EUA dão à Ucrânia mais US$ 800 milhões em ajuda militar | A TARDE
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EUA dão à Ucrânia mais US$ 800 milhões em ajuda militar

Assistência militar inclui armas pesadas

Publicado quarta-feira, 13 de abril de 2022 às 22:33 h | Autor: AFP
O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 13, pelo presidente Joe Biden
O anúncio foi feito nesta quarta-feira, 13, pelo presidente Joe Biden -

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta quarta-feira, 13, um pacote de ajuda militar de US$ 800 milhões para a Ucrânia, onde a Rússia ameaçou bombardear centros de comando em Kiev se continuar sob ataque em seu solo.

"Vemos tentativas de sabotagem e bombardeios das forças ucranianas contra posições no território da Federação Russa", declarou o porta-voz do Ministério da Defesa russo, Igor Konashenkov.

 

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"Se isso continuar, os militares russos atacarão centros de tomada de decisão, inclusive em Kiev, o que os militares russos se abstiveram de fazer até agora", acrescentou.

Nesta quarta-feira, as forças ucranianas reivindicaram um ataque ao navio de guerra russo Moskva no Mar Negro. "Os mísseis Neptune que monitoram o Mar Negro causaram danos muito sérios ao navio russo", disse o governador de Odessa, Maksym Marchenko.

Mais tarde, o Ministério da Defesa russo confirmou que o navio foi "seriamente danificado" por um incêndio que explodiu sua munição. A tripulação foi evacuada e as causas do evento estão sendo determinadas, segundo o ministério, citado por órgãos estaduais.

A capital ucraniana está livre de combates desde o final de março com a retirada das tropas russas daquela região, o que deu lugar a imagens que chocaram o mundo, como as dezenas de civis mortos em Bucha.

Esta localidade recebeu a visita do procurador do Tribunal Penal Internacional (TPI), Karim Khan, que considerou que a Ucrânia era um "cenário de um crime" onde poderiam estar sendo cometidos "crimes da competência do Tribunal".

"Capacidade para se defender"

Desde que deixou a região de Kiev, a Rússia concentra sua ofensiva no leste e no sul do país. O Pentágono indicou que será uma batalha diferente, com as forças russas menos dispersas e em uma área "mais plana e aberta" que no norte.

Para lidar com a nova ofensiva, os EUA anunciaram o envio de um novo pacote de ajuda militar para a Ucrânia, que contará com equipamentos "muito eficientes já enviados antes", mas também "novas capacidades", com destaque para "sistemas de artilharia" e "meios de transporte blindados", informou o governo americano.

Entre o equipamento enviado estão peças de artilharia de última geração, como os canhões M777 Howitzer, 40.000 obuses, 300 drones "kamikaze", 500 mísseis antitanque Javelin, radares anti-artilharia e antiaéreos, 200 veículos blindados de transporte, 100 veículos blindados leves e 11 helicópteros Mi-17 fabricados pela Rússia.

Biden anunciou a nova parcela de ajuda durante uma ligação de uma hora com seu colega ucraniano, Volodimir Zelensky, para quem prometeu "fornecer à Ucrânia capacidades para se defender".

No dia anterior, Biden havia descrito as ações da Rússia na Ucrânia pela primeira vez como "genocídio", uma acusação que ganhou o apoio nesta quarta-feira do primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e do presidente colombiano, Iván Duque.

Na Europa, o chanceler alemão, Olaf Scholz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, preferiram não usar esse termo, atitude que Zelensky descreveu como "muito dolorosa".

A batalha de Mariupol

Apesar das diversas rodadas de negociações entre os lados, a ONU considera que "um cessar-fogo geral" com intuito humanitário "não parece possível atualmente" e segue esperando respostas de Moscou às propostas para a evacuação de civis e o envio de ajuda humanitária às zonas de combate.

Uma dessas regiões é Mariupol, uma cidade estratégica no sudeste da Ucrânia onde morreram pelo menos 20 mil pessoas, segundo autoridades de Kiev.

As forças russas bombardeiam a cidade há mais de 40 dias e, de acordo com a presidência ucraniana, "cerca de 90% das casas" foram destruídas.

Conquistar Mariupol seria uma vitória importante para os russos que consolidariam seus avanços territoriais na costa do Mar de Azov, unindo a região do Donbass, controlada em parte por seus apoiadores, com a Crimeia, anexada por Moscou em 2014.

Sua tomada parece inevitável para alguns especialistas militares, mas depois de mais de seis semanas, as forças ucranianas ainda resistem. 

O Ministério da Defesa russo disse nesta quarta-feira que mil soldados ucranianos se renderam naquela cidade, onde a resistência está agora concentrada no vasto complexo metalúrgico de Azovstal, até agora um bastião das forças ucranianas.

Os jornalistas da AFP que conseguiram entrar na cidade ao lado das forças russas viram as ruínas carbonizadas de Mariupol.

Desde o início da semana correm rumores, até agora não confirmados, do uso de armas químicas por soldados russos nesta cidade, rejeitados por Moscou.

"Não é guerra, é terrorismo"

Os bombardeios seguem também no leste. Em Kharkiv, outra cidade assediada pelos russos desde o início da invasão, pelo menos quatro pessoas morreram e 10 ficaram feridas em ataques russos nesta quarta-feira, anunciou o governador regional.

"Isso não é uma guerra, é terrorismo", declarou o presidente polonês, Andrzej Duda durante uma visita a Kiev. "Se alguém envia aviões e soldados para bombardear zonas residenciais e matar civis, não é guerra. É crueldade, bandidismo, terrorismo", completou.

O presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, visitou Borodianka, a meia-hora de carro da capital, uma zona "impregnada de dor e sofrimento".

Autoridades ucranianas estão pedindo aos civis que deixem a região o mais rápido possível, em meio a temores de uma ofensiva iminente pelo controle total do Donbass, com presença desde 2014 tanto de forças ucranianas como de seus inimigos separatistas pró-russos.

Mais de 4,65 milhões de ucranianos deixaram o país desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro, segundo os últimos dados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).

Analistas acreditam que o presidente russo, Vladimir Putin, quer garantir uma vitória no leste antes do desfile militar de 9 de maio na Praça Vermelha, que celebra o triunfo soviético sobre os nazistas em 1945.

Nesse sentido, o chefe de uma das duas autoproclamadas "repúblicas separatistas pró-Rússia", Leonid Pasechnik, assegurou que suas tropas já controlavam "entre 80 e 90%" da região de Lugansk.

Alvo de inúmeras sanções internacionais, a Rússia anunciou nesta quarta-feira que proibirá a entrada de 398 membros do Congresso dos EUA em seu território, em retaliação a uma medida semelhante adotada por Washington.

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