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O Carrasco
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ACERVO DA COLUNA
27 | jul | 2026

O Carrasco – Combustível para a crise

COMBUSTÍVEL PARA A CRISE

Durante anos, a RAÍZEN foi vendida ao mercado como símbolo de eficiência, inovação e liderança no setor de energia. Mas a realidade cobrou a conta. Endividada em dezenas de bilhões de reais, a gigante precisou recorrer à recuperação extrajudicial para renegociar compromissos e buscar socorro financeiro junto aos próprios acionistas. A pergunta que fica é inevitável: como uma empresa desse porte chegou ao ponto de precisar reabastecer o próprio caixa? No mundo corporativo, credibilidade também é combustível. E quando ela começa a faltar o mercado não costuma perdoar.

A IMAGEM SÓ PIORA I

Os últimos acontecimentos relativos ao problema ambiental na Praia de São Tomé de Paripe estão colocando cada vez mais na berlinda a imagem da já abalada Gerdau. Agora o Inema soltou documento dizendo que as intervenções que empresa fez antes de transferir a operação do Terminal não foram autorizadas. Em sua resposta oficial a uma solicitação do MP, o órgão oficial baiano afirma que a Gerdau, sem prévio aviso, “pretendeu transferir à empresa sucessora a responsabilidade por eventuais passivos ambientais sem a prévia, necessária e adequada avaliação desta autarquia estadual”. É cada uma viu.

A IMAGEM SÓ PIORA II

E essa crise de imagem já está chegando à grande imprensa nacional. Desta vez, a coluna Radar, da Revista Veja, publicou nota falando sobre a recusa da Gerdau em pagar a multa de R$ 50 milhões imposta pelo Inema – o maior valor previsto pelo órgão para esse tipo de situação - e destacou que a empresa tem se recusado a admitir responsabilidade do passivo ambiental ou sequer discutir uma necessária remediação. Enquanto isso, as famílias de moradores, comerciantes, pescadores e marisqueiras continuam sem uma luz no final do túnel, túnel esse que está permeado de cobre, manganês e nitratos, materiais que eram operados pela Gerdau até o início de 2022.

COMBATE AOS IMPORTADOS

O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Carlos Henrique Passos, soltou o verbo contra o desequilíbrio de forças entre a produção nacional e a enxurrada de produtos importados no mercado brasileiro. Para o líder empresarial, a indústria local joga um jogo de regras rígidas enquanto os concorrentes gringos desembarcam por aqui sem passar pelo mesmo pente-fino. Passos defendeu que a única saída para estancar a perda de mercado das fabricantes brasileiras é a implementação imediata de uma isonomia regulatória.

CORRIDA DE OBSTÁCULOS

O aplicativo 99 virou sinônimo de dor de cabeça para os soteropolitanos, operando no limite da precarização e do abuso ao consumidor. Nas pistas de Salvador, passageiros do serviço de duas rodas sofrem com a falta de higiene e segurança, encarando rotineiramente capacetes minúsculos e deploravelmente sujos. Já na hora da fome, o serviço de entregas de comida parece brincar com o cliente ao oferecer cupons de desconto fantasmas que nunca funcionam na hora do fechamento do pedido. Para completar o banquete indigesto, as taxas de frete dispararam a ponto de superarem o valor do próprio lanche. O Carrasco avisa: com esse serviço capenga e o Procon de olho, a plataforma precisa recalcular a rota antes que o cliente mude de rumo.

A ODISSEIA DA VIDA REAL

Por falar em App de transporte, a Uber não fica atrás nos problemas. Isso porque voltar para casa utilizando o aplicativo em Salvador virou uma jornada digna do clássico de Homero, transformando o trabalhador soteropolitano em um verdadeiro Odisseu moderno. A saga começa no ‘cativeiro’ da Calipso — o saguão do trabalho —, onde o usuário implora às divindades dos algoritmos por um motorista disposto a cruzar o oceano de engarrafamentos da cidade. No caminho, o motorista cancela sete vezes, agindo como um Poseidon enfurecido tentando afundar a viagem antes mesmo dela começar. Quando finalmente a carona chega, o passageiro precisa tapar os ouvidos para o "Canto das Sereias" das rádios de fofoca e das teorias da conspiração política do condutor. Após horas de provações, cancelamentos e taxas dinâmicas abusivas e muita peleja, o trabalhador guerreiro finalmente avista sua Ítaca particular: o portão de casa. O Carrasco adverte: para sobreviver ao aos aplicativos da capital, só tendo a astúcia do herói grego e a paciência milenar de Penélope.

