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‘Sustentabilidade é o novo desafio do Matopiba’

Confira entrevista completa com Marco Bomfim, chefe-geral da Embrapa Cocais (MA)

Divo Araújo
Por Divo Araújo

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Marco Bomfim, chefe-geral da Embrapa Cocais (MA)
Marco Bomfim, chefe-geral da Embrapa Cocais (MA) - Foto: Divulgação

O Matopiba já não é mais uma promessa. A região se consolidou como uma das principais fronteiras agrícolas do país e deve seguir em expansão nos próximos anos. “Hoje, a gente pode já dizer que é uma região consolidada do ponto de vista de estrutura produtiva”, explica Marco Bomfim, chefe-geral da Embrapa Cocais (MA), nesta entrevista ao A TARDE.

Esse avanço, no entanto, traz novos desafios. Com as áreas mais aptas já ocupadas, o crescimento passa por caminhos mais complexos, como o uso de solos menos férteis e a adaptação às mudanças climáticas.

Ao mesmo tempo, cresce a pressão do mercado por práticas responsáveis, já que “cada vez mais o mundo cobra do Brasil essas evidências de produção sustentável”.

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Na conversa, Marco Bomfim detalha os caminhos para um desenvolvimento mais equilibrado no Matopiba. Ele destaca a recuperação de áreas degradadas, a inclusão da agricultura familiar e o papel da pesquisa para garantir produtividade com menor impacto.

“Agora nós entramos numa outra fase, que é de garantir o que a gente já conquistou”, diz.

Confira a entrevista completa

Como o senhor avalia o atual estágio de desenvolvimento do Matopiba no contexto do agronegócio brasileiro?

Hoje, a gente pode já dizer que é uma região consolidada do ponto de vista de estrutura produtiva. Tanto Maranhão como Tocantins, Piauí e Bahia são estados que têm uma produção consolidada, uma tecnologia já bastante assentada e que cresce.

O Ministério da Agricultura estima que nos próximos quatro anos nós vamos aumentar em 30% a produção nesses territórios, basicamente nas principais commodities - soja, milho, algodão. Mas cresce de maneira muito importante outros produtos, como é o caso do sorgo, para atender a indústria de etanol. Esse é um fato interessante dentro desse território, que é o crescimento da agroindústria.

Falo dessas biorrefinarias de etanol especialmente, que tem promovido essa indústria de produção para atender não só do ponto de vista dos grãos para fermentação, como é o caso do sorgo, mas também da produção de madeira de biomassa para energia, para produção de vapor nessas agroindústrias.

E a pecuária também vem crescendo em função do subproduto que essas agroindústrias produzem, que é o DDGS. É um subproduto dessas destilarias que tem sido utilizado nos confinamentos para a produção de carne bovina. Então, é todo um complexo que agora se diversifica e que cresce em razão do movimento do agronegócio.

Tanto Maranhão como Tocantins, Piauí e Bahia são estados com uma produção consolidada, uma tecnologia já bastante assentada e que cresce

O Matopiba foi batizado com esse nome na década de 1980 e, de lá para cá — especialmente nos últimos anos —, a região tem registrado um crescimento acelerado da produção agrícola. Na sua avaliação, o que explica esse avanço?

A gente tem alguns fatores. Primeiro, a gente já tinha uma tecnologia dominada no Centro-Oeste, especialmente em Goiás e Mato Grosso. Essa tecnologia facilitou a entrada desses produtores nessas áreas novas, com terras mais baratas, obviamente. Isso trouxe essa expansão associada a alguns portos que facilitaram o escoamento da produção.

Posso destacar o Porto do Itaqui, aqui no Maranhão, que foi o segundo maior exportador de soja no país, ultrapassando o Porto do Paranaguá, em exportação de soja. Temos também o Porto de Barcarena, aqui no Arco Norte, no Pará, que coleta soja em todos os estados do Matopiba. Há ainda todo um escoamento ferroviário, que barateou muito o custo.

Cerca de 50% dos grãos que chegam até esses portos vêm por via ferroviária, tanto pela Ferrovia Norte-Sul, quanto pela Ferrovia de Carajás, que foram interligadas agora. Então, você tem um modal logístico que reduz esse custo, tem portos que estão mais perto das zonas compradoras - Estados Unidos, Europa e o canal do Panamá - associado a terras mais baratas, com uma estrutura muito semelhante ao que a gente tem no Cerrado já dominado.

Portanto, ficou muito mais fácil para esses empreendimentos se estabelecerem nessas áreas novas. Todos esses fatores fizeram com que essa expansão ocorresse nessas áreas de cerrado.

