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ACERVO DA COLUNA
19 | out. | 2026

O Carrasco - Turbulência se houver provas

TURBULÊNCIA SE HOUVER PROVAS

Depois da bombástica entrevista da empresária Roberta Luchsinger, concedida à rede CNN Brasil, politicos de todos os campos ideológicos foram categóricos a dizer: “apertem os cintos senhoras e senhores, porque a semana promete”. Após ser chamada de "pilantra" por Lula (PT), a empresária, investigada por sua relação com Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e por suspeitas de irregularidades em negócios com órgãos federais, chamou o presidente de "canalha" e "mau-caráter" e disse que pretende fazer delação. A semana, de fato, pode ser decisiva e bombástica, mas apenas de Roberta apresentar provas do que afirmou.

GOL CONTRA NA BAHIA

A Gol Linhas Aéreas resolveu aplicar um verdadeiro apagão na conectividade da Bahia a partir do início de 2027. Sob a desculpa dos custos astronômicos do combustível de aviação (QAV), a companhia simplesmente cancelou todas as rotas regionais e nacionais que ligam Salvador a Aracaju, Petrolina, Campina Grande, Porto Seguro, Curitiba e Porto Alegre, além de ceifar a linha internacional direta com Buenos Aires. A rasteira atinge em cheio o turismo baiano e o polo do interior, cortando mais de 20 mil passageiros por mês na malha nordestina. Com a empresa jogando a bola para a Aerolíneas Argentinas e encurtando o trecho em Ilhéus, sobrou para o governo estadual e para o trade turístico assistirem passivos à capital ficar ilhada dos seus principais mercados emissores.

PATINETES EMPACADOS

A JET, operadora dos patinetes da orla de Salvador, simplesmente bloqueou o acesso dos usuários do serviço. Quem colocou saldo para utilizar o serviço, simplesmente está impossibilitado de usar o sistema. A operadora foi procurada e informou que o bloqueio se dá somente para os estrangeiros, já que o serviço é do Cazaquistão. Ou seja, se o usuário não for cazaquistanês, não pode usar os equipamentos.

GRIFÔNICO I

A história que começa a se desmanchar. Por trás da ostentação, da ambição e de uma tentativa frustrada de ascensão ao G4, surgem questionamentos que podem revelar os bastidores de uma trajetória cercada de controvérsias. Há histórias que são cuidadosamente construídas para impressionar. Narrativas de sucesso, poder e influência que, quando observadas mais de perto, podem revelar uma realidade bastante diferente daquela apresentada ao público. A recente e frustrada tentativa de ascensão ao G4 colocou sob os holofotes uma série de questionamentos sobre as operações conduzidas por uma empresa do setor de obras privadas. Entre os pontos que merecem esclarecimento estão os supostos recebimentos de comissões de elevado valor, possivelmente intermediadas por fornecedores, e os eventuais prejuízos causados aos clientes. Mas a aparência de sucesso não substitui a transparência. E nenhum discurso de grandeza é capaz de afastar questionamentos legítimos sobre a origem de receitas, a atuação de intermediários e a condução dos negócios.

GRIFÔNICO II

Enquanto questionamentos sobre a condução dos negócios permanecem sem esclarecimento, o proprietário parece mais preocupado em alimentar a própria vaidade e projetar a imagem de um verdadeiro magnata das obras “fast”, como se a exposição e a ostentação fossem suficientes para conferir credibilidade a uma trajetória empresarial. Outro capítulo dessa história envolve o próprio ambiente familiar. Relatos de uma relação conturbada com o pai, marcada por alegações de desrespeito e humilhação, levantam questionamentos sobre os valores daquele que hoje procura se apresentar como símbolo de poder e sucesso. A ambição, quando perde seus limites, pode transformar reconhecimento em arrogância, autoridade em prepotência e sucesso em uma perigosa ilusão de impunidade. Ainda mais quando se tem a língua solta para contar vantagens e histórias cuja veracidade também merece ser questionada.

