“Vou acabar com os alagamentos da cidade de Salvador”, diz Bacelar

Publicado segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020 às 06:00 h | Atualizado em 14/02/2020, 20:02 | Autor: Raul Aguilar, com colaboração de Aparecido Silva e Yasmin Hohenfeld

O deputado federal Bacelar, pré-candidato do Podemos à Prefeitura de Salvador, é o entrevistado desta semana na série de conversas com os aspirantes ao cargo máximo do Executivo municipal. O parlamentar, que também é presidente estadual do seu partido, diz que pretende ser o candidato de um grupo que está se formando e engloba legendas como PP, PSD, PCdoB, Avante e PDT.

Entre as propostas para Salvador, Bacelar promete acabar com os alagamentos na cidade. Para alavancar a economia, o pré-candidato diz que pretende fortalecer os pequenos comerciantes da capital. “Os bairros desta cidade têm uma capacidade econômica muito grande. É preciso que a prefeitura vá e incentive um pequeno comerciante, um pequeno prestador de serviço, a baiana do acarajé. Eles não entram nos grandes bancos da Pituba, nem nos grandes bancos do Comércio. Mas eu vou criar cooperativas de crédito popular, banco popular. Vamos ter 21 cooperativas de crédito na cidade, emprestando inicialmente de R$ 500 até R$ 5.000”, prevê.

Acompanhe, a seguir, a entrevista completa:

O deputado estadual Niltinho (PP) anunciou no mês passado que vai se juntar ao senador Angelo Coronel e ao senhor para formar um bloco forte para disputa pela Prefeitura de Salvador. O senhor já se reuniu com o deputado estadual Isidorio Filho para tratar de uma possível união com o deputado federal Sargento Isidoro (Avante). É possível um bloco com Podemos, Avante, PP e PSD já na disputa do primeiro turno?