Quais são, hoje, os principais desafios para a produção no Matopiba?

Eu diria que as áreas com maior aptidão agrícola hoje estão praticamente todas ocupadas. A expansão do Matopiba privilegiou essas áreas com maior teor de argila e maior fertilidade. Agora, nós temos uma expansão para as áreas consideradas menos aptas.

Temos áreas mais arenosas, chamadas de plintossolos, que são solos mais pedregosos, especialmente no estado de Tocantins. Elas precisam envolver tecnologias para a utilização racional desses solos. Para que a gente possa estruturar esses solos e tenha uma produtividade tão próxima, o quanto possível, dos solos mais bem estruturados. Aí vem todo esse problema de safra e de safrinha, porque esses solos não retém muita umidade. Nessas terras, a safrinha já fica um pouco mais desafiadora.

Por isso, o sorgo fica para a segunda safra. Por isso que tem aparecido o gergelim, o feijão-mungo e outras culturas que exigem menos água e que podem ser produzidas nessa janela mais curta. Mas também temos o desafio da sustentabilidade.

Os agroquímicos, os produtos de base biológica, têm sido também uma busca frequente. A certificação desses produtos, buscando também a reputação do mercado internacional, que cada vez cobra mais do Brasil essas evidências de produção sustentável. Nessa esteira também vem a conversão de áreas degradadas.

Áreas normalmente utilizadas para pastagens, que hoje não se prestam para esse fim, em função de estar em um estado de degradação mais avançado. E converter isso em áreas novamente aptas para agricultura, que é onde a gente imagina que seria mais viável o crescimento. Dessa forma, não precisaríamos mais abrir novas áreas.

As áreas com maior aptidão agrícola estão praticamente todas ocupadas. Agora, temos uma expansão para áreas consideradas menos aptas

Que outras estratégias podem garantir um desenvolvimento mais equilibrado no Matopiba?

O investimento também na agricultura familiar. Inclusive os próprios agricultores que trabalham com commodities têm sinalizado isso. Mais de 70% dos produtores dessa região são de agricultura familiar, e precisa ser equiparado, porque em algumas regiões tem causado alguns conflitos. Há também uma necessidade de que essas tecnologias apropriadas para a agricultura familiar possam chegar. E que esses agricultores possam alimentar essas cidades que crescem.

Essas cidades que se desenvolvem hoje, por exemplo, Luís Eduardo Magalhães, Balsas e Barreiras, têm uma demanda por alimentos que não são produzidos pela agricultura familiar, como os hortifruti. E a agricultura familiar precisa ser também adicionada nesse crescimento, para que a gente tenha um território que cresça de forma equânime.

Esses são os desafios que nós estamos observando hoje. Associado a isso a gente tem um programa também de inteligência territorial. É preciso que a gente revisite esses territórios para entender essa dinâmica de uso do solo.

Para poder orientar a política pública também e traçar os caminhos para que esse território cresça de maneira sustentável. E não haja essa colisão de áreas de proteção - áreas de território indígena, que também tem dentro desse território do Matopiba, agricultura familiar. Esses são os pilares que a Embrapa tem hoje visualizado como sendo os três desafios para a gente ter um crescimento mais ordenado dentro do território.

O senhor mencionou a relevância da agricultura familiar na região. No entanto, o Matopiba é frequentemente associado ao agronegócio empresarial. Na sua avaliação, o que explica essa percepção e como ela pode ser revista?

De uma maneira geral, o agronegócio acaba ocupando muito mais a mídia, dentro das propagandas e dentro dos noticiários. Isso acaba surgindo muito mais forte com o anúncio de safra. E a agricultura familiar tem ficado invisibilizada nesse processo.

Acho também que tem um problema de abordagem nesses territórios. Porque para o grande agricultor que trabalha com comodidades, a tecnologia já é suficiente para que ele escale. Porque ele tem recurso, assistência técnica que ele também consegue captar. E o pequeno precisa muito da política pública. É muito necessário que a gente tenha uma política pública estruturante. Isso é uma coisa que no Brasil a gente precisa avançar, com a assistência da instituição rural, com acesso ao mercado.

A gente tem algumas políticas importantes, mas precisa avançar muito mais. E ter uma tecnologia apropriada à organização social. Esses produtores, como são pequenos, não têm escala e precisam trabalhar em associações, cooperativas. É um trabalho que não só a tecnologia vai conseguir fazer com que isso se mova. É preciso que isso esteja dentro de políticas públicas mais estruturantes.

