Busca interna do iBahia
HOME > colunistas > O CARRASCO
O Carrasco
[email protected]
ACERVO DA COLUNA
27 | abr | 2026

O Carrasco - Ruim com ela, pior sem ela?

RUIM COM ELA, PIOR SEM ELA?

Todo mundo soltou fogos quando a Via Bahia finalmente largou o osso das BRs 324 e 116. O que ninguém esperava é que, um ano após o distrato, a situação das rodovias estivesse tão ruim, ou pior, do que antes. A gestão do DNIT tem deixado muito a desejar e os buracos continuam sendo os donos da pista. Para completar o cenário de desolação, a agonia do motorista baiano não tem data para acabar, já que o leilão para a nova concessão ficou apenas para novembro de 2026. Até lá, o asfalto segue na base da oração.

Pay & Cry

O sistema “Kiss & Fly” no Aeroporto de Salvador já nasce sob forte contestação e, antes mesmo de entrar em vigor, virou “Pay & Cry”. A previsão de cobrança de R$ 18 para permanências superiores a dez minutos no meio-fio — ainda em fase experimental e com início previsto para junho — expõe um modelo que tende a penalizar o usuário comum e levanta dúvidas jurídicas relevantes.

Pay & Cry II

A reação política ganhou corpo. O deputado federal João Carlos Bacelar acionou a Agência Nacional de Aviação Civil para esclarecer se a tarifa possui respaldo contratual, já que a Resolução nº 432/2017 não contempla cobrança sobre “meio-fio” como tarifa aeroportuária. A pergunta é objetiva: se não é tarifa regulada, trata-se de quê — uma nova fonte de receita sem previsão normativa? A pressão institucional se amplia. O deputado Sargento Isidório formalizou denúncia ao Ministério Público Federal. Na esfera municipal, o presidente da Câmara de Salvador, Carlos Muniz, apresentou o Projeto de Lei nº 108/2026 para barrar a cobrança. O tema também avança na esfera estadual: os deputados Daniel Castro e Júnior Muniz anunciaram que levarão o caso à Comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa da Bahia, ampliando o cerco político e regulatório sobre a medida.

Pay & Cry III

Enquanto isso, a concessionária VINCI Airports conduz a fase experimental do modelo, sob críticas de que a proposta transforma um espaço de embarque e desembarque rápido em zona tarifada, onerando o cidadão sem transparência suficiente. Cobrar por minuto de despedida, mesmo antes de sua efetiva implantação, já soa como um “beijo de Judas” no bolso do soteropolitano. A discussão agora é se essa prática, quando entrar em vigor, resistirá ao escrutínio legal e regulatório.

CÉU OU INFERNO?

Os usuários da Sky Pré-pago já conhecem bem o roteiro: se a recarga expira, o corte do sinal é implacável e imediato. O problema é que o caminho de volta é um verdadeiro calvário. Mesmo pagando via Pix uma recarga de seis meses, o restabelecimento do sinal, que deveria ser automático, exige uma paciência de Jó. O aplicativo é inoperante e o 0800 da empresa, o cliente precisa quase implorar para voltar a assistir aos canais, incluindo os abertos. Para a empresa, a tecnologia voa na hora de cobrar, mas caminha a passos de cágado na hora de entregar.

DEBOCHE

Após admitir o desabastecimento de remédios nas unidades de saúde pelo segundo mês consecutivo, a secretária de Saúde de Mata de São João, Tatiane Rebouças, resolveu inovar no quesito falta de empatia. Ao lado do prefeito Bira da Barraca, a secretária debochou de uma queixa sobre a espera de 30 dias por um exame laboratorial. Com um sorriso jocoso, disparou para o chefe: "Só um mês?". O escárnio público deixa claro que a saúde do povo matense não é prioridade e que a gestão prefere o riso largo ao compromisso sério.