ROXINHO DE VERGONHA

Quem precisou pagar o almoço, a mensalidade da faculdade ou fechar negócios nos últimos dias sentiu na pele o apagão do famoso roxinho. O Nubank vem colecionando um histórico indigesto de panes e instabilidades no sistema de pagamentos via Pix. Os apagões do aplicativo viraram rotina e deixaram milhares de clientes a ver navios. O roteiro do sofrimento é sempre o mesmo: falhas no envio, demora no recebimento e o clássico "sumiço" temporário do dinheiro, que sai da conta de origem mas não cai no destino, deixando o cliente à beira de um ataque de nervos.

HIPERNOJEIRA

Frango descongelado sendo congelado novamente, câmaras frigoríficas, geladeiras e freezers em condições insalubres, sujos e superlotados… tudo isso no famigerado Hiperideal. Aparentemente, é mais vantajoso ir ao zoológico do que comprar no mercado de João Gualberto. Esta semana, a unidade do Itaigara, em Salvador, virou alvo do MP-BA após a Vigilância Sanitária constatar graves irregularidades no armazenamento de alimentos. Está cada dia mais difícil para o consumidor comprar um frango em paz. Primeiro veio a velha história do papelão na carne, e agora você compra uma ave e ganha, no mínimo, uma infecção intestinal de brinde. Assim não dá.

COMPAIXÃO ZERO

A gestão da prefeita Sheila Lemos, em Vitória da Conquista, resolveu acionar a metralhadora jurídica - a mesma que costuma usar em querelas eleitorais - contra uma família tragicamente desfalcada. O município recorreu da decisão do TJBA que determinou o pagamento de pensão provisória de um salário mínimo aos dependentes de uma mulher morta em março deste ano, após ter o carro arrastado para um canal de drenagem durante um temporal. A bomba do desespero sobrou para o companheiro e cinco filhos, três deles com Transtorno do Espectro Autista (TEA), que dependiam diretamente da mãe. Para não desembolsar a quantia, sob pena de multa diária de R$ 500, a prefeitura jogou a culpa no motorista de aplicativo e tentou lavar as mãos. Enquanto o mérito do processo segue sem desfecho na 1ª Instância, a prefeita, irresponsavelmente, prefere gastar energia brigando na Justiça contra crianças neurodivergentes ao contrário de assumir a responsabilidade pelas vias da cidade.

APOIO DA MÁQUINA

Por falar em Sheila, o que chegou aos ouvidos desse Carrasco é que a mandatária está apostando todas as fichas na eleição do marido, Wagner Alves, candidato a uma cadeira na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba). A gana pelo poder é tanta que ela praticamente colocou a estrutura da máquina municipal à disposição do amado, transformando-o em verdadeiro cão de guarda para rebater as críticas que sua desastrosa gestão vem sofrendo. Não bastasse isso, o Carrasco soube também que partiu uma ordem expressa para que os servidores comissionados mudem as fotos de seus perfis nas redes sociais em apoio à candidatura do "primeiro-cavalheiro". Menos, prefeita, bem menos.

TESOURA SEM FREIO

A Justiça abriu apuração após a canetada da prefeita de Ruy Barbosa, Eridan de Bonifácio, que exonerou profissionais de saúde e educação atuantes em uma comunidade quilombola. A denúncia partiu da presidente da Associação dos Remanescentes de Quilombo, que questiona o desligamento sumário e sem qualquer fundamentação formal por parte do Executivo municipal. Com a tesourada atingindo em cheio a rotina e o atendimento básico do território tradicional, o MP apura se houve atropelo aos princípios da administração pública. O órgão quer saber também se a prefeitura ignorou solenemente o Estatuto da Igualdade Racial e a Convenção nº 169 da OIT — que garante a consulta prévia e a participação das comunidades atingidas por decisões locais.