De algum tempo para cá nós temos conseguido compreender que essa lógica do pequeno é diferente do grande. Não é só capacitação, treinamento, ou deixar disponível a tecnologia. É preciso de uma política mais estruturante para que a gente possa de fato fazer com que esse agricultor familiar mude de patamar.

Há alguns casos que a gente consegue observar de avanço, mas no geral, essa agricultura familiar ainda está muito dependente dos programas de distribuição de renda, e que levam a uma autonomia. Essa é uma área que a gente ainda precisa avançar, para que possa, não só no território do Matopiba, mas eu diria que em todo o país, criar uma onda de inovação de fato que é a agricultura familiar.

Qual é o papel da pesquisa da Embrapa na viabilização da agricultura em uma região que, originalmente, era considerada de baixa fertilidade?

Quando a Embrapa foi criada, há mais de 50 anos, o desafio era imenso. O Brasil é o mais importador de alimentos, e nós tínhamos toda essa área a ser explorada, que era considerada inóspita. O pai da agricultura verde, um americano que ganhou o prêmio Nobel, veio até o Brasil, olhou o cerrado e falou: vocês nunca vão conseguir produzir nessa área, não tem condição.

Mas logo, não só a Embrapa, mas as universidades e os institutos federais, conseguimos entender que não poderíamos trazer tecnologia da Europa para cá, de solos que são sujeitos a congelamento ao longo do ano, temperaturas diferentes. E entendemos a questão da estrutura do solo. Que precisávamos investir em plantios sem revirar esse solo. Precisávamos corrigir a acidez desse solo para combater o alumínio livre. E precisávamos corrigir também alguns elementos limitantes, como é o caso do fósforo.

A partir desse momento, nós conseguimos, com a pesquisa, entender os pontos importantes e desenvolver as tecnologias para solucionar esses principais problemas, porque tínhamos problemas extremamente críticos, como é o caso da física do solo. A gente tinha um solo que era profundo, mas o grande problema era realmente a química do solo e o pH. Mas conseguimos reverter essa situação e de fato o Brasil conseguiu deslanchar as áreas planas e se tornar esse país hoje o maior produtor de alimentos do mundo.

Nós hoje alimentamos um bilhão de pessoas com uma agricultura que foi toda baseada em ciência. Esse é o grande diferencial do país. Aí veio a tropicalização da soja, o desenvolvimento de espécies forrageiras que fizeram a expansão de toda a bovina. Acredito que nós tivemos muito sucesso em fazer esse escalonamento da produtividade. Agora nós entramos numa outra fase, que é de garantir o que a gente já conquistou. E aí vem toda uma pauta ligada à sustentabilidade.

Quando o mercado começar a cobrar a valorização da sustentabilidade na produção, isso impacta diretamente o negócio

Que a saúde desse solo permaneça de uma forma que a gente consiga explorar não só essa geração mas as próximas também. Diversificar o máximo possível essa produção agrícola com o conhecimento que nós já temos.

O Brasil hoje é líder em ciência tropical. Não tem ninguém no cinturão tropical do globo que tenha o conhecimento para a produção que o Brasil tem. Esse é um grande diferencial. Temos muitas áreas para explorar abertas já. Como comentei, são áreas bastante degradadas, mais inóspitas como essas áreas de plintossolos, áreas arenosas. Mas conseguimos converter em áreas produtivas. O Brasil ainda tem um laço muito grande para produzir sem precisar de novas áreas.

O senhor mencionou um modelo de produção baseado em ciência e tecnologia. Esse modelo já está consolidado ou ainda há espaço para ganhos relevantes de produtividade na região?

Nós já temos hoje um modelo que entrega alto nível de produtividade, mas ainda há muito a ganhar com a entrada de novas áreas. Dentro das áreas que são aptas para produção, os ganhos que vamos conseguir são pequenos. Mas a gente vai ganhar muito em conservação de solo, em estrutura de solo para manter esses ganhos estáveis.

Hoje, o nosso desafio é que esses solos permaneçam com esse nível de produtividade indefinidamente. Garantir que essa saúde da matéria orgânica do solo esteja estável. Mas também que as nossas espécies consigam lidar com todas essas mudanças de clima. Não é novidade a gente falar que o clima está mudando.

E a gente percebe este ano que houve um desafio climático importante em algumas regiões. E nós precisamos cada vez mais também trabalhar nosso sistema de produção, nossa genética, para que ela lide com essas situações de veranicos, de restrições hídricas, de maior desafio climático. Que a gente consiga manter essa estabilidade de produção. Manter a resiliência diante de todas essas oscilações é o nosso maior desafio.