Nós estamos conversando com todas as forças que dão sustentação ao governador Rui Costa, essa foi uma orientação do próprio governador. O governador fez duas recomendações: que fóssemos para a rua, que gastássemos a sola do sapato e que conversássemos entre nós que apoiamos o governador. E aí, são quatro partidos da base do governador, além deles eu também tenho conversado com o PSD, com o PCdoB e com o PDT. São quatro partidos grandes e importantes em Salvador, então ter uma união logo no primeiro turno dos quatro, eu acho difícil. Os nossos líderes, tanto o governador Rui Costa, quanto o senador Wagner têm defendido três candidaturas. Uma candidatura do PT, por ser um partido majoritário, partido hegemônico no estado. Uma segunda de centro-esquerda, que poderia sair nesse bloco PP, PSD e Podemos, e uma a mais com características populares, que seria a candidatura do Avante. Pela minha história na cidade, eu fui vereador por quatro mandatos, fui presidente do Instituto de Previdência, fui secretário de Educação, duas vezes deputado estadual bem votado na cidade, duas vezes deputado federal. Na última eleição, eu fui o segundo deputado federal mais votado em Salvador, então há um clamor vindo dos bairros, no sentido que eu seja candidato. Acho que meu nome leva uma grande vantagem, primeiro por isso, por conhecer a cidade, segundo por eu ter a coragem de enfrentar o maior problema dessa cidade, que é a desigualdade social. Salvador é a capital com os maiores índices de desigualdade social no Brasil. Terceiro, a minha experiência administrativa, a minha experiência política e a abertura que eu tenho para conversar com todas as forças. Para a gente fazer a grande revolução administrativa na cidade de Salvador, nós precisamos do candidato que tenha experiência política, experiência administrativa, que tenha condições de conversar com esse amplo arco de forças que militam na cidade. Eu acho que nós temos isso, eu tenho a compreensão que nós precisamos enfrentar uma falsa ideologia que foi criada nessa cidade, a ideologia da ilha da fantasia. Como se isso aqui fosse um oásis no meio do deserto, só para festas, só para sol, só para festival de verão, festival da virada, carnaval de não sei quantos dias, São João, tudo é motivo de uma festa. E quando a gente entra um quilômetro de distância da orla da praia, a gente vê a miséria. 750 mil pessoas nesta cidade vive abaixo da linha de pobreza, recebem menos de 140 reais por dia. E eu quero uma cidade aprazível, mas primeiro para o morador da cidade. O primeiro turista que nós temos que cuidar nessa cidade, é o turista interno, o turista local, depois nós vamos cuidar desse importante segmento que é o turismo. Mas ninguém vem para uma cidade, onde os moradores estão infelizes, onde os moradores vivem em condições subnormais. Eu não posso negar que o prefeito atual organizou a cidade, avançou, fez obras importantes, mas é um prefeito do concreto, é um prefeito que não cuida. É uma administração que não cuida das pessoas, é uma administração voltada para as grandes obras, algumas até de péssimo gosto arquitetônico. Uma cidade que faz um festival da virada maravilhoso com cantores com cachês que beiram aí mais de um milhão de reais. Com palcos que nenhum show de rock no mundo tem igual, mas que na hora que chove alaga, porque o povo não é prioridade. Na hora que chove, acaba com toda mercadoria do ambulante, porque o povo não é prioridade. Uma administração que constrói um Centro de Convenções bonito, importante, necessário, mas que esquece de botar um ponto de ônibus. O morador da Boca do Rio tem que andar dois quilômetros para pegar um ônibus, porque não se preocupa com gente. Uma administração que você chega no setor de arrecadação da prefeitura, se for lá eu e você, formos agora lá, em cinco minutos vão lhe dizer quantos metros seu imóvel mede, quanto você está devendo, o que você deve pagar. Em cinco minutos, lhe dão com ar-condicionado, com funcionários bem treinados, a máquina de arrecadação funciona. Aí a gente sai e vamos visitar um posto médico, chega lá, leva seis horas para ser atendido por um médico. Se constrói um hospital municipal, os serviços são de péssima qualidade. Um hospital bonito, com a equipamentos, mas não tem médico. Então, a gente precisa mudar isso, precisa acabar com essa cultura de concreto. Nós somos uma das cidades que sofrem os maiores alagamentos no Brasil, porque nós estamos impermeabilizando a cidade. E o prefeito atual aumentou a área de impermeabilização com as obras dele que são só concreto. O Rio Vermelho nunca teve alagamento ali na Mariquita, hoje qualquer chuva alaga tudo, porque é tudo concreto. Não tem por onde a água ir, não há um plano de reparação pelos danos ambientais causados, não há um plano de drenagem na cidade. Todo mundo sabe quanto o prefeito investe em publicidade, mais de 400 milhões de reais em publicidade. Mas quanto é que investe em drenagem da cidade? Por que não procurar soluções criativas com os jardins de chuva? Tão famosos hoje já nos Estados Unidos, na Europa e até em algumas cidades da África, são as calçadas com jardim de chuva para que a água que caia tenha um lugar para penetrar no lençol freático. Aí vem com a desculpa de que 'Ah! Choveu dessa vez como nunca choveu na cidade', mas de agora em diante vai ser pior ainda com a questão do aquecimento global, com a questão dos efeitos climáticos. Mesmo que os bolsonaristas digam que não existe isso, mas nós estamos sentindo aqui cada vez mais. Salvador sofrerá chuvas torrenciais cada vez em maior quantidade, e não há um plano para enfrentar isso. Então, a gente vem com isso, com muita determinação para governar com o povo. Eu tenho repetido uma frase que parece ser uma frase clichê, uma frase arcaica, 'eu quero governar com o povo, para o povo e pelo povo'. E não é uma frase arcaica, porque nunca foi empregada. E nós vamos fazer isso em Salvador, com essa força que eu tenho e que vem dos bairros da cidade.'

Você tocou em um aspecto interessante, fez uma avaliação aí sobre a cidade. Queria que você falasse sobre os pilares do governo Bacelar. Você sendo eleito, quais serão os principais objetivos de sua gestão que deverão ser incrementados aí já a partir de 2021.

