ARTIGOS
Estados Unidos perdem mais uma guerra
Confira o artigo do professor Jolivaldo Freitas


Vamos começar este tour puxando a meada do novelo bem atrás no tempo lembrando o que aconteceu com a grande potência militar conhecida e temida como Roma. Foram séculos de poderio militar até que a coisa desandou a passou a ver sua supremacia militar declinando já no século IV. Depois foi levando cacetadas de 378 e 410, e derrocada oficial no Ocidente por volta de 476. Ocorreu foi mesmo um grande desgaste para a superpotência. O que? Vários fatores como prepotência, arrogância dos políticos e equívocos na política externa com o agravante de crise na política e na economia internas.
Lembrou alguma coisa? Está parecendo que o filme se repete? Donald Trump, feliz proprietário da maior força militar do planeta, do alto do seu pimpão, que parece tirado do personagem de histórias em quadrinhos “Pimentinha” errou com o Irã que não é flor que se cheire. Agora alterna ameaças de “bombardeios e sanções nunca vistas” com discursos otimistas sobre um possível acordo nuclear. O Irã nega e almeja que os EUA paguem pelos estragos que fez até agora na estrutura civil e militar do país. Os americanos não mais conseguem impor unilateralmente suas condições ao Oriente Médio.
O presidente “Pimentinha” foi quem abandonou o acordo nuclear de 2015 em 2018. Apertado vem tentando levantar uma ponte diplomática que havia estilhaçado. Os americanos ainda são imensa potência, mas a história - mais ou menos recente - tem mostrado que isso não basta para vencer uma guerra. Lembre-se que penou na Coréia. Teve de sair do Vietnã, do Iraque e no Afeganistão foi uma correria que Deus nos acuda. Contra o Irã, a situação é ainda mais delicada. Falta a frente convencional de batalha e tome drones e mísseis, mas o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho – importantes para o comércio global – estão conflagrados.
Trump começou a sentir o baque quando a inflação mostrou seus caninos, os postos de gasolina que são verdadeiros templos para os americanos encharcaram as placas com aumentos sucessivos nos valores dos combustíveis e a comida ficou cara. Hoje, 60 por cento do povo norte-americano rejeitam a guerra. Vem aí o período eleitoral.
Que “pressão econômica máxima” que nada. Os iranianos exportam para a China e Rússia. Trump busca um grande acordo, mas não aceita qualquer acordo e seu cinto vai apertando. O Irã, que era para – na visão ou vontade de Trump – estar aniquilado em dias, agora ameaça elevar o enriquecimento de urânio para níveis próximos aos de uso militar se os americanos retomarem os ataques.
Vietnã, Iraque e Afeganistão mostram que ter canhões não garante vitória política. A ação militar – veja que a maioria dos países da União Europeia não entrou no esparro - fracassou. Trump não é bobo (e nunca foi visionário) já sabe que essa guerra é um nó que nem Alexandre, o Grande, resolveria o enigma.,
*Escritor e jornalista. Autor de “Manual Sintético e Minimalista Para Entender Um Pouco de Política e Ideologia” – e-book Amazon.