PENTE FINO

O prefeito de Gongogi, Adriano Mendonça (Avante), acaba de ganhar dois inquéritos civis da Promotoria de Ubaitaba. O foco é improbidade administrativa. O Ministério Público quer passar o pente fino em duas frentes: denúncias de que o hospital municipal virou "cabide" para servidores irregulares e falhas graves em contratos administrativos, com ausência de pagamento por serviços prestados. O MP quer saber onde foi parar o dinheiro e por que os compromissos não foram honrados. A coisa é séria.

MARRETA NO PATRIMÔNIO

O Ministério Público colocou a gestão de Valtécio Aguiar (PDT) sob um holofote nada amigável em Caetité. O motivo é uma intervenção "atropelada" em pleno Centro Histórico, sem autorização em área tombada. É a velha mania de achar que o que é histórico pode ser reformado na base do improviso. O MP embargou a obra e suspendeu os alvarás. A lei é para todos, inclusive para quem senta na cadeira de prefeito e acha que pode marretar a história da cidade.

FARSA DO ALFABETO

O "beabá" em Cansanção foi substituído por lições de contabilidade criativa. O MPF detalha um esquema de inflacionamento de matrículas no programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA) para abocanhar repasses federais. Os holofotes miram a prefeita Vilma Gomes (MDB), a "Mamãe", suspeita de fabricar alunos fantasmas. A Polícia Federal já está com a lupa na mão para entender como alunos que não existem rendem tanto dinheiro aos cofres alheios.

CANETADA

O TCM puxou o freio de mão em um pregão da prefeitura de Inhambupe destinado a tecnologias contra a evasão escolar. A gestão de Hugo de Leônidas acelerou o passo e ignorou o direito de recurso da vencedora original para habilitar a segunda colocada, com preço superior. Tentar escolher o vencedor da licitação em detrimento do menor preço em ano eleitoral é pedir para levar cartão vermelho dos órgãos de controle.

CERCO APERTADO

O sossego passou longe da gestão de Laércio Júnior (UB). O Ministério Público instaurou procedimento para investigar se a prefeitura de Senhor do Bonfim está usando seleções simplificadas como "atalho" para fugir do concurso público. A apuração também mira a Câmara de Vereadores. O "pente-fino" quer saber se a gestão ignorou decisões judiciais anteriores. Veremos se o edital se sustenta ou se vai virar fumaça. Na boca miúda, corre a informação de que foi só o prefeito iniciar conversas com o atual governador Jerônimo Rodrigues para que caciques do PT estadual e a oposição local, integrada pelos derrotados Carlos Brasileiro e Helder Amorim começassem a queimar o filme do gestor e atiçar o MP com denúncias in off. A pergunta que se coloca é: vale a pena o movimento de nova aliança para depois sofrer um sorrateiro fogo amigo dos que deveriam batizar o apoio?

OLHO NO MESSIAS

O prefeito de Lapão, Márcio Messias (PSD), entrou no radar do TCM-BA, dessa vez por conta de um pregão para transporte escolar na zona rural. Uma consultoria apontou que o edital está mais travado que trânsito em dia de chuva, com suspeitas de direcionamento. Em ano de eleição e com dinheiro de transporte escolar em jogo, qualquer vício jurídico vira combustível para investigação pesada.

CÂMERAS INVISÍVEIS

O MP-BA colocou no radar de apuração a gestão de Murilo Franca (PSB) de Irecê, por um suposto "apagão" administrativo no sistema de videomonitoramento. O alvo é o contrato com a empresa Eletroseg. O roteiro é manjado: contrato assinado há meses, mas as câmeras parecem de enfeite ou invisíveis. O MP quer saber se o dinheiro público saiu do cofre sem que um único parafuso fosse apertado. Se houve pagamento por serviço não prestado, o dano ao erário está desenhado.

ROLO COMPRESSOR

O governador Jerônimo Rodrigues (PT) parece ter trocado o gabinete por um balcão político de altíssima eficiência. Na semana passada, o petista rompeu a barreira dos 350 prefeitos na base, atraindo nomes que até ontem rezavam em outras cartilhas. O destaque foi o "casamento" selado com Daiane dos Anjos (PSD), de Itatim, e o afago de Marcos Paulo (PSD), de Piatã. Mas o movimento que fez o queixo da oposição cair foi o aperto de mão com Ednaldo Ribeiro (Republicanos), prefeito de Cruz das Almas e bolsonarista de carteirinha.