Ter estabilidade para que a gente continue produzindo bem, mesmo com essas oscilações climáticas que vão ser cada vez mais frequentes. E a razão de que a gente tem, não só aqui no Brasil. O balanço é global. Nós temos países que impactam muito no clima e que de fato não estão assumindo compromissos relevantes de mudança dessa rota. Por isso, a gente já prevê para o futuro que esses eventos climáticos extremos vão ficar cada vez mais frequentes. Temos que nos preparar para isso, para que a gente continue nessa vanguarda.

Já há maior conscientização dos produtores sobre a necessidade de preservação também do Cerrado?

Eu acho que isso é uma coisa natural, inclusive porque a própria sociedade já está muito consciente disso. Quando falo da sociedade, falo do mercado também. E quando o mercado começar a cobrar a valorização da sustentabilidade na produção, isso impacta diretamente o negócio. Não é mais uma questão só comentada por cientistas, defensores da natureza.

É uma questão que toda a sociedade hoje discute e se preocupa. E isso começa a afetar o mercado, começa a afetar o preço dos produtos. Começa a afetar barreiras comerciais e tarifárias. Portanto, isso acaba mudando toda a lógica de produção.

Hoje, a Embrapa tem uma pauta forte voltada para uma agricultura de baixo carbono - de trigo, de soja, de carne. Já preparando os sistemas de produção para essa demanda que está vindo de maneira muito rápida. Porque o mercado começa a exigir isso cada vez mais forte. E isso promove uma mudança em todo o sistema agroindustrial e impacta também no produtor. Cada vez mais os produtores estão buscando se integrar nessa nova lógica de produção, sob pena de ficar fora do mercado.

Nesse contexto, os sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) são relevantes? Como eles funcionam, qual é o nível de adoção na região e que resultados já podem ser observados?

Sim, sem dúvida nenhuma, nós já temos uma quantidade importante de área com esse sistema. É um sistema que imita o sistema natural, onde você tem árvores, tem a parte de produção agrícola, tudo integrado. As folhas das árvores retornam a materialização do solo, que capta das raízes mais profundas, dá sombra também para o gado que está produzindo dentro dessas áreas. Você tem um sistema muito mais equilibrado.

Obviamente, que ele avança nas regiões onde você tem também o comércio para essa madeira. Aqui no Maranhão, por exemplo, na região de Imperatriz, tem uma grande operação da Suzano. São 250 mil hectares de floresta plantada e uma grande fábrica que exporta celulose. No entorno você tem, por exemplo, 5 mil hectares de integração lavoura-pecuária-floresta, que fornece essa madeira também. Está dentro da operação da Suzano, que é uma operação também toda eficiente, de reutilização de todo esse material.

Esse sistema se expande nessas áreas. Essas destilarias de produção de etanol, a partir do milho e do sorgo, usam também essa madeira como fonte de energia para produção de vapor. Isso estimula também a produção desses sistemas com árvores

Mas independente do ILPF, nós temos também o ILP, que é a operação da lavoura com a pecuária. Ou seja, entre uma safra e outra dos grãos, entra o bovino, que deixa também a urina dentro do solo. E isso incorpora nitrogênio, incorpora outros minerais, matéria orgânica, melhora a estrutura do solo. Nós estamos percebendo que cada vez mais nós precisamos integrar a produção. Isso aumenta a produtividade da terra.

Ao invés de ter uma safra de soja durante o ano, tenho 40% do tempo dessa área utilizada. Eu tenho uma safra de soja, depois entro com uma safra de milho, uma braquiária (que forma pastagem para o gado). Depois do milho essa braquiária fica, eu entro com o boi. Depois o boi sai e entra a soja de novo. Dessa forma, tenho praticamente 100% do tempo dessa área sendo utilizada. Isso aumenta a produtividade da terra.

A cada mês estou aumentando a quantidade de material orgânico do solo e quebrando o ciclo de doenças. Porque eu entro com o boi e não tenho a soja naquele momento, as larvas que estão ali de algum nematóide, alguma doença desse tipo, elas não conseguem mais prosperar. Aí faço a rotação da cultura. Essa mescla de culturas, essa integração com outras culturas também, são o futuro da produção.

Para que a gente possa ter aí uma cultura beneficiando a outra, quebrando o ciclo de doenças, fazendo essa integração e dando mais sustentabilidade ao sistema. Esse é o caminho definitivamente que a gente está cada vez mais apostando como sendo os sistemas que vão predominar no futuro.

Diante da degradação do Cerrado e das reservas ainda intactas, sobretudo no oeste baiano, como o mercado de créditos de carbono pode fomentar a conservação florestal integrada ao desenvolvimento produtivo?

