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Competitividade para reagir
Confira o artigo de Carlos Afonso


A indústria petroquímica vive um dos períodos mais desafiadores das últimas décadas, marcado por um ciclo de baixa sem precedentes. Soma-se a isso um cenário geopolítico tensionado, que aumenta custos e intensifica um ambiente de concorrência desleal, favorecendo a entrada de importados a preços artificialmente reduzidos. Superar o momento adverso é possível, porém exige esforço conjunto entre indústria e poder público.
Uma indústria forte impulsiona o desenvolvimento econômico e gera amplos benefícios para a sociedade. Promove ainda inclusão e transformação social nas comunidades, estimula a inovação e contribui para a preservação ambiental.
Na Bahia, temos um ativo estratégico: o Polo de Camaçari, responsável por 22% do PIB da indústria de transformação do estado e por mais de R$ 3 bilhões anualmente em ICMS. Maior complexo industrial integrado do Hemisfério Sul, ele é estruturado no modelo de adensamento das indústrias de 1ª, 2ª e 3ª gerações, formando uma cadeia produtiva completa, permitindo sinergias, ganhos logísticos e eficiência de custos. Essa é a base para diversificar a matriz produtiva do Polo, que já conta com indústrias de pneus, celulose solúvel, metalurgia do cobre, têxtil, fertilizantes, energia eólica, fármacos, bebidas e serviços.
A Braskem, uma das empresas âncoras do Polo de Camaçari, vem avançando com um conjunto consistente de ações de eficiência de processos, por meio do uso racional de recursos e mitigação de impactos competitivos, priorizando ganhos operacionais e energéticos sustentáveis.
Entre os resultados, destaca-se a otimização das caldeiras da unidade de Químicos, que reduziu desperdícios e falhas e agilizou processos. O projeto obteve ganho estimado em R$ 32,4 milhões na economia de combustível, evitou a emissão de 30 mil toneladas de CO2e e reduziu em 46% as perdas de água associadas ao processo.
No entanto, políticas públicas com foco na competitividade são imprescindíveis. Instrumentos legítimos de defesa comercial – amplamente utilizados pelas principais economias do mundo – são fundamentais para assegurar condições equitativas de concorrência, coibindo práticas desleais e protegendo a produção nacional. Países como Estados Unidos, China e Alemanha, por exemplo, tratam o setor como estratégico, praticando um conjunto de medidas para fortalecer seu parque industrial.
A petroquímica brasileira tem condições reais de superar o momento atual. A combinação entre investimento privado, coordenação institucional e um ambiente regulatório previsível pode reposicionar o setor em patamares elevados de sofisticação industrial. O ciclo atual não precisa significar uma estagnação, mas sim uma transição rumo a uma retomada sólida e sustentável.
*Diretor industrial da Braskem na Bahia, presidente do Conselho de Administração do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic) e vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB).