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Loucas de Alegria: jornada interior em comédia dramática

Não há como ver Loucas de Alegria, do italiano Paolo Virzì, e não pensar no já clássico Thelma & Louise. Sobretudo quando se observa a foto de Valeria Bruna Tedeschi e Micaela Ramazzotti juntas, tipo pé na estrada, em um conversível, assim como Geena Davis e Susan Saradon no filme de Ridley Scott. Em ambos, como que congelado, o instante de felicidade.
Mas uma via alternativa passa por Loucas de Alegria, nem sequer tangenciada pelo filme de 1991, que, para além de um pós-feminismo encantado, eternizava um ideal de graça e contentamento impossível de ser interrompido mesmo diante da tragédia. Com humor sempre em alta, a história de Virzì flutua em torno das relações de pessoas internas da clínica psiquiátrica Villa Biondi, na Toscana.
Referências
Tedeschi é Beatrice. Ela lembra três personagens inesquecíveis do cinema: a Norma Desmond (Crepúsculo dos Deuses, 1950) de Billy Wilder, a Blanche DuBois (Uma Rua Chamada Pecado, 1951) de Elia Kazan e a Blue Jasmine (2013) de Woody Allen. Com transtorno bipolar, nunca desce do salto, embora, ao que parece, tenha sido levada à ruína depois de se envolver com um cafajeste.
Beatrice mal consegue engatar um diálogo, dada a arrogância que ostenta com seus delírios de grandeza. Presa a uma espécie de isolamento que a faz circular deslumbrada, falando sem parar e praticamente sozinha, ela encontra afinidade em uma nova interna que é justamente o seu oposto.
Introspectiva, maníaco-depressiva, Donatella (Ramazzotti) é viciada em drogas e tentou o suicídio carregando o filho nos braços.
Autoconhecimento
Ambas vão fugir da clínica e percorrer um caminho, inclusive de volta à família, que não deixa de figurar como uma busca pelo autoconhecimento, fazendo de Loucas de Alegria o reflexo de uma jornada interior.
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