O Carrasco - Napoleão da Vinci
NAPOLEÃO NA VINCI
Aparentemente, a Vinci Airports tem planos audaciosos para se tornar a nova dona de Salvador. O desespero da concessionária francesa para impedir a proibição das cancelas no aeroporto é tão grande que a empresa abriu uma linha de pressão asfixiante para fazer a Câmara Municipal de Salvador (CMS) retirar de pauta o projeto de lei de Carlos Muniz (PSDB) e Daniel Alves (PSDB), que derruba o polêmico sistema Kiss & Fly. No ápice da audácia, o CEO da multinacional, Júlio Ribas, mandou arrancar as placas de sinalização de vagas destinadas aos taxistas que a Semob havia instalado, desafiando abertamente o Palácio Thomé de Souza. O Napoleão de terno e gravata pode até achar que manda na capital, mas precisa ter cuidado: o inverno da Rússia sempre chega para quem abusa da soberba na terra do Senhor do Bonfim.
SHOPPING OU FEIRA?
O Salvador Shopping tem se tornado uma verdadeira feira livre no pior sentido da expressão, e aqui o Carrasco pede o devido respeito aos feirantes da nossa terra, que são organizados. Transitar pelos corredores de um dos maiores e mais caros centros de compras da capital baiana virou uma missão impossível nos últimos meses. O motivo é o avanço desenfreado e desordenado de quiosques espalhados por todos os lados, que estrangulam o fluxo de pedestres e destroem a estética do espaço. O cliente paga caro pelo estacionamento e pelo conforto, mas ganha um labirinto de obstáculos em troca.
ESCROTIDÃO DE BILHÕES
O banco Itaú virou alvo de uma acusação pesadíssima que promete chacoalhar o sistema financeiro nacional. Segundo denúncia encaminhada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ao Ministério Público Federal (MPF), a instituição financeira teria usado seu poder de mercado para prejudicar diretamente carteiras digitais concorrentes, como PicPay, Mercado Pago e RecargaPay. O banco teria dificultado sistematicamente as transações via cartão de crédito nessas plataformas, enquanto liberava as mesmas operações em seus próprios canais sem qualquer entrave. A prática foi classificada como anticompetitiva, discriminatória e exclusionária. Se o martelo for batido, a punição por essa manobra pode ultrapassar os surreais R$ 27 bilhões. O bicho pegou feio para o gigante do "feito para você".
O BILHÃO DA GUARDA
O prefeito Bruno Reis (União Brasil) carimbou a sanção do Plano Municipal de Segurança Pública de Salvador e abriu as comportas de um fundo que promete injetar R$ 5,6 bilhões na área até 2028. O dinheiro tem destino certo: dar um ‘banho de loja’ e armamento na Guarda Civil Municipal (GCM), com direito a fardamento de ponta, base com Centro de Controle no Lobato e o prometido monitoramento com câmeras corporais em 100% dos agentes. A iniciativa é louvável e atende ao clamor da cidade por ordem na casa e se for para o cidadão andar na rua sem medo de assalto, tem o apoio integral do Carrasco. Em toda a Bahia os mesmos passos deveriam ser seguidos.
A SANTÍSSIMA 3TRINDADE
Em Paulo Afonso, até milagre parece obedecer à velha hierarquia dos privilegiados. A Santa pediu quase 1 milhão de bênçãos e recebeu de volta o silêncio celestial — talvez faltasse prestígio. Já a Santíssima “3Trindade”, desfilando entre luxo, influência e sapatos Gucci, abocanhou cerca de 1,6 milhão de bênçãos sem o aborrecimento de provar um único milagre. Convenhamos: quando a fé anda de mãos dadas com o prestígio, até o impossível ganha atalho. O curioso é que, para uns, exige-se prova, sacrifício e paciência bíblica; para outros, basta pose, sobrenome e boas companhias. Em Paulo Afonso, talvez o verdadeiro milagre não seja a bênção recebida — mas a cara de pau de quem acha tudo isso perfeitamente normal.
DANDO TRABALHO
As prefeituras do interior estão dando um trabalho danado e testando os limites do Ministério Público da Bahia (MP-BA). De quase nada adiantou o órgão de controle emitir recomendações rígidas para que os prefeitos pisassem no freio e reduzissem os gastos com os festejos juninos. Na contramão do bom senso e da responsabilidade fiscal, boa parte dos municípios ignorou o alerta e anunciou grades de São João recheadas de artistas com cachês milionários. Enquanto a orientação do MP-BA não se transformar em punição severa, com direito à inelegibilidade e corte na carne dos gestores, a farra com o dinheiro público disfarçada de arrasta-pé vai continuar correndo frouxa.