AGINDO ESTRATEGICAMENTE

Por outro lado, o pré-candidato ao governo do estado Acm Neto (União Brasil) também tem se movimentando em casamentos estratégicos. Na última sexta-feira esteve em Luís Eduardo Magalhães e selou de vez a parceria política entre o grupo de sua pré-candidatura e o atual prefeito e liderança no oeste da Bahia, Júnior Marabá, que por pouco não caiu nas promessas do PT. No encontro, além do importante apoio a Acm Neto, Marabá fechou com os senadores Ângelo Coronel e João Roma, além de informar o casamento com as pré-campanhas de Cinthya Marabá e Benedito Lemos, mais conhecido como Ditinho Avivip, ambos postulantes à Assembleia Legislativa da Bahia e Câmara dos Deputados, respectivamente. Antes de embarcar para o oeste, sua comitiva recebeu vereadores e lideranças de Eunapolis para firmar parcerias políticas envolvendo o PSDB, onde esteve presente o presidente estadual da sigla, deputado Adolfo Viana e o ex-prefeito Jota Batista, que será pré-candidato a deputado federal com o discurso de enfrentamento ao MST, à violência na região extremo sul do Bahia e a perseguição que um grupo empresarial local faz com taxistas e com o grupo do importante setor de transporte alternativo na cidade de Eunapolis, capitaneado, segundo informações, pela família de um deputado federal daquela localidade.

RECUO CONTRA FAKENEWS

O senador Angelo Coronel (PSD) entrou no modo contenção de danos para apagar a maldosa algazarra que deturpou suas declarações sobre a escala 6x1. Em entrevista em Ipiaú, o pessedista jurou que foi vítima de "política rasteira" e que suas falas foram tiradas de contexto. Coronel, que antes defendia uma espécie de acordo direto entre patrão e empregado sem o Estado "meter o bedelho", agora esclareceu e suavizou o discurso: diz que não é contra a redução, mas cobra atenção especial a setores como o agro e a hotelaria.

FALSA NARRATIVA

Praticamente convidada a se retirar do PT, a agora emedebista Moema Gramacho tenta se recompor com uma estratégia, no mínimo, curiosa. Nos últimos dias, o Carrasco observou um movimento nada espontâneo para vender Moema como a "última soldada de Lula" na Bahia. A narrativa, porém, não para de pé: nomes como o ex-prefeito de Itabuna, Geraldo Simões (PSOL), são muito mais próximos do presidente. A relação entre Lula e Geraldo é tão estreita que o petista-mor é, inclusive, compadre do político baiano. Menos marketing, Moema.

FALSO SIMPLES

De olho no vácuo deixado por Jair Bolsonaro, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), tenta encarnar o personagem do "homem simples" para pavimentar sua pré-candidatura ao Planalto. O mineiro, que ficou famoso por conjugar o verbo ouvir com um sonoro "ouvo", resolveu agora tensionar com o STF. Zema trocou farpas públicas com o ministro Gilmar Mendes, buscando o embate direto com o Judiciário para massagear o eleitorado da direita. Resta saber se o discurso rústico será suficiente para convencer o eleitor de que o "simples" não é apenas um verniz eleitoral.

INIMIGO, MAS QUEM PARIU MATEUS QUE BALANCE

Muito já se alertou sobre o perigo das apostas online nas eleições, e o presidente Lula só agora resolveu entrar de vez nessa guerra. Com discursos inflamados, o petista busca alertar sobre o vício, mas a estratégia mira dois alvos políticos claros: primeiro, Lula acena para o eleitorado conservador e religioso ao combater a jogatina; segundo, usa as bets como a "vilã" perfeita para justificar o endividamento das famílias brasileiras. É uma jogada mestre de narrativa, mas resta saber se o povo vai comprar o discurso ou se continuará dobrando a aposta no prejuízo, afinal de contas as bets foram regulamentadas na gestão de Lula, com um Haddad irresponsavelmente de olho nos milhões de impostos que a atividade deixa para os cofres do país.