Participação popular do governo. Retomaremos o orçamento participativo com o povo dizendo onde vamos aplicar os recursos da prefeitura. Economia popular, os bairros dessa cidade têm uma capacidade econômica muito grande. É preciso que a prefeitura vá e incentive um pequeno comerciante, um pequeno prestador de serviço, a baiana do acarajé. Eles não entram nos grandes bancos da Pituba, nem nos grandes bancos do Comércio. Mas eu vou criar cooperativas de crédito popular, banco popular. Vamos ter 21 cooperativas de crédito na cidade, emprestando, inicialmente, de R$ 500 até R$ 5.000. E à medida que esse prestador de serviço que esse ambulante vai pagando, sem burocracias, sem fiador, o crédito dele vai aumentando, então nós vamos focar muito na economia solidária, na economia popular. Não posso esquecer do turismo, aí com um trade forte, um trade que já tem uma vocação muito grande para atividade, mas também para o turismo voltado para dentro dos bairros. Aproveitar as riquezas populares e culturais do bairro. Por que não desenvolver o Abaeté?. Por que não desenvolver o entorno dos terreiros de candomblé com lojas vendendo comidas típicas ou lojas vendendo produtos típicos. Enfim, uma economia solidária. Transformar Salvador numa cidade educadora, nós temos dois grandes exemplos grandes educadores, um baiano Anísio Teixeira e o outro nordestino Paulo Freire. Nós vamos fazer de Salvador a capital do Brasil em educação. Nossas crianças chegam aos oito anos de idade analfabetas, nossos jovens de 17 anos abandonam a escola, não têm incentivo. Nós vamos implantar a educação integral, do tempo integral. E a segurança, a prefeitura tem um papel fundamental na segurança, vamos implantar uma segurança comunitária. Comigo na prefeitura não vou permitir toque de recolher, nem que polícia entre nos bairros populares quebrando a porta da casa do trabalhador, batendo no trabalhador, sendo desrespeitosa com o morador. E como é que a gente faz isso? Com os conselhos populares, Bogotá conseguiu fazer isso, São Paulo tem conseguido fazer isso, e por que nós não vamos conseguir? Enfim, meu plano de governo sairá dos bairros, sairá das forças que vem dos bairros, sairá do povo. Mas esses são alguns parâmetros de administração, essa questão do alagamento. Vou acabar com os alagamentos da cidade de Salvador, o alagamento que leva o carro do cara da classe média embora. O alagamento que invade o comércio, que deteriora os produtos, o alagamento que leva a água tóxica para a casa do trabalhador, não acontecerão comigo.

Deputado, vamos falar agora sobre o diálogo com o principal nome da oposição que é o governador Rui Costa, o senhor já sentou com o governador para apresentar a perspectiva do Podemos para 2021? Ele já sinalizou também se vai fazer uma reunião com todos esses partidos da base que estão postulando candidaturas?

Várias vezes. Eu tenho trabalhado para ser o candidato do governador Rui Costa ou um dos candidatos do governador Rui Costa, se a opção dele for por três candidaturas. O governador tem acompanhado. Esse ano já tive duas reuniões com o governador sobre isso, todos os outros partidos, os presidentes dos partidos também estiveram com o governador, já conversaram. Já conversei também com o senador Wagner, vou conversar com o vice-governador João Leão. Nós temos trabalho, nós temos um processo mais difícil, um processo mais demorado, porque nós somos várias forças. Nós não temos uma única liderança que escolhe e diz o que quer e acabou. Nosso campo são de várias grandes lideranças, e isso é um processo mais trabalhoso, mas também, com certeza, é um processo mais democrático. É um processo no qual produzirá um candidato ou candidatos bem melhores para enfrentar os problemas de Salvador.

