Jerônimo Rodrigues: "Nosso governo terá uma forte marca pela inclusão"

Candidato reafirmou o desejo de governar para "garantir novas oportunidades"

Publicado quinta-feira, 14 de julho de 2022 às 05:15 h | Atualizado em 13/07/2022, 23:31 | Autor: Jefferson Beltrão
Jerônimo Rodrigues (PT), pré-candidato ao Governo da Bahia
Jerônimo Rodrigues (PT), pré-candidato ao Governo da Bahia -

“Vamos continuar o projeto vitorioso encabeçado pelo PT e fazer mais”. O recado é do pré-candidato do partido ao Governo do Estado, Jerônimo Rodrigues. “A marca que carrego é muito forte”, diz. Engenheiro agrônomo, professor universitário licenciado e ex-secretário de Desenvolvimento Rural e da Educação da Bahia, Rodrigues é enfático: com Lula, Rui Costa e Jaques Wagner, “vamos vencer no primeiro turno”.

Confira nesta entrevista, a segunda da série com os pré-candidatos a governador da Bahia – a primeira foi com Kleber Rosa (PSOL) – e também transmitida pela TV Alba (canal 12.2 e 16 na Net).

Por que o senhor defende seu nome como a melhor opção para governar a Bahia? 

Primeiro que não temos a pretensão de assumir um cargo por interesse particular ou pessoal. Carrego um projeto que em nível de Brasil o presidente Lula representa muito bem. Na Bahia iniciamos esse projeto com Jaques Wagner e agora com o governador Rui Costa, pra que a gente possa continuar as ações, o projeto representado por mim, Geraldo [Júnior] e, ainda na majoritária, o senador Otto Alencar. A marca que carrego é muito forte. É a superação de desafios de tantos da população baiana e brasileira que não tiveram a oportunidade de uma boa escola na infância, ao nível médio, de uma educação superior. Estou falando da educação. Carrego a responsabilidade de governar pra garantir novas oportunidades. Se formos falar de saúde, podemos também garantir que o que fizemos nesses 16 anos daremos continuidade, aproximando o serviço de saúde de qualidade pra cada canto da Bahia. Quando eu morava na zona rural em Aiquara, Palmeirinha, perto de Jequié, pra qualquer serviço de saúde do interior da Bahia tínhamos que nos deslocar 300 quilômetros. Quem é do Oeste sabe, tinha que rodar mil quilômetros. Quem é do Extremo Sul, da mesma forma. E nós conseguimos aproximar esses serviços, os de baixa e de alta complexidade, levando pro interior. Assim como estradas, 16 mil quilômetros de estradas, água na casa do povo. Esse projeto trouxe isso pro Brasil e pra Bahia. E estou na condição de pré-candidato me colocando à disposição pra dar continuidade, pra que os serviços públicos cheguem na casa e na vida de cada pessoa. Que a gente possa sonhar com o Lula, a esperança de emprego, de trabalho, de uma casa própria. A Bahia é muito grande. E nós pegamos essa Bahia em 2007 faltando muita coisa. Fizemos muito, mas ainda precisamos fazer muito mais. É por isso que estou me colocando à disposição dentro desse projeto vitorioso da Bahia. 

O que o senhor se dispõe a fazer diferente depois de 16 anos de governo do PT à frente do Estado?

Não é fazer diferente, é fazer mais. Por exemplo, segurança pública. Os governos Wagner e Rui Costa são os que mais investiram em segurança pública. Seja na compra de viaturas, na aquisição de equipamento de segurança do profissional da segurança – que precisa ter o acolhimento do Estado –, no concurso público. Antes do governo Wagner, as viaturas ou estavam caindo aos pedaços ou não tinha viaturas no interior da Bahia. E hoje temos carros sofisticados, importados. Inclusive, iniciou-se na Bahia [a utilização] de carros blindados pra garantir segurança pro profissional da segurança pública. Conseguimos nos últimos períodos também baixar os índices de violência no interior. Conversamos com o Lula agora no último dia primeiro e dia 2, quando esteve aqui e pactuamos que precisamos fazer um programa de segurança pública para o Estado brasileiro. Infelizmente, o Governo Federal trata a segurança pública estimulando a compra de armas, a violência. E o Brasil não pode continuar sendo governado por um governo que não trata a segurança pública na sua raiz. Mais um exemplo: o tráfico de armas. As fronteiras precisam ser protegidas. É uma função do Governo Federal em parceria com os estados, coisa que não tem sido feita. Portanto, a segurança pública terá, com certeza, essa parceria com o Governo Federal. Outra ação que o Estado da Bahia fez e vem fazendo muito bem e vou continuar: a parceria com os municípios, com câmeras de segurança espalhadas pelas cidades. E se tratarmos de outros temas como a educação, por exemplo, estamos agora, nesses últimos dois anos, mesmo com a pandemia, com o maior investimento que um governo da Bahia fez em educação. 

E por que a educação é alvo de críticas de seus adversários?

