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Excesso de seriedade prejudica O Homem de Aço

Sete anos após a última - e fracassada - incursão de Super-homem no cinema, eis que surge O Homem de Aço, novo longa que reconta a origem do herói, e estreia hoje nos cinema. Dessa vez, o filme tem a benção do produtor Cristopher Nolan, o homem responsável por reerguer Batman nos cinemas.
Sob a direção de Zack Snyder (300, Sucker Punch), O Homem de Aço mostra um alienígena que busca as respostas para as perguntas básicas do ser-humano, segundo a filosofia: "Quem sou?", "De onde vim?" e "Para onde vou?" - não é à toa que mostra o jovem Clark Kent, com 12 anos, lendo Platão.
Enquanto Clark tenta descobrir a si mesmo, ele recebe pílulas de sabedoria diárias do pai terráqueo (Kevin Costner). O general Zod (o excelente Michael Sannon), vilão exilado de Krypton, parte em busca de Kal-El, como o super-herói foi batizado na Terra natal, para recuperar uma peça capaz de fazer o planeta natal deles ressurgir.
Paralelo a isso, a onipresente repórter Lois Lane (Amy Adams) vai escrever uma matéria sobre um estranho artefato incrustrado no gelo e conhece o alienígena Clark Kent.
Seriedade - Em busca da realidade que Cristopher Nolan tanto gosta, jogou-se fora o triângulo amoroso Clark Kent - Lois Lane - Superman. Na primeira parte do longa, a repórter já sabe que Kent é o Super-homem, estragando um dos charmes da história e enfraquecendo os minutos finais de O Homem de Aço.
Ainda seguindo a cartilha de Nolan, o filme é extremamente sério. As raras cenas que serviriam de alívio cômico não funcionam, sendo incapazes de arrancar uma risada. O personagem também nunca foi tão alçado a condição divina. Jor-El (Russell Crowe), o pai biológico, é claro na mensagem: "Eles vão considerá-lo um Deus entre eles".
As referências continuam com a idade de Clark Kent, 33 anos, a mesma de Jesus Cristo quando foi crucificado, segundo os cristãos; a forma como ele sai de uma nave para salvar o mundo, como se estivesse em uma cruz, e a dúvida se a humanidade merece realmente ser salva por ele. Para responder a essa última questão, ele recorre a um padre católico, em uma cena completamente desnecessária.
O roteiro, escrito por David S. Goyer, com história dele e de Christopher Nolan, vai e volta no tempo, mostrando de forma episódica como o jovem Clark foi descobrindo os poderes. Isso acaba prejudicando a fluidez do filme.
O ato final de O Homem de Aço é um espetáculo digno do diretor Michael Bay (Transformers), com a cidade de Metrópolis sendo devastada e explosões acontecendo por segundo.
Henry Cavill tem o biotipo ideal para o papel, mas não o carisma, e nem é um bom ator. A testa franzida é o único recurso dramático dele no filme. Amy Adams, que é boa atriz, parece que está no piloto automático. Quem se destaca é Michael Shannon como o vilão Zod.
Ao final, o que temos é um razoável filme de ação que poderá ser facilmente esquecido em pouco tempo. Ainda não foi dessa vez que Super-homem ganhou uma adaptação a altura. Ah, e economize no ingresso do 3D. O Homem de Aço não aproveita o recurso o suficiente para assistí-lo nessa versão.
Assista ao trailer do filme
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