Lira afirma que CPI da Covid "é um erro" neste momento

Publicado terça-feira, 22 de junho de 2021 às 10:10 h | Atualizado em 22/06/2021, 10:24 | Autor: Da Redação

O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), afirmou, nesta segunda-feira, 22, em em entrevista ao jornal O Globo, que, neste momento, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 no Senado é um erro. Lira questionou ainda se a compra antecipada de vacinas da Pfizer pelo governo resolveria os problemas da pandemia.

“Neste momento, a CPI é um erro. A guerra está no meio. Como é que você vai apurar crime de guerra no meio da guerra? Como vai dizer qual é o certo? Até dois meses atrás, o Chile era a nossa referência. Como está hoje? Por que está desse jeito se já vacinou 60%, 70%? No combate à pandemia, não tem receita de bolo pronta. Você não sabe qual variante (predomina), se fica ou sai de lockdown. A CPI polarizou politicamente e não vai trazer efeito algum, a não ser que pegue alguma coisa”, disse o deputado, que revelou que não acredita que a CPI esteja apontando caminhos importantes.

“Não. Participei das conversas com a Pfizer, numa reunião em fevereiro com o Rodrigo Pacheco, o (Paulo) Guedes, o general (Luiz Eduardo) Ramos e o presidente Bolsonaro. Naquela época, não tinha autorização da Anvisa e achavam que o contrato era leonino. O que dissemos? Se tem dinheiro, se tem empenho, se o mundo todo está assinando esse contrato… Então, faça. Do dia em que a Pfizer propôs ao dia em que o governo fez (o contrato), se não errei as contas, alteraria em três milhões de doses (a mais). É muita dose. Ajudaria muita gente. Mas resolveria o problema da pandemia?”, questiona.

Depoimento

A CPI  ouve nesta terça-feira, 22, o deputado Osmar Terra (MDB-RS), ex-ministro da Cidadania. Terra é apontado como integrante do suposto “gabinete paralelo” que teria orientado o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no enfrentamento à pandemia do novo coronavírus. O deputado é ouvido na condição de convidado.

A participação de Osmar Terra no suposto gabinete foi citada pela primeira vez em maio, durante depoimento do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta à CPI. Na ocasião, Mandetta afirmou que “outras pessoas” buscavam desautorizar orientações do Ministério da Saúde ao presidente, incluindo Terra.

Além disso, em reunião realizada em setembro de 2020 com a presença do presidente da República, o parlamentar foi apresentado como “padrinho” de um grupo de médicos que apoiavam o uso de remédios sem eficácia contra a covid-19. 

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