GRIFÔNICO III

Diferentemente do Daniel da Bíblia, cuja história é marcada pela fidelidade, o personagem desta narrativa enfrenta questionamentos que podem colocá-lo diante de sua própria cova dos leões. O que inicialmente parecia apenas uma tentativa frustrada de alcançar um novo patamar empresarial pode acabar abrindo espaço para uma apuração muito mais ampla. Entre as questões que precisam ser esclarecidas estão os possíveis prejuízos causados aos clientes, a eventual existência de comissões recebidas por meio de fornecedores e a extensão dessas práticas, caso sejam comprovadas. Faremos questão de buscar esclarecimentos sobre esses fatos e sobre a condução dos negócios. Afinal, quando existem dúvidas sobre a transparência de uma empresa, nem mesmo a mais profunda limpeza de fossa séptica serve de metáfora suficiente para afastá-las. E há histórias em que a tentativa de chegar ao topo acaba revelando muito mais sobre o caminho percorrido do que sobre o destino pretendido.

MENSALIDADE DE LUXO, ESTACIONAMENTO NEM TANTO

Na Unifacs da Tancredo Neves, uma das universidades privadas mais caras de Salvador, o investimento em um novo prédio teve um efeito colateral para os alunos: menos vagas para estacionar. Desde o início do segundo semestre, parte do estacionamento deu lugar à obra, empurrando estudantes para as ruas de uma região que já sofre com problemas de iluminação pública. A mensalidade pode ser de instituição de luxo, mas, na hora de deixar o carro, o aluno acaba entregue à própria sorte. Pelo visto, o campus cresce, mas a tranquilidade de quem paga a conta encolhe.

APAGÃO DOS ÔNIBUS

A Defensoria Pública da União (DPU) abriu os olhos e instaurou um procedimento de assistência jurídica coletiva para investigar um suposto "apagão" no transporte público gratuito em Feira de Santana durante o primeiro turno das eleições, no último dia 4 de outubro. Enquanto a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana prometeu 100% da frota circulando e gratuidade total, a realidade no interior do município teria sido de puro sufoco: moradores de alguns distritos mofaram em filas de até duas horas por um ônibus. Houve relato em escola, na qual teve eleitor precisando recorrer a carona improvisada para conseguir exercer o direito ao voto.

DEPOIS A GENTE VÊ

Em Tapiramutá, uma medida liminar cautelar contra o prefeito Roberto Venâncio dos Santos, o popular "Roberto do Sindicato" (PCdoB), e contra o agente de contratação Arecion Mendes Santos, deixou os gestores proibidos para que assinem novos contratos ou libere adesões, as famosas "caronas”, com base na milionária Ata de Registro de Preços. O freio de mão foi puxado após denúncia da oposição contra graves suspeitas em um Pregão Eletrônico, estimado em quase R$ 5 milhões para reforma e manutenção de prédios públicos.

DUPLO CHEQUE NO MESMO MÊS

O prefeito de Amargosa, Getúlio Almeida Sampaio (PT), virou alvo de denúncia formalizada no Tribunal de Contas dos Municípios e no Ministério Público (MP-BA). O motivo? A gestão atropelou a lei e contratou uma servidora da própria prefeitura para atuar em editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). A contratação partiu de um chamamento público de 2026 para selecionar pareceristas e apoio administrativo. O detalhe irônico: a servidora foi paga com dinheiro da cultura justamente para analisar e conferir propostas de outros candidatos. O Carrasco avisa: verba da cultura é para fomentar artistas e projetos da cidade, não para fazer "puxadinho" de renda para servidor.

FORÇA POPULAR x JUSTIÇA I

A Câmara Municipal de Salvador, mediante indicação do vereador Cézar Leite (PL), aprovou pela quase totalidade dos seus pares, o título de cidadão soteropolitano ao senador e candidato à presidência da república Flávio Bolsonaro (PL). O Legislativo da capital não imaginava que parte da população iria deixar a proposição solta, fazendo com que a oposição coletasse milhares de assinaturas virtuais para que o título fosse cancelado, gerando, inclusive, uma ação popular onde a justiça - de primeira instância - suspendeu a entrega da honraria. Há quem pense que pressão popular pode se sobrepor ao princípio da legalidade e da autonomia legislativa.

