O Carrasco - Navio-fantasma
NAVIO-FANTASMA
Não bastasse a humilhação diária de encarar filas e embarcações sucateadas, o passageiro do Ferry-Boat agora descobre que viaja sobre um verdadeiro barril de pólvora. A Justiça do Trabalho acolheu ação do MPT e deu prazos de até 120 dias para que a Internacional Travessias e seus sócios adequem o Terminal de São Joaquim contra risco de incêndio. A lista de absurdos inclui ausência de vistoria dos Bombeiros, falta de extintores, ausência de brigada, falhas na iluminação de emergência e riscos graves nos tanques de combustível. A concessionária recusou um TAC, preferindo pagar para ver até tomar uma decisão judicial com multa diária de R$ 10 mil.
MOTOBOYS EM PÉ DE GUERRA
O Breque Nacional dos Apps travou Salvador e colocou a nu a relação precarizada entre as plataformas de entrega e os trabalhadores. Com braços cruzados, cobrança de taxa mínima de R$ 10 e críticas duras ao projeto do governo federal para a categoria, a mobilização deixou restaurantes sem ter como escoar pedidos na capital. São mais de 34 mil acidentes registrados com motoqueiros e ciclistas no país em três anos, um massacre diário em nome do lucro das big techs. Enquanto as empresas fingem que não é com elas e o governo tenta emplacar uma regulamentação que a categoria rejeita, o entregador segue arriscando a vida no trânsito para garantir o pão de cada dia.
ESPERANÇA NO CENTRO
O plano apresentado pela Prefeitura de Salvador para restaurar o comércio na Baixa dos Sapateiros trouxe um fio de esperança para os empreendedores que sofrem com o abandono do local, que em outros tempos era o mais visitado para compras na capital baiana. Intitulado Renova Baixa dos Sapateiros, o programa levará um pacote de ações para a região que incluem a recuperação de fachadas de edificações; a concessão de estímulos fiscais; a qualificação e consultoria para empreendedores; e a realização de eventos e atividades culturais. Agora é aguardar e torcer para que dê certo.
ESQUECIMENTO COLETIVO
Bastou uma canetada do Ministério Público para ver se a Prefeitura de Ibitiara, no centro-sul baiano, acorda para a realidade. Por decisão da Justiça, o município foi obrigado a estruturar e colocar em pleno funcionamento o CAPS I para atender quem sofre com transtornos mentais e dependência química. A gestão local passou anos numa inércia vergonhosa: chegou a pegar R$ 20 mil em incentivos federais lá em 2013, não fez nada, remanejou a verba e deixou a população desassistida. Agora não tem conversa: são 30 dias para apresentar o cronograma, 45 para terminar a obra e 180 para abrir as portas.
ABANDONO
O quadro do Conselho Tutelar do município de Palmeiras é de extrema precariedade há quase uma década, porém uma inspeção realizada em maio deste ano, revelou um cenário estarrecedor: banheiros inoperantes, salas sem ventilação ou saída de emergência, ausência de telefone, falta de computadores funcionais e nenhum veículo para diligências. Para piorar, a sede vinha sendo usada pela gestão municipal como depósito de materiais de outra secretaria. A Prefeitura vai ter que garantir local adequado, transporte exclusivo, internet e equipamentos decentes para que os conselheiros consigam combater a violência e a evasão escolar na região.
ALUGUEL AMIGO
Suspeitas de irregularidades envolvendo o presidente da Câmara Municipal de Morro do Chapéu, Eloi Barbosa Falcão Filho estão sendo investigadas. O parlamentar é acusado de utilizar recursos públicos para custear a locação e o abastecimento de um veículo registrado no próprio nome. O mesmo veículo aparece de forma recorrente nos balancetes repassadas pela Casa Legislativa ao TCM entre abril de 2023 e junho de 2024. A empresa vencedora do certame, 'FR Transportes Eireli', recebia R$ 2.500,00 por mês pela disponibilização do carro.
SHEILA MALVADONA
A aprovação da Lei Orçamentária Anual (LOA) de Vitória da Conquista para este ano acendeu o sinal de alerta vermelho na rede pública de saúde da capital do Sudoeste. Sob o comando da prefeita Sheila Lemos, a nova proposta aprovada na Câmara Municipal impôs um corte seco de R$ 72 milhões na pasta da Saúde — parte de um enxugamento global que supera os R$ 130 milhões no orçamento municipal. A conta já chegou para a população: escassez de medicamentos essenciais e insumos básicos, filas de espera intermináveis e travamento no agendamento de exames, consultas e cirurgias eletivas. A insatisfação dos moradores é evidente contra o que consideram uma grave inversão de prioridades nos gastos públicos. Para quem precisa de atendimento, a tesoura no orçamento tem sabor de descaso.