O governador Rui Costa apresentou à cidade o nome da major Denice. O PT trabalhava com quatro candidaturas criadas dentro do partido. O governador escolheu alguém de fora, assim, gerou um mal-estar dentro e fora do partido. O senador Angelo Coronel chegou a ir a público questionar o porquê da escolha de uma policial militar, se é algum descrédito com a política, se ele achava que os políticos tradicionais não representariam bem esse papel. Temos visto uma onda de pessoas de fora da política ganhando espaço, aqui do lado tem Zema governador de Minas Gerais. O que o senhor acha da escolha da major Denice?

Primeiro, eu não gostaria que o Éden Valadares (presidente do PT) opinasse sobre a candidatura do Podemos. Então, eu não tenho o direito de opinar sobre uma candidatura escolhida pelo PT, primeira coisa é essa. Segundo, os exemplos que você deu aí vindo de fora da política, são um desastre da administração. Então, eu também eu não quero trabalhar com essa hipótese. A candidata foi uma opção do PT, ou está sendo uma opção do PT. O PT deve ter os seus motivos de ter escolhido esse nome ou venha a escolher esse nome. Eu espero que ela venha se somar aos outros dois candidatos da base do governador e nós, mesmo sendo adversários, a gente apresente propostas que no segundo turno possam se juntar, propostas que no segundo turno possam ser aglutinadas.

Vocês pretendem ter uma reunião com a major? Já foi sinalizado isso com o governador, ou o próprio PT ficou de apresentar essa candidatura para a base?

Não. Eu, sinceramente, eu não conheço a major. Mas isso logo depois que o PT indicar, nós vamos sentar e conversar. Com Isidório, com Olívia, com Angelo Coronel, com Niltinho, com Lídice, esse processo é mais fácil porque nós já temos uma história de caminhada juntos. Com Lídice e o senador Angelo Coronel, é mais ainda, porque estamos em Brasília. Ontem, estávamos na mesma sessão do Congresso Nacional. Mas acredito que teremos também um bom dialogo com a major.

Vamos falar sobre o Podemos. Como está a articulação no estado, há cidades prioritárias que o partido defende candidaturas com nomes fortes ao projeto de expansão? E, no caso de Salvador, quantas cadeiras o Podemos trabalha preencher na Câmara?

Nós temos grandes municípios que chamam mais atenção. O Podemos tem, em Feira de Santana, o ex-deputado Carlos Geilson. Tem, em Paulo Afonso, Anilton Bastos, o grande prefeito da história de Paulo Afonso. Temos, em Alagoinhas, o vereador João Henrique. Em Irecê, Luizinho Sobral. São candidaturas, por serem de municípios maiores, que chamam mais atenção. Mas também estamos presentes em Cardeal da Silva, em Serra Preta, em Tanquinho, em Belmonte, em Almadina, enfim. Nós estamos espalhados por todo o estado. E, com certeza, vamos ter grandes candidaturas na região metropolitana, em Catu, entre outras. Este número não está atualizado, mas nós temos, no momento, 80 pré-candidaturas a prefeito na Bahia. Em Salvador, além da minha candidatura a prefeito, nós, talvez, sejamos um dos três partidos com maior penetração na cidade. Aqui, é um partido que tem organicidade na cidade, nós estamos no movimento sindical, estamos no movimento LGBT, no movimento habitacional, estamos no terceiro setor, no movimento étnico, no movimento jovem. Nós estamos presentes em todos esses segmentos. Temos, agora, a luta contra a gordofobia, nós temos uma pré-candidata a vereadora que é a líder nacional do movimento contra a gordofobia. Nós temos uma inserção, também, muito forte entre os cuidadores de animais. Nós temos tradição de formar grandes bancadas, já elegemos três vereadores, quatro vereadores, seis vereadores. E esperamos repetir essa performance de eleger seis vereadores.

Em Brasília. O deputado é o coordenador da frente parlamentar mista que analisa o projeto da alteração da legislação dos jogos no Brasil, um tema muito polêmico. Eu queria saber como é que está essa postura para aprovação desse texto, lembrando que a gente tem do outro lado um lado muito forte da bancada evangélica que já se posicionou contrário a esse texto e tem cobrado ao próprio presidente Bolsonaro para que ele articule e isso seja derrubado, já que é um governo de valores e o tema pode induzir o cidadão ao vício.