ACOLHER VIROU CRIME
Este Carrasco até ficou um pouco tocado com o inferno astral do deputado federal Pastor Sargento Isidório (Avante). O parlamentar, que chorou no plenário da Câmara ao achar que tinha votado errado na PEC 6x1, agora foi multado pela Justiça por continuar internando menores de idade com dependência química na Fundação Doutor Jesus, em Candeias. O Ministério Público (MP-BA) bateu o pé pela "desinternação" imediata dos jovens, mas fica o questionamento: não seria mais prudente o Estado apoiar e fiscalizar o tratamento desses meninos e meninas em vez de jogá-los de volta às ruas e, consequentemente, ao crime? Enquanto arca com a pesada multa de R$ 1.000 por criança, Isidório tenta correr atrás do prejuízo em Brasília, onde o projeto de lei que autoriza a internação voluntária de menores foi aprovado na Câmara e segue para o Senado.
DISPUTA PREVISÍVEL
O mercado de especulações políticas abriu o pregão com mil e um nomes para preencher a cobiçada suplência de Jaques Wagner na chapa do Senado. Contudo, o funil do grupo governista é tão previsível quanto o roteiro de uma novela mexicana. Embora as bolsas de apostas incluam quadros históricos e costuras de bastidores com o PSB, o grande "critério técnico" deve passar mesmo pelo crivo da cúpula do PSD na Bahia. No desenho final da engenharia política, todos os caminhos de acomodação de forças parecem apontar para o nome do jurista e ex-vereador Edvaldo Brito. Um belo quadro, uma bela escolha!
PASSEIO NA CASA BRANCA
O deputado estadual Leandro de Jesus (PL) parece bem mais feliz e empolgado em terras americanas do que exercendo o mandato na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Este Carrasco observou que o parlamentar tem passado uma temporada curiosa nos Estados Unidos, longe do estado que ele tanto critica nas redes sociais. Como não conseguiu uma senha para entrar pela porta da frente da Casa Branca, privilégio que ficou com o seu líder Flávio Bolsonaro, restou ao deputado baiano se contentar em gravar vídeos no jardim da residência oficial da presidência dos EUA para sua claque digital. Se para a oposição a situação ficou tímida, para os bolsonaristas apenas a presença na comitiva já mostrou força e prestígio ao deputado.
GUERRA DOS PGPs
Antes mesmo do início oficial do período eleitoral, o governo e a oposição prometem travar uma batalha inédita pelo interior do estado: a guerra dos PGPs. Enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) cruza as estradas baianas para tentar renovar o mandato através do tradicional Plano de Governo Participativo (PGP), a oposição liderada por ACM Neto (União Brasil) contra-ataca com o projeto "Sua Voz é a Nossa Voz", que segue o mesmo modelo de escuta ativa do cidadão. Essa disputa de narrativas em programas idênticos promete antecipar o clima das urnas, mas resta saber qual a receita o eleitorado irá escolher em outubro próximo.
UPB A PESO DE OURO
A União dos Municípios da Bahia (UPB) virou uma verdadeira moeda de troca de peso para quem está no comando e para quem já passou por lá. O atual presidente, Wilson Cardoso (PSB), é peça-chave para o Palácio de Ondina por garantir uma quantidade grande de prefeitos alinhados à base governista. Na contramão, o ex-presidente da associação e pré-candidato a vice na chapa carlista, Zé Cocá (PP), tenta usar o recall do antigo cargo para atrair gestores municipais para a oposição, uma estratégia que, até o momento, tem surtido efeito positivo. Correndo por fora, outro ex-mandatário do bloco, Quinho (PSD), usa a mesma grife para tentar cavar uma quase impossível vaga na cobiçada primeira suplência do senador Jaques Wagner. A UPB vai valer ouro até outubro.
TESTEMUNHA OCULAR
A ex-vereadora Léo Kret jura de pés juntos que nunca nem viu a cor do dinheiro envolvido no imbróglio financeiro que virou alvo de uma recente operação do Ministério Público da Bahia (MP-BA). É a aplicação clássica da tese da "testemunha ocular que não viu nada". Se essa versão de pureza absoluta e total desconhecimento dos fatos colar na Justiça, os promotores terão o espinhoso trabalho pela frente.
