Embaixador nos EUA comemorou doação de cloroquina ao Brasil; 'Habemus hidroxicloroquinam'

Publicado segunda-feira, 14 de junho de 2021 às 18:37 h | Atualizado em 14/06/2021, 18:44 | Autor: Da Redação

Atual embaixador do Brasil em Washington, Nestor Forster, comemorou, em maio do ano passado, a doação de 2 milhões de comprimidos de hidroxicloroquina ao Brasil pelo governo dos EUA. A informação foi repassada à CPI da Pandemia, que investiga a promoção do medicamento ineficaz para o tratamento da Covid-19.

Segundo informações do G1, em outubro e novembro, o governo gastou mais de R$ 23 milhões em propaganda do tratamento com medicamento sem eficácia. De acordo com a publicação, Forster recebeu a confirmação da liberação dos comprimidos de Amy S. Radetsky, diretora para Brasil e Cone Sul do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca.

"Nestor, boas notícias — conseguimos obter as autorizações legais para enviar os 2 milhões de doses. Estamos tentando, mas não podemos confirmar se podemos enviar hoje à noite, sujeito à disponibilidade do avião", disse Radetsky em e-mail a Forster, conforme o G1.

Ao encaminhar por e-mail as informações ao ex-secretário de Comércio Exterior e Assuntos Econômicos do Itamaratya, Norberto Moretti, comemorou a distribuição. "Caro Norberto, Habemus hidroxicloroquinam!", escreveu em 29 de maio de 2020.

Naquele momento, o uso do medicamento já havia sido desaconselhado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A doação de cloroquina do governo dos EUA, então comandado por Donald Trump, chegou a ser anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro dois dias antes.

Em 31 de maio, o ex-ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, anunciou o recebimento do medicamento. Em junho, a agência sanitária dos EUA cancelou a permissão do uso de hidroxicloroquina para tratamento da Covid-19, porém, ao ser questionado se manteria doações de cloroquina ao Brasil e outros países, Donald Trump respondeu que "sim".

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