Assim como Diego Rivera, Siqueiros e José Clemente Orozco são ícones da pintura muralista em seu país, por trás das mais célebres gravuras de caveiras exibidas nas tradicionais festividades do Dia dos Mortos está o artista plástico e fundador da arte mexicana contemporânea, José Guadalupe Posada (1852-1913).
O Dia dos Mortos é comemorado entre 31 de outubro e 2 de novembro e, para quem ainda não sabe, a morte é vista de forma muito peculiar no México. A ponto, inclusive, da Igreja Católica, há alguns anos, mostrar desespero diante do crescente culto à Santa Muerte, uma figura que combina esqueletos com a imagem de uma santa (ou santo). Ou seja, na “pátria” da supercultuada Nossa Senhora de Guadalupe, não falta quem jure de mãos juntas (de pés juntos depois, talvez) ter sido beneficiado com milagres atribuídos à singular Santa Muerte.
Reza (entenda-se também literalmente a expressão) a tradição popular que durante este período (de nenhuma tristeza e muita festa e cores) os mortos têm permissão divina para visitar parentes e amigos. Então, nada melhor que a época de finados para as pessoas darem as boas-vindas aos que já partiram, oferecendo-lhe flores, alimentos especialmente preparados, velas e incensos.
Funerais É um período de paz e contentamento e não de morbidez, como normalmente acontece nos demais países. Aliás, velório no México pode muito bem rimar com os versos dos mariachis e ser regado com bons goles de tequila. Para inúmeras famílias, estes dois itens são fundamentais nos momentos do adeus final a um ente querido. O último, pelo menos, quem sabe, até a sua próxima visita, no Dia dos Mortos.Parque de Xcarét Quem visitar a Riviera Maia, onde Cancun é a principal referência turística, pode conferir todas as cores e a reverência que se dá à morte fazendo uma visita ao Parque Xcarét. Dentre atrativos variados, é possível ver um cemitério cujos túmulos são cópias exatas dos verdadeiros, espalhados por diversas regiões do país (ninguém está sepultado lá).
Construído na forma de uma espiral (numa alusão à subida dos mortos ao reino dos céus), o cemitério exibe pormenores das construções tumulares originais, sem esquecer o colorido variado. Os artesãos ergueram túmulos em forma de caminhão, poço artesiano, casa de cachorro, sem falar nas igrejas e catedrais estilizadas, feitas com os mais diferentes tipos de materiais e revestimentos. Nas lápides, frases as mais diversas, muitas ironizando a fragilidade da vida carnal e enaltecendo a “verdadeira pátria” do homem, ou seja, o além-túmulo.
A proposta do Cemitério de Xcarét é possibilitar uma volta ao passado, visitando a réplica de um autêntico ‘pueblo maya’. Nas antigas cidades maias, as construções partiam do centro, onde se edificavam os palácios e os templos. Nos arredores destes “pueblos” encontravam-se as casas de gente simples, feitas de madeira e cordas de sisal.
No Cemitério de Xcarét, a Puente al Paraíso representa um calendário gregoriano e sua estrutura simula um monte em forma de cone, com sete níveis, que significam os dias da semana. Ao seu redor, encontram-se 365 tumbas que simbolizam cada dia do ano; na entrada principal há uma escada com 52 degraus, que representam as semanas.
O Parque Xcarét foi fundado em 1990, na região da antiga cidade maia Xcaret de Polé, que foi um importante porto. Ao final do dia de visita, é simplesmente espetacular a apresentação artística com todas as manifestações folclóricas do México numa grande arena.