CAIXA-PRETA

A gestão do prefeito de Juazeiro, Andrei da Caixa, resolveu aplicar o conceito de "sustentabilidade" até na transparência, já que economizou na papelada e sumiu com as informações. O Ministério Público da Bahia (MP-BA) precisou intervir e expedir uma recomendação formal para que a prefeitura reforce a política ambiental e a transparência pública no município. O órgão cobra a regularização do Conselho Municipal de Meio Ambiente (CMMA), a prestação de contas do Fundo Municipal de Meio Ambiente (FMMA) e a prova de onde foi parar o dinheiro do setor. A bronca veio após a constatação de que a gestão simplesmente ignorou pedidos de documentos essenciais. Na lista do "sumiço" estão extratos bancários atualizados, atas e comprovantes de gastos. Para completar o cenário de desleixo, o conselho só se reunia de dois em dois meses, rasgando a lei municipal que exige encontros mensais.

CARTA NA MANGA DE CORONEL

Angelo Coronel (PSD) já desenhou sua estratégia para se viabilizar na acirrada disputa pela renovação do mandato no Senado. O senador, que caminha nas fileiras da oposição baiana, repete aos quatro ventos que sua grande carta na manga será o forte discurso municipalista adotado nos últimos anos. É essa bandeira, segundo ele, que tem garantido a fidelidade e o apoio de dezenas de prefeitos no interior do estado.

DISCO ARRANHADO

O ex-ministro da Casa Civil e pré-candidato ao Senado pelo PT da Bahia, Rui Costa, parece ter escolhido um tema para martelar até a eleição: a acusação de traição contra a família Bolsonaro. Após o tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros, Rui repete incansavelmente o mesmo discurso. Errado ele não está; no jogo político, munição boa não se joga fora, se aproveita até o fim. Mas convenhamos que para frear a oposição no Estado Rui vai precisar de um discurso mais consistente, afinal de contas quem comando o Palácio do Planalto e o Ministério de Relações Exteriores é Lula e não o Pateta.

NOVELA SEM FIM

O Democracia Cristã (DC) da Bahia passa por dias turbulentos. O pré-candidato ao governo José Estêvão e o ex-presidente do diretório estadual travam uma batalha fratricida pelo controle da sigla. Em menos de dois meses, a comissão provisória do partido já sofreu alterações três vezes e corre o risco de mudar novamente por determinação da Justiça Eleitoral. Até agora, ninguém sabe ao certo se a legenda terá candidatura própria ou se vai virar puxadinho de algum medalhão. Essa novela ainda promete muitos capítulos.

HORSE DE TROIA

O tal filme Dark Horse, pensado para ser a grande homenagem ao ex-presidente Jair Bolsonaro, está se transformando em um verdadeiro Cavalo de Troia capaz de implodir por dentro a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto. O ministro André Mendonça, do STF, atendeu ao pedido da Polícia Federal e autorizou a abertura de inquérito para investigar os repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do longa. As apurações miram áudios vazados onde se pede dinheiro a Vorcaro, que teria irrigado a cinebiografia com astronômicos R$ 61 milhões. Tentar transformar a biografia do Capitão em propaganda eleitoral usando a cumbuca do Master tinha tudo para ser um triunfo, mas virou uma bomba-relógio no colo da família.

ENQUADRADA

Essa semana tem uma enquadrada com gosto de gás, só aplicada em fragrante cara de pau. O TCM/BA julgou procedente uma denúncia gravíssima contra o prefeito de Itanagra, Marcus Gustavo de Souza Sarmento (Avante). A apuração confirmou que recursos públicos municipais foram utilizados para custear o abastecimento de um veículo particular sem qualquer vínculo formal com a frota oficial da prefeitura — automóvel que pertence, no papel, à empresa EU E VOCE MOTEL LTDA ME. Alguém na gestão anda dando uma rapidinha às custas do erário público.

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