A PROFECIA DE BOULOS
De passagem por Salvador, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, vestiu o manto do otimismo e profetizou que o fim da escala 6x1 passa feito um trator no Senado antes do recesso de julho. Celebrando o que chamou de "vitória histórica" na Câmara, o ministro ignorou qualquer possibilidade de freio de arrumação por parte dos senadores e garantiu que os 49 votos necessários em dois turnos já estão no papo. Para amaciar o eleitorado baiano e ganhar a simpatia local, Boulos ainda brincou que a aprovação da PEC vai finalmente garantir tempo de sobra para o trabalhador baiano assistir ao jogo do Bahia ou do Vitória. O Carrasco duvida que na Casa Alta o debate seja raso como foi na Casa Baixa. Sob a presidência de Davi Alcolumbre (União Brasil), o Senado tem se mostrado um verdadeiro parlamento de respeito e maturidade.
LULA INSISTE EM MESSIAS
O presidente Lula (PT) claramente confunde teimosia com estratégia política ao insistir, mais uma vez, em testar a paciência do Senado com a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). No Congresso Nacional, aparentemente, a gratidão presidencial pelo famoso "Bessias" do governo Dilma é tão infinita que o petista parece disposto a colecionar derrotas históricas no Senado só pelo prazer de bater o pé. No Planalto, assessores já acenderam o alerta: empurrar um nome com forte rejeição na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) é o caminho mais curto para um novo e acachapante revés político. Ninguém duvida do brilhantismo de Messias, mas quando o Clima na Casa Alta anda acirrado, melhor não queimar o AGU e esperar para depois das eleições.
DESESPERO DA DIREITA
A tramitação da PEC que prevê o fim da escala 6x1 colocou o bolsonarismo e a direita tradicional em um dilema sufocante no Congresso Nacional. De um lado, a bancada precisava acenar ao PIB empresarial e defender as teses tradicionais do livre mercado. Do outro, os estrategistas perceberam que bater de frente com a proposta poderia destruir pontes valiosas com a classe trabalhadora de baixa renda, segmento crucial para a disputa presidencial. O resultado foi uma bagunça retórica completa. Se é para bagunçar talvez fosse melhor aprovar a 4x3. Como vingou a tese eleitoreira do governo, viva a incoerência em nome da sobrevivência nas urnas.
CORTINA DE FUMAÇA
A viagem de jatinho do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aos Estados Unidos virou um verdadeiro teatro tardio para tentar demonstrar prestígio internacional e, de quebra, abafar as investigações sobre o financiamento do documentário Dark Horse. O encontro rendeu pelo menos algo positivo: o PCC e o CV agora passam a ser enquadrados como narcoterroristas.
TERRENO PANTANOSO I
A demora dos órgãos responsáveis – especialmente Inema e Ministério Público Federal – em determinar o culpado pela contaminação na Praia de São Tome de Paripe, indica que a investigação pode ter caído numa verdadeira areia movediça. Os laudos apresentados mostram o cobre como principal agente de contaminação e a atual operadora do Terminal em questão transporta fertilizantes. Logo, evidencia-se que a culpa é da empresa que operava antes – a Gerdau.
TERRENO PANTANOSO II
Acontece que mesmo depois de confirmada a presença de cobre nas amostras de peixes e crustáceos mortos na região, o caso parece ter esfriado. E a disposição de quem deveria fiscalizar e punir pode ter diminuído. Será que ao encontrar um peixe grande como a Gerdau as autoridades competentes perderam o senso de urgência? Perguntar não ofende.
ENQUADRADA
A enquadrada da semana vai para a Renova Soluções em Tecnologia. A empresa andou aprontando peripécias pelo Detran e terminou dando “aquele jeitinho brasileiro” para acochar o sistema e exigir parceria com a multinacional Interprint, que já prestava um serviço de excelência junto ao órgão. Chegaram ao Carrasco documentos e prints de conversas nada republicanas envolvendo um ex-surfista, agora agiota, segundo fontes do Carrasco, apelidado de “O RICO”. A coisa, além de feia, é de deixar todo mundo assombrado e pelo andar da carruagem já deve tá tramitando dentro do GAECO. As próximas notícias serão nas páginas amarelas da Veja e nem adianta procurar os amiguinhos, filho dos amiguinhos ou quem quer que seja!