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O que está em jogo quando falamos  de IA e obesidade

Confira o artigo de Gustavo Meirelles

Gustavo Meirelles*
Por Gustavo Meirelles*
Imagem ilustrativa da imagem O que está em jogo quando falamos  de IA e obesidade
Foto: Magnific

Entre os inúmeros rankings mundiais que o Brasil ocupa, dois se destacam: ele já é 4º entre os mais que utilizam Inteligência Artificial (IA), somando 82% dos brasileiros que mudam a forma como vivem, trabalham e cuidam da saúde, de acordo com pesquisa do Google. O país também carrega uma das maiores cargas globais de Condições Crônicas Não Transmissíveis (CCNTs), como a obesidade, presente em um a cada três brasileiros (Atlas Mundial da Obesidade 2025) e as projeções para o futuro são alarmantes: estima-se que 46,2% das mulheres e 33,4% dos homens serão obesos até 2030, aumentando riscos de diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e afastamento precoce do trabalho.

Nesse contexto, a IA já vem sendo aplicada na prática clínica compilando dados de prontuários e resultados de exames; prevendo trajetórias de perda de peso e taxas de sucesso após intervenções medicamentosas ou cirúrgicas; analisando a composição corporal; recomendando dietas, intervenções terapêuticas e atividades físicas de acordo o histórico e hábitos de vida. Isso significa mais tempo para a escuta do paciente e ação clínica antes que a condição avance. Redução de peso e de medicamentos, melhoria nos marcadores cardiometabólicos e economía na saúde já são perceptíveis.

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A americana Vita Health partiu de uma pergunta simples: “como cuidar de uma doença crônica todos os dias, se o sistema só encontra o paciente algumas vezes por ano?”. A resposta veio do uso inteligente de dados e algoritmos que analisaram informações clínicas, comportamento alimentar, evolução do peso e padrões de adesão, resultando em um modelo de cuidado contínuo.

Pesquisadores brasileiros já demonstraram que modelos preditivos baseados em IA conseguem identificar, com antecedência e precisão, indivíduos com alto risco de desenvolver obesidade, abrindo espaço para intervenções preventivas. Isso não é apenas uma boa notícia clínica. É uma estratégia de sustentabilidade do sistema de saúde.

Um exemplo nacional vem da UFBA e da UFMG, onde pesquisadores usam a IA aplicada às bases nacionais de saúde para identificar, ainda nos primeiros anos de vida, quais crianças têm maior risco de desenvolver obesidade. O estudo é baseado em dados públicos como pré-natal, condições de nascimento, dados nutricionais, contexto socioeconômico e registros da atenção primária, que permitem aos algoritmos reconhecerem padrões e gerar escores de risco, antecipando o cuidado; apoiando equipes de saúde da família com decisões baseadas no risco real; e transformando prevenção em estratégia concreta.

O futuro da saúde não será analógico, e nem puramente digital. Mas, sim, inteligente, humano e responsável. E ele já começou.

*Médico e presidente do Instituto Afya
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Condições Crônicas Não Transmissíveis Inovação em Saúde Inteligência Artificial Obesidade prevenção de doenças saúde no brasil

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