixar de zelar pelo bem-estar de seus cidadãos, é um dos desafios das nações unidas, atualmente, considerando como pressuposto não haver grupos sociais melhores ou piores, em contradição ao cenário verificado no drama de refugiados.

A provisória condição de apátrida, em razão de dificuldades provenientes de um convívio inseguro, geralmente por conta do sofrimento provocado por guerras ou insuficiência alimentar, tem demarcado o êxodo de multidões, em movimentos litigiosos além-fronteiras.

As fugas desesperadas repetem na contemporaneidade fenômeno frequente desde primeiras civilizações, inspirando hipótese de ter o homem involuído moralmente em 30 séculos, tomando como ponto de partida povoações da Mesopotâmia, no Vale do Crescente Fértil.

Até mesmo em textos tidos como sagrados, nas grandes religiões monoteístas, há referências ao anseio de povos inteiros, em busca de paz, comida e moradia, mas admoestados por exércitos escravocratas e impiedosos.

Alcança o mundo patamares jamais registrados destas corridas coletivas rumo ao desconhecido, com 82 milhões de pessoas perseguidas ano passado, crescimento de 4% em relação a 2019, representando um em cada 95 habitantes do planeta na situação de abandono.

Este 2021 vai quebrar o décimo recorde consecutivo neste índice entristecedor, apontando também o quanto a divisão em territórios, hinos e bandeiras pode iludir, tendo conceito de “pátria” como frágil alicerce para o relacionamento das múltiplas etnias.

O pavor produzido pelos efeitos da pandemia teria fortalecido o extremismo nacionalista, contabilizando-se em mais de 160 os países de porteiras fechadas às levas de gente despossuída à procura de um abrigo a fim de escapar da dor.

Conflitos duradouros, como na Síria, ou instabilidade econômica, tipificada na vizinha Venezuela, além de países da África, estão entre as tantas ocorrências capazes de provocar profundo desapontamento em todos quantos queiram acreditar no futuro desta espécie.

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