ARTIGOS
Quero ser o primeiro a saudar a classe trabalhadora
Confira o artigo de Deyvid Bacelar

No dia 2 de Fevereiro deste ano, não consegui ser o primeiro a saudar Iemanjá (o primeiro foi Dorival Caymmi, como todos sabem). Mas neste dia Primeiro de Maio, eu quero ser o primeiro a saudar a classe trabalhadora brasileira por tudo o que conquistamos e por tudo aquilo que ainda vamos conquistar. Há 140 anos, 350 mil trabalhadores de Chicago realizaram uma greve geral que parou os Estados Unidos no dia 1º de maio de 1886.
A luta era por uma jornada de trabalho de oito horas diárias. Foram todos reprimidos violentamente pelos patrões, que não cederam. Esses “Mártires de Chicago” entraram para a história.
Temos agora no Brasil uma luta semelhante, tramitando no Congresso Nacional: o fim da escala 6 x 1, que vai possibilitar dois dias de folga remunerada para a classe trabalhadora, sem deconto de salário.
Nada se conquista sem luta, principalmente quando, do outro lado, estão os capitalistas que, de forma usurária, só pensam em aumentar os seus lucros. A história do Brasil registra que foi com duras batalhas e muito sangue derramado que conquistamos o direito a férias, 13º, FGTS, jornada de 8h. Ou seja: nada caiu do céu. Por isso que, no dia Primeiro de Maio, virou tradição nos encontrarmos nas ruas, reivindicando melhores condições de trabalho e de qualidade de vida para todos e todas.
Graças ao nosso presidente Lula, que conhece a classe trabalhadora mais do que qualquer um neste país, temos muito a comemorar em 2026: salário mínimo com ganho real, desemprego no menor patamar em anos (5,1%); inflação sob controle (IPCA em 4,14% em 12 meses); PIB crescendo (+2,3% em 4 trimestres).
No dia 15 de abril participei da Marcha da classe Trabalhadora pelo fim da escala 6 x 1 com mais de 20 mil pessoas defendendo essa pauta que busca implantar em nosso país a tão sonhada redução de jornada de trabalho sem redução de salário. Tive também uma reunião com o presidente Lula, entregando e apresentando a ele a Pauta da Classe Trabalhadora, tendo como principal tema essa redução de jornada de trabalho sem redução de salário. Na noite anterior à Marcha, o presidente Lula apresentou ao Congresso Nacional um projeto de lei, em regime de urgência, defendendo o fim da escala seis por um e a redução de jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. Ou seja: dois dias de folga remunerados, preferencialmente aos sábados e domingos.
Precisamos pressionar o Congresso Nacional pela aprovação e refutamos a declaração do presidente Paulo Skaf, da FIESP, que disse que com o fim da escala 6 x 1 haverá desemprego no país. Trata-se de uma falácia. Em outros países do mundo essa discussão já não cabe mais. Há países que reduziram a jornada para 36 horas semanais. O Brasil é que ainda está atrasado. A tendência é que mais empregos sejam gerados.
Este é o ano em que o pensamento progressista precisa voltar a ter maioria no Congresso Nacional, para que ampliemos a nossa pauta de reivindicações, garantindo a tarifa zero no transporte público em todos os municípios brasileiros. Vamos lutar também para que o Brasil, seguindo o exemplo da Islândia, consiga entrar no ranking de igualdade de gênero do Fórum Econômico Mundial, tornando ilegal a possibilidade de uma mulher receber um salário menor do que o de um homem, exercendo uma mesma função. Atualmente a igualdade salarial total é rara; a Dinamarca, por exemplo, já foi citada como um dos poucos lugares com disparidades menores, mas o gap salarial ainda persiste globalmente.
Deyvid Bacelar é dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) – Setorial de Energia, Petróleo, Gás e Mineração. É também dirigente sindical licenciado e Conselheiro licenciado do Presidente Lula.
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