Após polêmica com atestado, CPI espera ouvir lobista da Precisa Medicamentos

Publicado quinta-feira, 02 de setembro de 2021 às 09:40 h | Atualizado em 02/09/2021, 09:47 | Autor: Da Redação e Agência Senado

A CPI da Pandemia agendou para esta quinta-feira, às 9h30, a reunião para tomar o depoimento de Marconny Nunes Ribeiro Albernaz de Faria, apontado como um lobista da Precisa Medicamentos, empresa que atuou como intermediária no contrato da vacina indiana Covaxin e que está sob investigação. 

A CPI obteve mensagens trocadas entre Marconny o ex-secretário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) José Ricardo Santana. Na conversa, Santana menciona que conheceu o suposto lobista da Precisa na casa da advogada do presidente da República, Jair Bolsonaro, Karina Kufa, que deverá ser ouvida nas próximas reuniões da CPI. O depoimento, porém, ainda não foi confirmado.

Na tarde de quarta-feira, 1º, a CPI recebeu um atestado médico dando conta que Marconny estaria internado no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo. O presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), então, ligou para o hospital para tomar conhecimento da condição de saúde de Marconny.

Durante á noite, o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP), informou que o médico responsável por fornecer o atestado retirou o documento alegando que percebeu que o depoente estava "fingindo".

"O médico que concedeu o atestado do Sr. Marconny Faria, entrou em contato conosco e disse que foi ele que concedeu o atestado, mas que notou uma simulação por parte do paciente e que deseja cancelar o mesmo", postou Randolfe.

Randolfe Rodrigues é o autor do requerimento para ouvir Marconny Faria, a quem o senador chama de lobista que teria atuado como intermediário dos interesses da Precisa Medicamentos. A empresa está envolvida na negociação de vacinas Covaxin para o Ministério da Saúde, sobre a qual a CPI investiga diversas irregularidades e sobrepreço (assista no vídeo abaixo ao contexto da participação de Marconny que levou à sua convocação pela CPI).

"Quanto à participação de Marconny nesse balcão de negócios, a CPI tem diversas frentes de informações e muitos questionamentos. Vou pedir para vocês acompanharem o depoimento de hoje pois, ao que tudo indica, caso o depoente fale, responderá muitas perguntas da CPI", falou o vice-presidente da CPI.

Marconny Faria possui habeas corpus do Supremo Tribunal Federal que permite a ele ficar em silêncio e não responder a perguntas que possam incriminá-lo. A decisão pela concessão do habeas corpus foi da ministra Cármen Lúcia.

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