Existem ações que a oposição prefere não tratar. Porque a todo tempo a gente vem fazendo uma educação cuidando de quem faz a educação. E nós temos um pré-candidato, esse ex-prefeito de Salvador, que trata a educação pública com total desrespeito. Fala da educação pública sem ao menos considerar o papel e a importância de um professor, do serviço público. Trata da educação pública sem sequer mencionar o que os estudantes da rede pública fazem quando passam com boas provas no vestibular, no Enem, na redação. Eu que todo tempo estudei em escola pública, sei muito bem o que significa isso. O investimento durante a pandemia na Bahia foi o maior em todos os estados. Nós, com a Assembleia Legislativa, aprovamos, por exemplo, o Programa Bolsa Presença. Hoje temos 900 mil estudantes na rede. No ano da pandemia tínhamos 800 mil. Dos 800 mil estudantes, apenas menos de 150 mil tinha condições de acessar uma internet de qualidade, de ter um computador ou um celular potente pra poder baixar um vídeo, uma aula ou assistir aula remota. O que fizemos? Imprimimos o material e fizemos chegar na casa de cada estudante. Quando o estudante não podia, como na zona rural, os pais ou as próprias prefeituras fizeram parceria conosco. Criamos durante a pandemia um canal de televisão específico pra educação, o Educa Bahia, através da TV pública nossa. Construímos um programa de formação de professores que nenhum estado fez. A gente deu, sim, atenção à educação e mais: criamos o ambiente pra que o estudante não abandonasse. Tanto é que quando voltamos às atividades no pós-pandemia, a evasão não foi do tamanho que imaginávamos. Por quê? Porque criamos um cerco, um colchão de proteção. Naquele momento, a gente se preocupou com a educação, a aprendizagem, mas nos preocupamos muito também com o acolhimento, pra que os estudantes não tivessem, e nem professores, risco de morte. Perdemos quase 700 mil pessoas. Não gostaríamos de deixar nenhum estudante pra trás. Fizemos o que pudemos. Infelizmente, mais uma vez, durante a pandemia o Governo Federal não nos chamou em nenhum momento pra discutirmos saídas para o Brasil, pra aprendizagem no Estado brasileiro. Cada estado se virou sozinho. Aqui na Bahia criamos um ambiente junto com a União dos Secretários de Educação e prefeitos, pra que não só na rede estadual mas na rede municipal também tivéssemos um afinamento de formação de professores e cuidado com a aprendizagem. Portanto, vamos, sim, fazer mais. O Rui está agora com aproximadamente quatro bilhões de reais em obras. E não é só obra: é laboratório, é concurso público pra professor, é formação de professor. Vamos, sim, ampliar esse investimento, chegar em todas as escolas da Bahia com a educação profissional, com a educação de tempo integral. É isso que vamos fazer. 

Quais são suas principais propostas de governo?

Temos alguns pontos que são destaque. Por exemplo: o nosso governo terá uma forte marca pela inclusão. Voltamos ao mapa da fome. Temos hoje 34 milhões de pessoas no Brasil passando fome. Na Bahia também tem essa quantidade de pessoas, só que do tamanho do estado. Precisamos responder a isso. Os baianos e baianas não podem passar fome e o Estado não se movimentar. Temos que fazer uma grande agenda de combate a essa situação de fome. Um outro é o tema do desemprego. Quem está desempregado não tem condições de sonhar, de trabalhar e, possivelmente, não vai ter condições de sustentar a sua família. É uma outra frente. E quero dizer ainda que a juventude será um tema juntamente com as pessoas que têm deficiência. Queremos muito trabalhar um tema de inclusão a partir desses segmentos, dos povos tradicionais, dos povos indígenas. 

Pode exemplificar como o senhor pretende resolver na prática questões como essas?

O que fizemos com a agricultura familiar é um bom exemplo pra poder entender melhor. Aplicamos dois bilhões de reais estimulando o fortalecimento de produção cooperativa. Nós ainda importamos, por exemplo, farinha de mandioca. A Bahia importa frango. Um exemplo concreto disso, portanto, é a gente criar um programa que possa garantir que cadeias produtivas como a de fruticultura, a de aves, a de carne, a de farinha de mandioca possam ser restabelecidas e a gente sair da situação de importador, pelo menos em algumas cadeias, porque outras vão requerer um tempo maior. A mandioca você colhe em oito, nove meses. Tem fruticultura que requer três, quatro anos, um ciclo muito longo pra um governo que tem quatro anos, por exemplo. Mas em algumas cadeias como a de aves, de mandioca, podemos fazer a frente de exportar e produzir pra o mercado interno e, ao mesmo tempo, gerar emprego, renda e impostos para os municípios e estados. Isso é um exemplo concreto: a gente estimular com inovação tecnológica o aumento de produtos de algumas cadeias produtivas.

O senhor aparece em segundo lugar na preferência do eleitorado, mesmo tendo o apoio do ex-presidente Lula e do governador Rui Costa, que são bem avaliados na Bahia. O que justifica sua posição nas pesquisas? 

Estou tranquilo porque também temos pesquisas que mostram que o quadro nosso é bastante favorável. Estamos percorrendo a Bahia e estamos percorrendo não é pra conhecer a Bahia como o ex-prefeito diz. Nós já conhecemos bem a Bahia. Estamos percorrendo a Bahia pra ouvir as propostas de programa de governo. E nessas caminhadas, que chamamos de Programa de Governo Participativo, as plenárias dão conta de a gente reduzir o desconhecimento que existe, o tempo de pré-campanha. Estamos falando de três meses de um candidato que aparece em algumas pesquisas já com quase 20%. Se a gente se recorda, o Jaques Wagner, mesmo tendo assumido cargos importantes, aparecia muito abaixo de 10% em 2006. Em 2014, o Rui Costa, a dois meses das eleições, não chegava a 10%. É claro que o desconhecimento também leva a isso. Mas quando a gente apresentar com mais ênfase que o pré-candidato Jerônimo é o candidato do Lula, do Rui, do Wagner, tenho certeza que a gente reverte. E respeitando os nossos opositores, vamos superar isso a ponto de ganharmos no primeiro turno, como fizemos com Wagner e como fizemos com o Rui Costa.

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