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Mudança na diretoria pode facilitar divulgação de balanço da Petrobras, diz Fitch

Publicado quarta-feira, 04 de fevereiro de 2015 às 18:59 h | Atualizado em 19/11/2021, 06:37 | Autor: Fátima Laranjeira | Estadão Conteúdo
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A escolha de um novo representante legal após o anúncio, nesta quarta-feira, 4, de mudanças na diretoria da Petrobras pode ajudar a empresa a superar obstáculos na divulgação de seus demonstrativos financeiros, de acordo com avaliação da Fitch Ratings. "A mudança tem o potencial de auxiliar a companhia no processo de recuperação de credibilidade em relação às suas práticas contábeis", informa a agência de risco.

Segundo a Fitch, a nomeação de um gestor (ou gestores) sem vínculo anterior com a companhia e com o governo brasileiro - e alheios ao escândalo de corrupção - pode auxiliar a emissão de demonstrativos financeiros não auditados. Para a agência, um dos impedimentos diz respeito à necessidade de os auditores da Petrobras retomarem a confiança na atual administração e nos controles internos da companhia.

A estatal informou que além da presidente, Graça Foster, outros cinco diretores apresentaram renúncia. A nova diretoria será eleita em reunião do conselho de administração na próxima sexta-feira.

Na avaliação da Fitch, a capacidade de a Petrobras estimar e registrar ajustes em seus ativos fixos, bem como de certificar demonstrativos financeiros auditados dentro do prazo estabelecido, foi prejudicada pelas denúncias de corrupção e pela dimensão da potencial baixa de ativos.

"Um atraso na divulgação dos demonstrativos financeiros de final de ano, posterior à exigência de 120 dias pelos covenants da Petrobras, pode abrir caminho para os credores acelerarem o pagamento da dívida. A falta de clareza prolonga as incertezas sobre a capacidade de a empresa realizar os ajustes necessários para atender aos covenants mencionados."

Para a Fitch, encontrar um candidato disposto e qualificado para assinar os demonstrativos da Petrobras "será desafiador", tendo em vista que o grupo de possíveis aspirantes é relativamente restrito.

"A seleção de novos nomes precisará ser externa, sem que haja vínculos anteriores com a companhia, mas os executivos devem estar dispostos a aceitar potenciais riscos legais, sem qualquer compensação legal. Encontrar substitutos que não estejam politicamente vinculados também pode ser difícil, tendo em vista o controle do governo e seu histórico de interferências na Petrobras nos últimos anos."

Risco

No último dia 3, a Fitch rebaixou os IDRs (Issuer Default Ratings - Ratings de Probabilidade de Inadimplência do Emissor) em moedas estrangeira e local da Petrobras e os ratings da dívida em circulação da empresa para BBB-, de BBB.

Ao mesmo tempo, colocou o Rating Nacional de Longo Prazo e todos os ratings internacionais da companhia em observação negativa. Estas ações afetaram cerca de US$ 50 bilhões de emissão de dívida, incluindo as emitidas pela Petrobras International Finance Company e pela Petrobras Global Finance, que a empresa garante incondicional e irrevogavelmente.

"A agência acredita que os ratings da Petrobras continuam apresentando risco elevado, uma vez que a dívida da empresa pode ser acelerada se ela não conseguir publicar as demonstrações financeiras auditadas de final de ano dentro do prazo de 120 dias após o término do período, acrescido de carência de sessenta dias." A Fitch ressalta que, sem as demonstrações financeiras auditadas, a empresa perde acesso aos mercados de dívida.

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