O Carrasco - Águia branca ou urubu de luxo?
ÁGUIA BRANCA OU URUBU DE LUXO?
A Águia Branca precisa explicar que tipo de serviço anda vendendo aos passageiros. O ônibus da vez saiu às 9h, chegou com três horas de atraso, quebrou no meio da viagem e ainda ficou sem ar-condicionado. Pra completar o pacote de horrores, o veículo fedia a mijo e merda. Um verdadeiro banheiro químico sobre rodas, só que sem o mínimo de dignidade para quem paga a passagem. E quando a passageira é uma senhora, o desrespeito fica ainda mais revoltante. Passageiro não compra passagem pra viajar em sauna, respirar fedor e rezar para o ônibus não quebrar de novo. Compra transporte, segurança e um mínimo de conforto. Ô, Águia Branca, com esse serviço, de águia só ficou o nome. Porque tratar gente como carga, com cheiro de privada e atraso de sobra, é voar baixo demais. O consumidor merece respeito — e a empresa, se tiver explicação, que apresente. Porque passagem se paga em dinheiro, mas dignidade não tem preço.
CHEQUE EM BRANCO
A Prefeitura de Catu, sob a gestão de Pequeno Sales (PT), assinou um contrato de R$ 2 milhões com a empresa Maxifrota para o abastecimento da frota municipal via cartão eletrônico. No entanto, o extrato do contrato, publicado em 10 de agosto, é criticado pela falta de transparência: omitiu a estimativa em litros, a divisão dos valores por tipo de combustível (gasolina, diesel e etanol) e o prazo de vigência ou cronograma para o uso da verba. Sem cronograma de gastos, sem estimativa de litragem e sem divisão por combustível, a gestão municipal assinou um autêntico cheque em branco. De olho aberto, a população de Catu espera que os órgãos de fiscalização não passem batido por esse “tanque cheio” de mistérios.
ABRIGO DO MAL
A Justiça determinou o afastamento imediato dos administradores de uma Casa de Repouso para Idosos, bem como a intervenção provisória da Prefeitura de Iraquara no local, atendendo a uma ação civil pública. A decisão põe fim a um impasse de mais de três anos marcado por graves irregularidades. Vistorias realizadas entre 2023 e 2026 comprovaram ausência de alvará sanitário, laudo do Corpo de Bombeiros, falta de funcionários, insalubridade (odor de urina e infestação de mosquitos), negligência médica e restrições indevidas à convivência familiar e à locomoção dos idosos. Os ex-gestores estão proibidos de intervir na instituição.
SOL DE R$ 18 MILHÕES
Em Santa Bárbara, a Promotoria de Justiça local resolveu passar um pente fino nas contas do prefeito Edifrâncio Oliveira (PSD). O Ministério Público instaurou procedimento para apurar a legalidade de um empréstimo astronômico de até R$ 18 milhões, destinado à instalação de energia solar em prédios e escolas municipais. A apuração vai examinar as taxas de juros, cláusulas operacionais e se a operação respeita a Lei de Responsabilidade Fiscal — afinal, o risco de endividamento e dano ao patrimônio público exige rédea curta.
PIX ANTECIPADO, NÃO!
A Prefeitura de Ribeira do Pombal, gerida por Eriksson Silva (MDB), foi barrada de antecipar o pagamento de R$ 1,5 milhão ao cantor Gusttavo Lima para a Festa de Outubro. A gestão pretendia quitar o valor dez dias antes do show, o que viola a Nova Lei de Licitações por falta de justificativa técnica. Ao conceder a cautelar, foi destacado o risco aos cofres públicos e lembrou o histórico recente de shows cancelados pelo artista no país. E olha que não foram poucos!
GATO POR LEBRE
Uma representação no MPF acusa a gestão do prefeito Tiago da Central (União Brasil), em Santo Estêvão, de fraude na compra de 150 tablets para a saúde. A prefeitura pagou R$ 319.999,50 por um modelo, porém foram entregues aparelhos inferiores, sem conexão móvel nem caneta —, causando um prejuízo estimado de R$ 96.337,50 aos cofres públicos. E olha que a compra foi financiada por emenda parlamentar do SUS!
