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Festival reúne curtas de comunidades periféricas; seis são baianos

Júlia Lobo*
Por Júlia Lobo*

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Acessibilidade, diversidade e representatividade. A tríade fundamenta a primeira edição do Olhar Periférico Festival de Cinema, que busca ampliar o acesso aos jovens e cineastas das periferias de todo o Brasil. Com a presença de seis curtas-metragens baianos, o festival paulista é inteiramente digital e tem início marcado para segunda-feira, 2, seguindo até o dia 15 de agosto, domingo. A apresentação dos filmes será feita gratuitamente através da plataforma #Culturaemcasa (culturaemcasa.com.br), às 19h e 20h, e todos os curtas selecionados podem ser conferidos no site olharperifericofestival.com.

Ao todo, dos 503 curtas inscritos, 33 foram selecionados e subdivididos em quatro mostras: Olhar Feminino, Olhar Diversidade, Olhar Jovem e Todos os Olhares. Gêneros como documentário, ficção e animação retratam as visões de mulheres, jovens, LGBTQIA+ e adultos, categorias de diretores e roteiristas escolhidas para garantir a multiplicidade de olhares que existem nas comunidades periféricas do país.

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“O festival surgiu justamente da ideia de mostrar o cinema que é feito nas periferias do Brasil, da necessidade de mostrar essas produções pulsantes. E mostrar que nas grandes cidades existe uma produção muito ampla que está nas margens, nas bordas, e que muitas vezes não chega aos grandes festivais. Porque eles acabam contemplando os mesmos diretores, os mesmos cineastas e não dão oportunidade a esses jovens, essas mulheres, pessoas que fazem cinema e que acabam colocando apenas em plataformas como o YouTube”, conta Eduardo Santana, diretor e idealizador do Olhar Periférico.

Além de mostrar o que está sendo feito fora dos eixos das grandes capitais, a valorização de projetos desenvolvidos sem o apoio de uma produção complexa faz parte do conceito do festival.

“Principalmente por uma questão da facilidade de fazer cinema, de fazer um filme hoje em dia. Você pode fazer isso 100% com celular ou mesmo com um equipamento mais barato, como uma câmera básica. Temos softwares de edição hoje que são de graça, que estão na internet. Então você consegue fazer toda a produção de um filme por um custo muito baixo, sem perda alguma da qualidade narrativa”, explica o diretor.

Olhares da Bahia

Os seis títulos baianos que integram a mostra revelam o trabalho de diretores de Salvador a Cachoeira, no interior baiano. Mãe Solo e Um Transe de Dez Milésimos de Segundo compõem a mostra Olhar Feminino, Mil Vinny’s – Suíte Cachoeirana e CEGO_CIDADE estarão na mostra Olhar Jovem. Por fim, teremos Capécia e Às moscas na mostra Todos os Olhares.

O documentário Mãe Solo conta a história de duas mulheres de gerações diferentes, que são mães, pretas e moradoras de comunidades periféricas de Salvador. Em primeira pessoa, elas apresentam suas vivências e identidades como mães solteiras e as dificuldades impostas pelo sistema na criação das crianças. Para a diretora Camila de Moraes, 34, o gênero documentário é poderoso na criação de discussões sobre questões étnicas e raciais, temas que sempre trabalhou. Ela ainda destacou a importância da presença do título no festival.

“O Olhar Periférico dialoga com várias periferias, e Mãe Solo conta duas histórias de periferias específicas de Salvador, além de outras temáticas, e essa é uma realidade do Brasil. Para além disso, são vários curtas com mulheres fortes, que são capazes de gerar outras vidas. Elas são necessárias para este país continuar e contam como o sustentam e fazem ele existir. E são elas que fazem e farão a mudança, a diferença”, afirma Camila.