Sem dúvida, nenhuma. Houve a aprovação de uma lei no ano passado, voltada para regulação desse mercado, mas a agricultura ficou de fora. Por que ficou de fora? Porque nós não temos uma base de dados suficiente para essa mensuração.

A gente não tem uma base robusta para entrar numa propriedade e conseguir fazer um balanço. Como faço por exemplo em uma indústria e consigo calcular rapidamente quanto carbono está emitindo.

Nós estamos hoje com a plataforma de carbono dentro da Embrapa, acelerando o processo de mensuração desses dados. Quanto tem cada árvore dessa de carbono? Qual é o estoque? Quanto você acumula ao longo do tempo? Quanto que isso consegue produzir? Para que a gente consiga no futuro quantificar esse carbono para ver se está disponível para esse mercado. Hoje tem um mercado que funciona, que a gente chama de mercado não regulado, um mercado voluntário.

Algumas empresas compram esse crédito para as suas políticas de ESG. Mas a gente não tem mercado formal estruturado. Isso vai existir, não há dúvida disso. O que a gente precisa nesse momento são os projetos para que a gente aumente a base de dados.

Para que a gente possa ter de fato esse modelo de estimar a quantidade de carbono estocado nessas matas. Inclusive para a própria agricultura familiar extrativista que explora a floresta em pé, que explora áreas de cerrado, os frutos do cerrado, como o pequi. Na Amazônia - porque tem um pouco de Amazônia no Matopiba - para que eles possam também explorar a floresta em pé e capitalizar em razão da manutenção dessa floresta.

Pensando no futuro, qual deve ser o papel da inovação e da inclusão produtiva para garantir um desenvolvimento mais equilibrado do Matopiba?

Eu acho que a gente segue nessa questão de garantir o crescimento da produção de forma sustentável. Não há conflito entre a Embrapa e a produção das commodities e a produção da cultura familiar. Nós precisamos avançar nas duas pautas. A soja é muito importante porque ela é a base de toda proteína animal que se produz no país. É a base da alimentação do suíno, do frango, do boi.

Quando a gente está falando de um frango que chega num preço baixo no mercado para as famílias mais pobres consumirem, está falando também da importância da soja nesse processo. A gente precisa entender essa cadeia toda para que possa também compreender a importância das commodities dentro desse processo.

Porque a gente precisa garantir uma produção que cresça de maneira sustentável nas zonas onde se pode aproveitar ao máximo as áreas já abertas. Reestruturar a fertilidade desses solos que já estão em algum nível de degradação para permitir esse crescimento de forma que a gente consiga manter a estabilidade mesmo com todas as mudanças que teremos no clima.

O ponto da agricultura familiar é de fato trabalhar os modelos produtivos e de abordagem para que essas tecnologias consigam não só chegar até o campo, mas promover mudanças. E aí trabalhar a organização social, que é fundamental, a inovação social e o acesso desses produtores ao mercado.

Para eles é muito importante que a gente trabalhe na estruturação da cadeia. Porque só a tecnologia, só a capacitação é pouco para fazer com que eles se desenvolvam. Aí a gente tem um papel importante dos fatores não tecnológicos, da política pública, de preparar esses ambientes para que a tecnologia possa fazer o efeito que fez com os produtores das commodities. E garantir que os produtores também usufruam desse crescimento de todo o aparato que nós temos de pesquisa.

Como a Embrapa segue atuando na região?

A Embrapa tem uma unidade que nós estamos chamando de Hub Matopiba, aqui no sul do Maranhão, em Balsa. A Embrapa está colocando aqui 11 unidades. fez um grande arranjo para colocar novos pesquisadores aprovados nesse último concurso nessa unidade para fortalecer. Para junto com a unidade que a gente tem em Palmas, aumentar a presença dentro da região do Matopiba, que é estratégica. E para isso também faremos uma grande plataforma de projetos.

A Embrapa está investindo neste primeiro momento R$ 2 milhões de reais em projetos, exatamente nesses eixos que eu comentei com você, de inteligência territorial, de aumento da produção e sustentabilidade. E também da inovação na inclusão socioprodutiva, são esses temas que vão ser trabalhados agora.

Estamos fazendo esse chamamento num trabalho conjunto de 11 unidades da Embrapa atuando em rede, logicamente dentro do ecossistema dessas regiões, para que a gente possa dar mais foco e dar mais atenção a esse território. A gente percebe a necessidade de estar mais próximo, estar mais perto e dar mais suporte para esse crescimento.

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