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Drones trazem inovação ao agronegócio baiano e elevam produtividade no campo

Número de equipamentos nas propriedades rurais do País saltou de 3 mil, em 2021, para 35 mil, em 2025

Laura Pita*
Por Laura Pita*

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Imagem ilustrativa da imagem Drones trazem inovação ao agronegócio baiano e elevam produtividade no campo
- Foto: Reprodução/conferenciaanprotec

De pulverizadores a fiscais de rebanho, os drones agrícolas avançam rapidamente no campo brasileiro e já transformam o agronegócio baiano. Dados registrados pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que o número de equipamentos em operação nas propriedades rurais do país saltou de cerca de 3 mil, em 2021, para 35 mil, em 2025. Na Bahia, produtores rurais reforçam essa tendência ao investir na tecnologia para ampliar a eficiência, reduzir custos e otimizar o manejo no campo.

No agronegócio, os drones desempenham funções tanto na agricultura quanto na pecuária. Atualmente, a principal aplicação da tecnologia está na pulverização agrícola, utilizada no manejo de pragas, doenças e plantas invasoras. A ferramenta também é empregada no monitoramento de rebanhos e lavouras, no georreferenciamento de propriedades, em levantamentos topográficos e no acompanhamento da sanidade das culturas.

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A Bahia se destaca na fabricação de drones agrícolas. Sediada em Ilhéus, no sul do estado, a empresa Gteex produz tecnologia embarcada para equipamentos voltados a diversas aplicações, sobretudo a pulverização. Entre os principais destaques da empresa está o King 150 Max, considerado o maior drone agrícola da América Latina, com capacidade para 150 litros e projetado para operações de alta demanda em grandes extensões de terra.

No estado, os drones chegaram primeiro às grandes culturas, como soja, milho, algodão e pastagens, segundo Danilo Pazotto, gestor de Canais da Gteex. “O oeste baiano se destaca como a região de maior adoção desses equipamentos no estado. É onde estão as grandes lavouras e os produtores mais capitalizados e abertos à inovação. Porém, temos visto uma expansão significativa para outras culturas e regiões. O café do sul e do oeste da Bahia, os citros do Litoral Norte, as frutas do Vale do São Francisco estão cada vez mais incorporando os drones no manejo fitossanitário”, afirma.

Em Formosa do Rio Preto, no extremo oeste do estado, a Fazenda Pillati utiliza o equipamento há mais de quatro anos na aplicação de fungicidas, fertilizantes foliares e inseticidas nas culturas de frutas e de grãos. “Também usamos o drone no cultivo de milho para lançar sementes de braquiária e formar palhada. Sem contar o pensamento a longo prazo para aplicações em pivô central, visando reduzir o amassamento causado pelos rastros dos pulverizadores”, destaca Pablo Alcântara, assistente técnico da fazenda.

Exigências legais

Para levar a tecnologia ao campo, antes do uso é preciso atender às exigências legais, como orienta Danilo Pazotto. O drone deve ser registrado na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), e o produtor precisa solicitar autorização de acesso ao espaço aéreo por meio do Sistema de Solicitação de Acesso de Aeronaves Remotamente Pilotadas (Sarpas), junto ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea). Além disso, o piloto deve concluir o Curso para Aplicação Aeroagrícola Remota (Caar).

Também é obrigatório registrar os produtos aplicados nas plataformas do Mapa, enquanto os prestadores de serviço precisam regularizar a empresa no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) e nos órgãos de fiscalização ambiental.

Após cumprir essas etapas, o uso dos drones passa a oferecer uma série de benefícios ao produtor, entre eles o custo-benefício. Em Luís Eduardo Magalhães, a loja especializada Dronelem comercializa equipamentos que variam de R$ 99 mil, no modelo com capacidade para 20 litros, a R$ 205 mil, na versão com tanque de 100 litros.

Assim, o investimento se mostra mais acessível quando comparado a um pulverizador autopropelido, que facilmente supera R$ 1 milhão, ou a uma aeronave agrícola, cujos valores variam entre R$ 3,5 milhões e R$ 5 milhões.

Para além do custo-benefício, Carlos Lima, coordenador de inovação do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária da Bahia (Faeb), avalia que o equipamento amplia a produtividade no campo ao permitir decisões mais assertivas com base em dados em tempo real. Segundo ele, a inserção também reduz custos, com menor uso de insumos e aplicação mais eficiente, além de garantir maior precisão operacional e evitar desperdícios. Outro benefício está na preservação do solo, já que dispensa máquinas pesadas e reduz a compactação do solo.

Contudo, de acordo com Carlos Lima, ainda existem gargalos relevantes para a expansão dos drones no campo. O primeiro deles é o custo inicial e a dificuldade de acesso ao crédito, especialmente para pequenos produtores. Soma-se a isso a necessidade de capacitação técnica, tanto para a operação dos equipamentos quanto para a interpretação dos dados gerados.

Ademais, persistem entraves relacionados à regulação e à formalização do setor, que limitam parte do mercado. Outro desafio é a infraestrutura digital insuficiente, sobretudo em regiões com baixa conectividade. Além disso, a resistência à inovação, mais comum em ambientes menos tecnificados, ainda freia a adoção da tecnologia.

Futuro da tecnologia

Para o futuro, Felipe Dantas, proprietário da Dronelem, projeta forte crescimento do uso da tecnologia nos próximos dez anos. “Os novos lançamentos de drones irão impulsionar ainda mais o mercado, assim como a tendência de redução no custo de aquisição”, afirma.

O avanço dos drones representa uma mudança de paradigma no agronegócio baiano, segundo Carlos Lima: “Saímos de uma agricultura baseada na experiência para uma agricultura baseada em dados. E quem entender isso mais rápido terá vantagem competitiva no campo”.

* Sob a supervisão da editora Cassandra Barteló

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