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Os pilares básicos para um turismo profissional na Península de Maraú
Confira o artigo Leco Levita


Sou formado em Administração Hoteleira, empresário do entretenimento há mais de 30 anos, fui secretário de Turismo de Maraú por quatro anos e atualmente presido a APEMA. Depois de viver o turismo na prática durante décadas, afirmo com tranquilidade: nenhum destino turístico cresce de forma séria sem infraestrutura básica.
A Península de Maraú tem um potencial extraordinário, mas precisamos parar de discutir apenas promoção turística, festas e eventos e começar a discutir estrutura.
Existem três pilares fundamentais para qualquer destino profissional que queira ser competitivo na indústria do turismo:
1. Saneamento básico
Não existe turismo sustentável sem saneamento.
Fossas negras, descarte inadequado de lixo e falta de planejamento ambiental colocam em risco nossas praias, rios, lagoas, manguezais e piscinas naturais.
Saneamento não é apenas questão ambiental. É saúde pública, valorização imobiliária e proteção da principal riqueza econômica de Maraú: a natureza.
Ou enfrentamos esse debate agora, ou pagaremos um preço alto no futuro.
2. Energia
O turismo cresceu na Península, mas a infraestrutura energética não acompanhou esse crescimento.
Hotéis, pousadas, restaurantes, mercados e moradores dependem de fornecimento estável. Falta de energia gera prejuízo, afasta investimentos e compromete a experiência do visitante.
O calor durante a noite, os mosquitos, a falta de água e os prejuízos causados pela queima de equipamentos e eletrodomésticos tornam o destino impraticável em muitos momentos.
Precisamos de um compromisso real da Coelba com um projeto de longo prazo para a Península. Um planejamento para os próximos 20 anos, compatível com o crescimento acelerado da região.
Não podemos mais aceitar soluções paliativas que deixam de funcionar poucos meses depois.
Nenhum destino turístico consegue se consolidar convivendo com instabilidade energética.
3. Segurança
Turismo exige sensação de segurança.
O visitante precisa chegar, circular, consumir e permanecer com tranquilidade. Segurança pública forte protege moradores, empresários e turistas.
Mas segurança também envolve organização urbana, Guarda Municipal atuante, salva-vidas nas praias, iluminação, ordenamento e presença do poder público.
A APEMA tem trabalhado justamente nessa visão de colaboração, entendendo que desenvolvimento turístico também passa pela responsabilidade coletiva.
A verdade é simples: a Península de Maraú deixou de ser um destino alternativo há muito tempo. Hoje movimenta milhões, gera empregos, atrai investidores e sustenta centenas de famílias direta e indiretamente.
Mas nenhum destino cresce de forma sólida vivendo apenas de beleza natural e improviso.
Se quisermos um turismo forte pelos próximos 10 ou 20 anos, precisamos ter coragem de discutir infraestrutura com seriedade. Sem populismo, sem vaidade e sem empurrar os problemas para frente.
O futuro da Península depende das decisões que tomarmos agora.
Porque turismo profissional não se mede apenas pelo número de turistas que chegam.
Se mede pela capacidade do destino de continuar existindo com qualidade, organização e dignidade para quem mora e para quem visita.