RISCO EM PORTO SEGURO
O MPF deu um prazo de 60 dias para que a Prefeitura de Porto Seguro, administrada por Jânio Natal apresente o cronograma para a realização de procedimento licitatório destinado à regular o serviço de travessia de balsas pelo Rio Buranhém, entre Porto Seguro e o distrito de Arraial d'Ajuda. A medida se faz necessária porque neste ano se encerra o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que estabeleceu as normas da travessia. Enquanto nenhuma medida é tomada, o jeito é rezar para que nenhuma tragédia aconteça.
CAPITAL POLÍTICO DENSO
Por falar em eleição, quem está mostrando todo o seu potencial e o seu capital político é o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa. Falem bem ou falem mal, o ex-governador da Bahia, que acumula uma fama não tão boa entre os seus aliados, está com o saldo positivo para essa eleição e lidera as intenções de voto. Rui tem mostrado até aqui que para ter capital político não precisa de carisma.
VAQUINHA VIRTUAL
Sem ver a cor do dinheiro do próprio partido, o deputado estadual e candidato à reeleição, Binho Galinha (Avante), decidiu recorrer ao financiamento coletivo para tentar bancar sua campanha à Alba. A guinada para a vaquinha virtual ocorre em meio ao jejum de repasses da legenda: de acordo com os dados do DivulgaCand, do TSE, o parlamentar recebeu apenas R$ 150 em sua conta eleitoral até o momento. Na prática, a iniciativa expõe a falta de investimento direto da sigla no projeto do deputado, que agora aposta nas doações de apoiadores para tentar sobreviver na disputa pelas urnas.
DE OLHO EM VITOR BONFIM
Enquanto nomes fortes do PSB baiano embolsaram altos valores do diretório nacional para a campanha eleitoral, o deputado estadual Vitor Bonfim figurava apenas com um aporte próprio de R$ 100 mil. A legenda argumentou que a escassez de repasses ocorreu devido a uma falha na transferência de dados para um candidato homônimo e realizou o conserto. Porém, os bastidores revelam que o atrito financeiro é reflexo de uma crise muito mais profunda: a insatisfação de membros da legenda com o estilo de atuação do parlamentar, acusado de "atropelar" acertos prévios e invadir ostensivamente bases eleitorais de potenciais adversários na tentativa de enfraquecê-los.
BOLSOS MILIONÁRIOS
Os bolsos de quem vai disputar a reeleição estão regados de cifras milionárias, como é o caso de Jorge Araújo, que foi de vereador a deputado federal e agora tenta novamente pegar uma cadeira definitiva na Câmara dos Deputados. O PP, que parece apostar na eleição do suplente, mandou R$ 1,9 milhão para a campanha do progressista. Temos a eleição mais cara da história.
O ACÓRDÃO FALHOU
Grupos políticos e autoridades de Brasília vinham tentando construir um “acordão” para abafar o escândalo do Banco Master nos Três Poderes, especialmente no Judiciário. O problema é que a estratégia parece ter ruído diante da velocidade das descobertas da PF, das quebras de sigilo e das acusações cruzadas entre ministros do STF. As mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes caíram como uma bomba.
GUERRA NAS ESTRELAS DA TOGA
A crise entre os iluminados do Supremo Tribunal Federal atingiu o ponto de fervura. O presidente da Corte, Edson Fachin, deu três dias para que Alexandre de Moraes, André Mendonça, a PGR e a PF prestem esclarecimentos sobre vazamentos do caso Master. O movimento veio logo após a ofensiva de Moraes em exigir que Mendonça seja investigado por suposto abuso de autoridade e parcialidade. Ver ministros da mais alta Corte trocando farpas e pedindo investigação uns contra os outros escancara o nível de esgarçamento institucional em Brasília. Quando a toga vira campo de batalha, a segurança jurídica do país vai para o ralo.
O ACELERADOR AMAZONENSE
O senador Omar Aziz (PSD-AM) resolveu apressar o passo e manobrou para aprovar o fim da escala 6x1 sem mudar uma vírgula do texto vindo da Câmara. Ao barrar todas as emendas da oposição — inclusive a tentativa do PL de manter o teto de 44 horas —, Aziz garante que a matéria vá direto para a promulgação assim que passar pelo plenário do Senado. A cartada atende diretamente ao Palácio do Planalto e depende agora na altivez que existe no Senado da República.
ENQUADRADA
O selo semanal é da Serasa. A danada tem se mostrado uma verdadeira cilada no papel de 'ponte' de oferta de créditos e empréstimos. A empresa disponibiliza o crédito da financeira, o cliente vai como um patinho, acreditando se tratar de um grande negócio, mas aí os juros transformam os valores no dobro do que foi disponibilizado. Um golpe de mestre, digno de um agiota da pior espécie.