Eu vivo em um país que tem 14 milhões de desempregados. Moro em uma capital que é a capital do desemprego. Um país em que a economia patina e há mais de 20 anos não tem crescimento. Estamos perto de uma estagnação. Como é que um país desse pode abrir mão de um segmento econômico que vai gerar R$ 20 bilhões em impostos, que vai regularizar 450 mil trabalhadores do jogo do bicho. O jogo do bicho, hoje, tem 450 mil anotadores no Brasil que não têm INSS, que não têm FGTS, não têm décimo terceiro, que não têm garantia nenhuma. Então não tem racionalidade econômica que defenda a não legalização dos jogos. Por outro lado, no mundo desde que o homem vive em sociedade só tem duas opções, jogo legal e jogo ilegal. A hipótese não jogo não existe, em todas as sociedades tem jogo, e em nenhum país desenvolvido, seja do ponto de vista social, econômico ou político, o jogo é proibido. Em todos os países desenvolvidos do mundo, o jogo é permitido. Jogo só é proibido em um país comunista, Cuba, ou em alguns países árabes por questões religiosas. Alguns. Porque no Marrocos, que é muçulmano, o jogo é permitido. Então, é uma hipocrisia. Hoje, no Brasil, os jogos online movimentam R$ 3 bilhões por ano, sem segurança e sem impostos sobre isso. 300 mil brasileiros saem do Brasil todo ano para jogar no Uruguai, na Argentina e em Portugal. Tudo isso são recursos que estão indo embora, e essa hipótese do vício, a ludopatia, que é a doença do vício do jogo é 1%. Um alcoolismo é 10%, e ninguém fala em acabar com a venda do álcool. Então, são argumentos que não se sustentam. O controle que se tem hoje do jogo eletrônico já pode impedir que entre no casino um viciado. Aquele jogador que vai muito, que o cassino nota que começa a se viciar, o cassino bloqueia a entrada dele. Outra coisa perigosíssima: se nós não legalizarmos os jogos, nós estamos entregando os jogos as milícias e ao tráfico. O que já ocorre em pequena escala no Rio de Janeiro. A gente tem que trazer para a luz do sol, para a luz do dia. No jogo tudo que é nebuloso, favorece a corrupção. Então, é um instrumento que nós temos. A sociedade é favorável. Numa pesquisa que nós realizamos no Congresso, 55% dos deputados federais são favoráveis. A proposta está pronta para ser pautada e, com certeza, em breve, o jogo será legalizado no Brasil.

Você sentou com o presidente da Casa para estabelecer uma data, dos dias que primeiro semestre, segundo semestre.

Um grande problema que nós temos é a concepção do presidente Rodrigo Maia sobre a legalização dos jogos. O deputado Rodrigo Maia dá a entender que é favorável a legalização dos cassinos, mas eu não posso aceitar isso. Eu não posso aceitar abrir o mercado brasileiro para um empresário americano, para o grande capital internacional, e não legalizar por exemplo, um jogo do bicho, que é um produto genuinamente nacional. Vou apresentar um projeto, inclusive, transformando o jogo do bicho em patrimônio imaterial do povo brasileiro. O Brasil tem três coisas que são genuínas e criadas por nós, o samba, a cachaça e o jogo do bicho. Eu não posso destruir isso que está arraigado na alma do brasileiro. Vá em qualquer esquina de Salvador, para ver se não está lá um anotador, anotando uma ‘fézinha’ no jogo do bicho. Isso é hipocrisia. Isso não é questão religiosa. A religião pode dizer aos seus adeptos que não joguem, mas a religião não pode me dizer o que eu faço. O Estado não pode dizer, quanto mais a religião. Não é o Estado que vai me dizer o que eu faço com o meu tempo livre. Com o meu tempo livre, eu posso ler, posso ver o Bahia jogar, posso ir para a praia, posso dormir, posso não fazer nada e posso jogar. Não cabe ao Estado, nem à religião disciplinar esse assunto.

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