FORÇA POPULAR x JUSTIÇA II

A liminar deferida pela magistrada Carla Graziela Costantino de Araújo, da 5ª Vara da Fazenda Pública, além de proibir a entrega da honraria em evento fora do recinto da edilidade, previa multa de R$ 500 mil em caso de descumprimento. Não foi o que entendeu a segunda instância do Poder Judiciário baiano. Ao analisar o recurso do vereador Cézar Leite (PL), a juíza plantonista Marielza Maués Pinheiro Lima escreveu que “a manifestação de divergência ideológica por setores sociais, ainda que legítima na arena democrática, não substitui o ônus de prova da ilicitude material e não autoriza o Poder Judiciário a exercer juízo de censura prévia sobre atos institucionais hígidos do Parlamento Municipal”, razão pela qual cravou respeito à independência dos Poderes “para suspender integralmente a eficácia da decisão interlocutória agravada proferida nos autos da Ação Popular nº 8223835-68.2026.8.05.0001, pela 5ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Salvador, autorizando a continuidade dos atos institucionais deliberados pela Câmara Municipal de Salvador e afastando a incidência da multa cominatória cominada, até o julgamento definitivo do recurso”. Segundo fontes de bastidores, o próprio homenageado teria procurado saber o nome da corajosa magistrada. “É de juiz que decide sem pressão popular que o STF precisa”, teria sido a afirmação de um membro da cúpula durante o evento. Seria um prenúncio de que a Suprema Corte terá, finalmente, uma mulher entre os seus onze integrantes?

GILBERTO GIL DEFENDE A DEMOCRACIA

Ícone da música brasileira e ex-vereador de Salvador de 1989 a 1992, Gilberto Gil, falou à imprensa sua opinião sobre o título de cidadão soteropolitano concedido a Flávio Bolsonaro (PL) no sábado, 17. Questionado sobre a realização do ato um dia após o candidato do PL receber o título, apesar da oposição de parte da população, o cantor afirmou que o político possui seus próprios apoiadores e que a diversidade de opiniões faz parte do processo democrático. “Ele é um candidato, está concorrendo, tem seus apoiadores e seus eleitores, como todos têm, né? Sempre que ele participa, ele recebe os aplausos, enfim, ele tem também pessoas que estão com outro candidato, com outro lado. É assim, a democracia é isso”, afirmou Gilberto Gil, que merece aplausos do Carrasco.

O DISCURSO DÚBIO DO COMBATE À VIOLÊNCIA

O debate sobre a redução da maioridade penal para 14 anos ganhou força com as emendas da oposição à PEC da Segurança Pública no Senado. Ao mesmo tempo que defendem o endurecimento do combate ao crime organizado, os oposicionistas fecham os olhos para o enfrentamento ao aliciamento de adolescentes por facções criminosas.

AIRES DE OURO

A tão propagandeada "revolução da liberdade" do presidente Javier Milei na Argentina parece que deu certo apenas para deixar a vida do visitante brasileiro e do próprio argentino bem mais salgada. Quem planeja dar uma volta por Buenos Aires já pode preparar o bolso: a inflação oficial pode até ter arrefecido em relação aos picos de 2023, mas o custo de vida nas áreas turísticas explodiu. Com garrafa de água a R$ 6 e caixa de alfajor top de linha passando da casa dos três dígitos no câmbio local, a capital portenha deixou de ser o paraíso das compras baratas para o turista do Brasil. Na verdade, quem dera apenas o turista brasileiro estivesse sofrendo, pois o povo da argentina tem visto o enriquecimento de poucos e o empobrecimento de muitos.

BABADO DA SEMANA

O mercado imobiliário de Salvador está em chamas e o nome da Construtora SCR está na boca do povo — mas não pelos motivos que eles gostariam. O falatório nos corredores da construção civil da Bahia é que o tal "preço de custo" que eles prometem, na verdade custa a saúde mental e o bolso de qualquer um. O exposed que está rolando nos grupos de WhatsApp de investidores e condôminos é pesado. Todo mundo comentando que a Construtora SCR, que se vende como "especialista" em regime de condomínio, só tem entregado desgosto. Dizem as más línguas que os atrasos nas obras são monumentais e, o pior, super suspeitos! O boato da vez é que eles enrolam de propósito só para continuarem embolsando aqueles 12% de taxa de administração todo mês. Que audácia, né?

ENQUADRADA

E pelos motivos acima é que a enquadrada da semana vai para a Construtora SCR. Se você acha que a demora é o único problema, senta que lá vem a pior parte: o padrão de qualidade. O povo que comprou está soltando fumaça. Estão dizendo por aí que o "padrão SCR" virou sinônimo de vazamentos horrorosos, infiltrações, pisos tortos e acabamento de quinta categoria. Passam longe do que foi contratado. Para completar a presepada e fechar o pacote do caos, o babado é que a SCR ainda anda subcontratando umas empresas caloteiras. Resultado? Um rastro de condôminos e investidores no prejuízo. É como o povo do setor já está dizendo: esse "preço de custo" da SCR sai mais caro do que ouro!

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