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Valerioduto arrecadaria R$ 1 bilhão, diz Silvio Pereira

Publicado sábado, 06 de maio de 2006 às 19:15 h | Atualizado em 06/05/2006, 19:15 | Autor: Agencia Estado
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O ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, quebrou o silêncio de um ano e revelou detalhes das ligações do partido com o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, pivô do escândalo do mensalão, denunciado pelo deputado Roberto Jefferson (PTB). "O plano era faturar R$ 1 bilhão. Em quatro áreas: Banco Econômico, Banco Mercantil de Pernambuco e Opportunity (...) O quarto ponto eu não sei bem, mas eram uns passivos na área de agropecuária", declarou.

Em dois dias de conversas com a repórter Soraya Aggege, de O Globo, em entrevista publicada hoje, Silvinho, como o petista é conhecido, disse que ele e o ex-tesoureiro Delúbio Soares eram comandados por pessoas mais influentes; isentou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de participação no esquema, mas salientou que quem mandava no partido era a cúpula do PT.

"Eu nunca me reuni com empresários. Sempre fui da organização partidária. Quem mandava? Quem mandava eram Lula, (José) Genoino, (Aloizio) Mercadante e Zé Dirceu. Eu não estava à altura desse time", disse o ex-secretário. Ele ainda contou que telefonou para o presidente do PT, Ricardo Berzoini, colocando-se à disposição para dar mais informações, mas não foi ouvido. Segundo ele, os recursos injetados no PT, para campanhas do partido e do aliado PTB, vieram de empresas interessadas na permuta de contratos com o governo e em garantir a aprovação de emendas de parlamentares, mas não revelou quais.

"Empresas. Muitas. Não vou falar nomes (...) Elas se associam em consórcios, combinam como vencer (licitações). O Delúbio começou a usar o Marcos Valério para pagar as contas (...) O que aconteceu é que o Delúbio perdeu o controle. Ele só sabia de três ou quatro deputados do PT (...) Tudo o que foi sacado (do Banco Rural) não tinha a ver com o Delúbio. Há muita hipocrisia".

A entrevista, publicada hoje no jornal O Globo, foi feita em dois dias e apenas parte dela foi gravada. Silvio Pereira deu algumas informações confusas e, às vezes, contraditórias. A intenção era mostrar como vive um dos protagonistas do escândalo, um ano depois. Ao saber da divulgação integral de suas declarações, ele se desesperou e ameaçou se matar. "Vão me matar. Eles vão me matar, você não entende. Tem muita gente importante envolvida nisso", gritava.

Silvinho - que no ano passado viu sua situação piorar ao ser revelado que ganhara um jipe Land Rover de R$ 73 mil do empresário César Roberto Santos Oliveira, da GDK, empresa que venceu algumas licitações da Petrobras - disse que cabia a ele a intermediação junto ao governo eleito na distribuição de cargos aos partidos aliados. "Tinha um descontentamento muito grande do PTB", revelou.

O ex-secretário-geral do PT revelou, também, que um acordo teria sido fechado com Marcos Valério logo após a revelação do escândalo do mensalão. De acordo com Silvio Pereira, Valério teria três opções: contar tudo o que sabe sobre o envolvimento de outros partidos e empresas e "derrubar a República"; ficar calado e ser assassinado como PC Farias (ex-tesoureiro do ex-presidente Fernando Collor) ou fazer revelações parciais. O PT, segundo ele, ficou com a última opção.

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