A partir de uma narrativa distinta, o horror Capécia também fala sobre racismo. O nome do curta faz referência ao livro Pele negra, máscaras brancas, do autor Frantz Fanon, onde a personagem Mayotte Capécia se casa com um homem branco na tentativa de se aproximar do padrão social estabelecido como belo. Capécia aborda a questão da dominação através dos corpos brancos, magros, altos e eurocêntricos.

“A ideia surgiu no processo de pesquisa nas redes sociais e produções audiovisuais. É impressionante como estes padrões são perpetuados ao longo do nosso desenvolvimento social, levando muitas pessoas há uma necessidade tóxica de tentar se encaixar neles”, conta o cineasta e diretor Állan Maia, 26.

Formado em Cinema e Audiovisual pela UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), o cachoeirano, que já participou de outros eventos de cinema, ressaltou a particularidade do Olhar Periférico. “O festival possibilita o espaço para novos olhares, filmes que ficavam de fora de muitos festivais, ganhando um espaço para discutir temas atuais e necessários através da visão das próprias pessoas que vivenciam esses temas”.

Troféu Olhar Periférico

Os 33 filmes foram selecionados por quatro curadores específicos das mostras. Todos eles estarão competindo pelo troféu Olhar Periférico e o melhor curta de cada categoria será premiado após a avaliação de cinco jurados. Os critérios de análise serão conceito e narrativa, roteiro, edição, finalização e originalidade. “Essas características são fundamentais para um curta”, conta o diretor Eduardo Santana, que realiza há mais de dez anos o Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico, em São Paulo.

A única mostra que não participará da premiação é a Olhar Cult. Composta por oito longa-metragens convidados pelo curador Filippo Pitanga, eles também apresentam o universo de periferias brasileiras. Um deles é o premiado Café com Canela, filme baiano de 2017 dirigido por Ary Rosa e Glenda Nicácio.

“A diferença também é que eles não ficarão disponíveis o festival inteiro, apenas de 24 a 48 horas. No máximo, você terá dois dias para assistir aos longas”, explica Eduardo. Já os curtas terão estreias em dias específicos e ficarão na plataforma até o último dia, domingo (15).

A Mostra Cult também assume um papel de motivação. “A gente quer mostrar para esses jovens que eles têm a possibilidade de estrear nesses festivais maiores, e para mostrar que ali também tem gente que começou na periferia fazendo curtas, e hoje participa de Festival de Rotterdam (Holanda), Festival de Veneza (Itália), e isso é muito importante. Mostrar que eles têm oportunidade, através do estudo, é claro, se aprimorando, até para tentar novos caminhos”, complementa o diretor.

Inicialmente pensado para formato presencial, a pandemia da Covid-19 alterou os planos da organização, que contaria com um sarau. As apresentações foram gravadas e serão disponibilizadas na plataforma do festival.

Segundo Eduardo, a pretensão é que no ano que vem, o evento aconteça em formato híbrido. “Não adianta abandonar a internet agora, acho que trabalharíamos no sentido dos dois. Eu digo que o grande diferencial do online é a abrangência. Se fosse presencial, ele seria só em São Paulo, numa sala reservada para 100/120 pessoas. O online tem a possibilidade de você alcançar o mundo, e o festival não está só em São Paulo, está em todo o Brasil”.

Mas o diretor também reconhece o valor do contato entre as pessoas presencialmente. “É muito importante porque você tem a troca, tem o bate-papo com o diretor, com o elenco do filme. Você tem o burburinho de sair da sessão e comentar com os amigos. Ele tem isso, que é viver o cinema. Um bom som, boa tela e um local fechado. É diferente porque você não pausa e sai da sala do cinema, como faria em casa. Além da perda de qualidade de assistir na TV, numa tela de celular, você não consegue viver plenamente o filme”.

O Olhar Periférico Festival de Cinema é um projeto contemplado pelo edital da Lei Aldir Blanc, que prevê auxílio ao setor cultural.

*Sob supervisão do editor Eugênio Afonso

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