EMBROMATION II

O Carrasco já mostrou que a Movida, que faz parte da SIMPAR, uma holding que sucedeu o Grupo JSL, fundado por Julio Simões, andava dando cano quando o assunto é indenização por sinistros causados. Apesar da critica ter se dado há 15 dias atrás, o mesmo Carrasco apurou que a empresa Movida e sua cooperativa de sinistros travestida de pseudo seguradora seguem na base da enrolação: o famoso embromation. Até agora nada de justa indenização por uma irresponsável colisão de um veículo de sua frota, ocorrida, pasmem, em setembro do ano passado. O Carrasco insiste que esse “episódio demonstra o descaso com que o grupo empresarial trata o cidadão soteropolitano” e a manutenção do calote pode revelar outros aspectos bastante curiosos entre a Movida e os Poderes Estatais.

PONTE DO RIO QUE CAI — CAPÍTULO II

A saída do ex-CEO da ponte continua rendendo — e não é pelo que foi entregue, mas pelo custo da despedida. Nos bastidores, comenta-se que a rescisão, ou “acordo de saída”, teria girado na casa dos R$ 10 milhões. Um valor que, somado a um salário já considerado astronômico durante sua gestão, caiu muito mal entre os concessionários estrangeiros. A conta, ao que parece, chegou acompanhada de indignação. O incômodo não é difícil de entender. Ao longo do período, o projeto seguiu capenga, sem as principais autorizações e acumulando entraves técnicos.

PONTE DO RIO QUE CAI — CAPÍTULO III

Há relatos de que o então gestor teria dedicado mais tempo a interesses paralelos pouco republicanos — envolvendo proprietários de terra em Veracruz e prestadores ligados à própria concessionária — do que à estruturação efetiva do empreendimento. E o caso já começa a sair do campo da engenharia. Um renomado escritório baiano de advocacia teria se colocado à disposição dos concessionários estrangeiros para ajudar a lidar com as “atividades” do ex-CEO — e responder à pergunta que paira no ar: trata-se apenas de apurar responsabilidades por falhas de gestão ou há elementos que recomendam outro tipo de apuração?

UFC DAS OBRAS, NOCAUTE NOS CREDORES

Tem “empresário” que confunde ousadia com impunidade. Um certo playboy, mostra uma valentia quase performática quando o assunto é abrir caminho para abocanhar contratos de obras públicas — bate em tudo e em todos com a disposição de um lutador de UFC. Curiosamente, essa coragem evaporada desaparece quando a pauta muda para o pagamento de credores. Aí, o figurão troca o figurino de brigador pelo de devedor silencioso — e, diga-se, bastante seletivo. Nos bastidores, já se comenta que não causará espanto se, em breve, o jovem troque os passeios em seu possante Porsche por um giro menos glamouroso no banco traseiro de uma viatura policial. VERÁS , enfim, o que é bom.

ENQUADRADA

Quem leva a enquadrada da semana é a Bienal do Livro, que realizada no Centro de Convenções, resolveu testar não apenas o hábito de leitura do baiano, mas a sua paciência. O que deveria ser um passeio cultural virou prova de resistência: logística de estacionamento inexistente, vagas disputadas no grito e preços de livros que chegavam ao dobro do valor praticado na internet. Pagar caro para entrar, sofrer para estacionar e ainda encarar o "imposto da conveniência" sobre o preço de capa é um desrespeito ao leitor. A organização precisa entender que a Bienal deve aproximar o público dos livros, e não afastá-los pelo bolso ou pelo cansaço.

Siga o A TARDE no Google Notícias e receba os principais destaques do dia.

Participe também do nosso canal no WhatsApp.

Compartilhe essa notícia com seus amigos

Compartilhar no Email Compartilhar no X Compartilhar no Facebook Compartilhar no Whatsapp

Assine a newsletter e receba conteúdos da coluna O Carrasco

Fale com O Carrasco