Fim das prévias do PSDB divide opiniões e deputado baiano ameaça deixar partido

Publicado quarta-feira, 01 de dezembro de 2021 às 14:34 h | Atualizado em 01/12/2021, 14:41 | Autor: Lucas Franco

A vitória do governador de São Paulo, João Doria, nas prévias do PSDB, que definiu o pré-candidato do partido para a eleição presidencial de 2022, deixou insatisfeito o deputado estadual David Rios, que disse esperar a janela partidária para se retirar do partido sem ter problema com a Justiça Eleitoral.

“Há muito tempo não me sinto mais PSDB, sobretudo com os rumos tomados pela atual direção do partido na Bahia”, disse. A maior crítica ao partido feita pelo deputado é ao que ele chama de “relação íntima ao bolsonarismo”, embora ele tenha votado na prévia e disse ter enxergado a importância desta como processo para escolher, de maneira democrática, um pré-candidato para a Presidência. “Um partido fragmentado e sem norte, todos olhando para seu próprio umbigo. Tarefa difícil será a do vencedor das urnas, reunificar os ideais do partido”, afirmou.

O discurso de David Rios tem contraponto dentro do PSDB da Bahia. Para o deputado estadual Tiago Correia, o conceito de “bolsonarizar” é usado de maneira equivocada para se referir a quem vota, em Brasília, com o governo federal em algumas pautas. “Não acho razoável criticar por criticar ou para marcar uma posição de oposição. Então, eu considero um discurso pequeno e atrasado, que reflete uma política feita com o fígado, na qual os interesses pessoais estão acima dos interesses da população”.

Vereador de Salvador, Daniel Alves admitiu ter votado no pré-candidato Eduardo Leite nas prévias e concorda com Correia. “O fato de votar em algumas ou várias pautas do Executivo [federal] não faz do parlamentar um bolsonarista. Na minha opinião, esse tipo de rotulação só é prejudicial para o debate. Temos que pensar as políticas públicas acima desses rótulos”, comentou o vereador, que disse enxergar como positiva a liberdade de parlamentares votarem como julgam melhor. “Em outros casos é necessário que votemos em bloco. Mas se você discorda de 99% das propostas apresentadas pelo governo [federal], e concorda com 1%, não faz sentido ser chamado de bolsonarista”, conclui.

Após a vitória de Doria nas prévias, o pré-candidato derrotado Eduardo Leite tem conversado com representantes de outros partidos. Em entrevista à CNN Brasil esta semana, o governador gaúcho disse que se encontrará com o pré-candidato Sérgio Moro (Podemos), neste sábado, 4. Moro, que se filiou recentemente ao Podemos, já teve conversas com o presidente nacional do Democratas, ACM Neto. O DEM, que se fundirá ao PSL e passará a se chamar União Brasil, ainda não se posicionou oficialmente sobre pré-candidatura própria ou apoio a alguma pré-candidatura à Presidência da República. No entanto, a deputada federal Dayane Pimentel (PSL) declarou em suas redes sociais que aceitou fazer a campanha de Moro na Bahia. O próprio vencedor das prévias do PSDB não descartou aliança com Moro.

Para Correia, ainda é cedo para fazer avaliações sobre um possível rumo de candidatos classificados pelos tucanos como representantes da terceira via. “As costuras vão começar a ser feitas a partir de abril do ano que vem, muita coisa vai acontecer. O que esperamos é que o debate seja ampliado, e que as propostas sejam apresentadas para buscar uma união que possa apresentar uma chapa capaz de vencer as eleições”, disse o deputado estadual. 

Alves, por sua vez, enxerga que o mais importante é oferecer uma candidatura competitiva em um cenário com projeção, até o momento, de segundo turno entre Lula (PT) e Bolsonaro (PL). “Ao sentar em uma mesa de negociação, devemos estar dispostos a fazer concessões quando necessário, e com isso precisamos analisar qual o nome do cenário político representa a melhor via e tem as melhores chances. A escolha deve ser convicta, mesmo que esse nome não seja necessariamente do PSDB”, disse o vereador.

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