DERROTA PESADA
A derrota de Lídice da Mata na tentativa de buscar um novo mandato na Câmara dos Deputados foi um golpe duro na política baiana nas eleições de domingo. De acordo com fontes ouvidas por este Carrasco, a derrocada da ex-prefeita de Salvador e ex-senadora, iniciada em 2018, foi intensificada em meio a traições e movimentações escusas por parte de membros do grupo político do qual faz parte. Resta saber se, após tanto ceder em nome da unidade do grupo, ela será agraciada de alguma forma por aqueles que a colocaram de lado.
MOEMA MENOR
Outra derrota bastante percebida, mas que era "carta marcada", foi a de Moema Gramacho. Após não conseguir eleger o seu sucessor em 2024 na Prefeitura, um dos principais nomes do PT na Bahia deixou a sua casa em direção ao MDB, na tentativa de concorrer novamente a uma vaga na Câmara dos Deputados. Porém, os 5 mil votos recebidos não apenas reforçaram a derrocada política da agora emedebista, como apontam um futuro político bastante complicado para aquela que já foi prefeita da cidade por quatro oportunidades.
FRACASSOS E FRACASSOS
A prefeita de Vitória da Conquista, Sheila Lemos (União Brasil), tanto fez para eleger seu marido, Wagner Alves (União Brasil), que fracassou na tentativa de garantir uma cadeira para a família na Alba, além de destruir seu grupo político no município. Sheila termina sem a vaga sonhada para seu maridão, sem apoio do seu grupo político, e sem a importante aliança com o PSDB, principal aliado da sua gestão.
DOIS PRETENDENTES
Dizem que Léo Prates pode trocar Brasília pela Secretaria de Educação de Salvador. Oficialmente, seria uma mudança administrativa; nos bastidores, há quem enxergue um ensaio para 2028. O detalhe é que Ana Paula Matos já vem se colocando como nome do grupo para suceder Bruno Reis. Se Léo ganha uma sala no Thomé de Souza, Ana Paula perde espaço? A disputa pela cadeira de prefeito mal começou e o grupo já pode ter de administrar outra crise: a de quem senta na primeira fila.
AS MARIAS DE JERÔNIMO
Quatro mulheres despontam como possíveis candidatas à prefeitura de Salvador em 2028. As quatro foram testadas e aprovadas nas urnas no dia 4 de outubro. Maria Marighella (PT) e Olívia Santana (PCdoB), deputadas federais eleitas, aparecem ao lado de Rowenna Brito (PT) e Vilma Reis (PT), deputadas estaduais eleitas, como opções para o grupo na corrida pelo Palácio Thomé de Souza. Segundo soube o Carrasco, Rowenna é a primeira opção de dez a cada dez petistas consultados, mas as demais também já se apresentam como boas alternativas.
NINGUÉM ROUBA O MEU ESPAÇO
Deputada mais votada na Bahia, Ivana Bastos (PSD) está mais que credenciada para permanecer na cadeira mais alta da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). Podem até fazer motim para derrubá-la, mas a mulher já mostrou que tem poder e está pronta para se manter no espaço. Na vitrine, todo mundo posa colado com a pessedista; nos bastidores, a vontade é de apunhalá-la pelas costas. Uma disputa política, afinal, onde a "tranquilidade" depende de quantos aliados fingem sorrir enquanto seguram as adagas.
RENOVAÇÃO NA MARRA
Ficou claro o recado do eleitor baiano nos pleitos legislativos deste ano. Para a Câmara e para a Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), surgiram novas figuras, enquanto caíram figurões à esquerda e à direita, fruto do desejo de renovação.
ENQUADRADA
Quem leva o selo semanal do Carrasco é o ex-prefeito e candidato derrotado ao governo do estado do Rio de Janeiro, Eduardo Paes. Após renunciar a prefeitura e postular o Palácio da Guanabara, Eduardo impugnou a candidatura de Anthony Garotinho, que concorreu com o registro indeferido e sub judice. Eduardo esperava vencer numericamente o concorrente Douglas Ruas e, com a anulação dos votos dados a Garotinho, ser proclamado governador ainda no primeiro turno. Subestimou a vontade do eleitor e viu a estratégia voltar contra si. Douglas Ruas teve menos que 50% dos votos válidos e Paes, então defensor da inelegibilidade de Garotinho, passou a querer a validade dos votos do ex-governador, numa manobra desqualificada, para não dizer ridícula, e que, obviamente, não contou sequer com o beneplácito do TSE e do STF. O feitiço, pelo visto, virou contra o feiticeiro. Tchau Paes: a história mostra que o eleitor costuma ser impiedoso com quem renuncia ao invés de terminar o mandato outorgado pelas ruas.