Exército defendeu comprar insumos da cloroquina 167% mais caros para "produzir esperança"

Publicado terça-feira, 22 de dezembro de 2020 às 19:47 h | Atualizado em 22/12/2020, 19:49 | Autor: Da Redação

Para “produzir esperança para corações aflitos” e uma suposta crescente demanda internacional por cloroquina foram as justificativas do Exército para ter pago 167% a mais pelo principal insumo para produção do medicamento, de acordo com ofício enviado ao Tribunal de Contas da União (TCU), que investiga uma suspeita de superfaturamento na negociação.

O ofício foi enviado ao TCU no final de julho deste ano e tornado público agora, depois de demanda da agência de dados públicos Fiquem Sabendo, com base na Lei de Acesso à Informação (LAI). O próprio Exército reconhece no ofício que não há eficácia comprovada do uso de cloroquina no tratamento para Covid-19.

Ainda assim, justificou o Exército, a compra dos insumos e a produção do medicamento teria sido uma decisão para agir “proativamente” e responder às “prementes necessidades de produção” da cloroquina que, por ter baixo custo, “seria o equivalente a produzir esperança a milhões de corações aflitos com o avanço e os impactos da doença no Brasil e no mundo.”

Em maio deste ano, o Exército comprou 600 quilos de difosfato de cloroquina, o insumo para produção do medicamento, a R$ 1.304 o quilo, do grupo Sul Minas, que importa o insumo da Índia. Em março, o mesmo grupo havia cobrado R$ 488 pelo quilo, mesmo valor da compra feita em 2019.

Na justificativa enviada ao TCU, o Exército apontou o aumento do valor do dólar – 45% no período – e uma suposta crescente demanda pelo insumo como responsáveis pelo aumento.

Citou, ainda, a necessidade da compra emergencial – que foi feita com dispensa de licitação com base na Medida Provisória 926 que permitiu a aquisição de bens e insumos emergencialmente para combate à pandemia – o mais rapidamente possível por uma determinação do governo da Índia de suspender a exportação dos insumos.

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