Sócio de intermediária da Covaxin não responde intimação e CPI pretende solicitar condução coercitiva

Publicado terça-feira, 22 de junho de 2021 às 11:40 h | Atualizado em 19/11/2021, 12:18 | Autor: Da Redação

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 decidiu solicitar a condução coercitiva de Francisco Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos, caso ele não compareça ao depoimento marcado para a próxima quarta-feira, 23. O empresário ainda não respondeu a notificação de convocação para prestar depoimento na comissão.

A CPI espera ouvir de Francisco Maximiano, o motivo do Brasil ter investido mais de R$ 1 bilhão no imunizante Covaxin, um valor 1000% maior ao solicitado pelo laboratório indiano Bahrat Biotech. Com isso, a comissão quer investigar um suposta favorecimento a Precisa Medicamentos, intermediária na negociação.

"A gente já começa a perceber que houve um certo favorecimento em relação à Precisa, com preço exorbitante. E o tempo de aceitação dela foi muito rápido, então, se acabou aceitando muito mais rápido a Precisa do que, por exemplo, a Pfizer, com valores quase que o dobro do valor da Pfizer", disse a senadora Elizane Gama (Cidadania-MA).

De acordo com a CPI, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) esteve pessoalmente ligado nas negociações para agilizar a compra do imunizante, enquanto ao mesmo tempo, não respondia ou facilitava negociações com a Pfizer e o Instituto Butantan.

“Foi a única aquisição que teve um telefonema do presidente da República para o primeiro-ministro, indicando para primeiro-ministro a preferência do Brasil pela aquisição da Covaxin com todos esses problemas. E, além do mais, foram colocados na Câmara dos Deputados, naquele projeto de lei que autorizou aquisição de vacinas pela iniciativa privada, por empresários, a possibilidade de compra da Covaxin”, disse o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL).

Além de Francisco Maximiano, a CPI também investiga Alex Lial Marinho, ex-coordenador-geral de Aquisições de Insumos Estratégicos para Saúde do Ministério da Saúde. Os senadores decidiram pedir a quebra dos sigilos de Lial Marinho após um servidor do Ministério da Saúde afirmar em depoimento ao Ministério Público Federal, que sofreu pressões "anormais" para superar entraves da Covaxin na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Após negar a importação de 20 milhões de doses da vacina em março, alegando controle de qualidade e segurança na fabricação, a Anvisa aprovou no início de junho, a importação do imunizante com restrições a apenas 1% da população. Ainda não há data prevista para a chegada da vacina indiana ao Brasil.

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