Vacinação sem delonga

Publicado sexta-feira, 26 de março de 2021 às 06:00 h | Atualizado em 25/03/2021, 23:15 | Autor: Da Redação

Flagrante de inversão do imperativo categórico, em Belo Horizonte, com a vacinação clandestina de empresários, propõe agir de tal forma, como se esta escolha pudesse merecer o repúdio universal, pelo grau de insanidade e a torpeza de caráter denunciadas. A notícia-crime amplia repositório fura-filas, mas desta vez exorbita, por partir de grupo correspondente a perfil delineado cidadãos de bem, embarcados em automóveis de luxo, a receberem picadas, na sombra da noite, incluindo – pasmem – crianças.

O esquema, trazido a lume pela revista Piauí, servindo de pauta aos telejornais e veículos impressos e digitais, é desnudado em seu vil objetivo de favorecer endinheirados, escudando-se no lema proverbial do senso comum, adaptado: vacina pouca, minha imunização primeiro.

Investigação instaurada pelo Ministério Público Federal vai traduzir para o ambiente do Judiciário o trabalho de jornalismo, como prestação de serviço, com a prévia apuração de terem pago, cada um dos cerca de 50 beneficiados, um valor de 600 reais pela dose. Tão seguros sentiram-se os ansiosos mineiros, em busca de imunização, a ponto de não se acautelarem, mesmo em contexto de novas tecnologias capazes de viabilizar provas visuais, como ocorreu com a produção de vídeos por parte dos vizinhos impressionados.

Tamanha desfaçatez pode inspirar, porém, uma desculpa, em viés de ordem moral, da necessidade de tomar iniciativa, uma vez constatar-se a expansão da Covid e variante brasileira, ceifando vidas rápida e cruelmente, inalcançável por lenta vacinação.

Intimorata ação não levou em conta sequer o toque de recolher, pois o inusitado, na garagem de uma empresa de transporte, ocorreu por volta de 20 horas, na vigência do recolhimento, ampliando o impacto de transgressão das normas.

O caso extremo fortalece a hipótese de vácuo da liderança no combate ao coronavírus, pois o novo ministro da Saúde insiste em confundir a cidadania, com falácias de tratamento precoce e projeção de números superdimensionados para aplicação de doses.

Publicações relacionadas