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Oposição não pressiona, Silvio nada esclarece e PT comemora

Publicado quarta-feira, 10 de maio de 2006 às 19:00 h | Atualizado em 10/05/2006, 19:00 | Autor: Agência Reuters
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A ida de Silvio Pereira à CPI dos Bingos nesta quarta-feira frustrou as expectativas da oposição de arrancar do ex-dirigente do PT novidades sobre o chamado "mensalão" e de imprimir no presidente Luiz Inácio Lula da Silva a marca de principal petista envolvido no esquema que atingiu figuras históricas do partido.



Representantes do governo no Senado comemoraram o fato de Silvinho, como é conhecido entre petistas, levantar dúvidas sobre a entrevista que ele mesmo concedeu ao jornal "O Globo" no último fim de semana. Ao impresso carioca, ele revelou que o objetivo do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza era arrecadar 1 bilhão de reais em lobby para empresas junto ao governo.



"Está muito bom do ponto de vista político, acho que a oposição errou ao jogar todas as fichas nesse escândalo", afirmou o senador Tião Viana (PT-AC). "As denúncias, do ponto de vista jurídico, não significam nada, são bolhas de sabão", disse.



Os partidos oposicionistas reuniram-se na terça-feira para traçar uma estratégia de comportamento na comissão de inquérito. Avaliaram que, com a entrevista, poderiam atrair Silvio Pereira e usá-lo contra o governo. Decidiram, portanto, ser pacientes durante o depoimento e formalizar um pedido de proteção policial.



Não houve pressão, nem clima agressivo, comuns em depoimentos importantes. Mas Silvinho nada esclareceu. Negou-se a assinar o termo de responsabilidade comprometendo-se a não mentir e alegou não saber mais "o que há de verdade" no que disse ao jornal.



"O depoimento foi uma imolação, uma tentativa de ganhar tempo para tentar mostrar que o presidente Lula não sabia de tudo", afirmou o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM).



O ex-secretário-geral do partido chegou, inclusive, a defender o presidente Lula e garantiu: vota nele para a reeleição.



"Acho que não é o último suspiro (da CPI), mas é um soluço que não tem repercutido nas pesquisas eleitorais como eles (a oposição) querem. A oposição tem de se convencer e se preparar para enfrentar o debate eleitoral. Tentar retomar crises, não vai resolver", alfinetou a líder do PT, senadora Ideli Salvatti (SC).



PFL e PSDB devem se reunir nas próximas horas para decidir se forçam ou não a abertura de um novo inquérito parlamentar, desta vez para apurar o teor da entrevista.



"Ele não falou nada. Nós devíamos ter interrompido o depoimento. Vou propor uma acareação dele com Marcos Valério. Se os governistas argumentarem que a proposta foge do foco, a gente propõe uma nova CPI", ameaçou líder do PFL, senador José Agripino (RN).



ABANDONO



Parlamentares, inclusive alguns ligados ao Palácio do Planalto, avaliam que Silvio Pereira usou a entrevista para dar um recado ao PT de que se sentia abandonado após ter sido apontado como um dos operadores do chamado "mensalão". Ele afirmou ter perdido o contato com seus antigos companheiros de legenda.



"Deve ter havido alguma pressão e ele resolveu não falar. Devem ter sido os seus companheiros", afirmou o relator da CPI, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).



O peemedebista apresentará à CPI pedido para ouvir Marcos Valério, Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) e a jornalista de "O Globo" Soraya Aggege, para aprofundar as investigações.



"O Silvio Pereira sabe mais do que disse", observou Alves. Ele discorda da tese de criar uma nova CPI.



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